quarta-feira, 25 de março de 2015

A Batalha Total – o grande cerco de Malta (4)

Grande Cerco de Malta: assalto turco às posições castelhanas.
Grande Cerco de Malta: assalto turco às posições castelhanas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: o acordo impossível (3)



A partir de 15 de julho, a Baía Grande de Malta transformou-se num incrível cenário de confrontos. A guerra foi travada literalmente de todos os modos.

Canhões lançavam projéteis mortais pelos ares. Arcabuzeiros, lanceiros e espadeiros se digladiavam em terra. Túneis subterrâneos eram escavados incessantemente por mineiros para implodir as muralhas pela base.

Isso forçava os cristãos a fazer seus próprios túneis para destruir os do inimigo. Houve terríveis batalhas até sob a terra.

Numa ação surpreendente, os turcos transportaram navios até o sudoeste da baía, arrastando-os por terra sobre toras de madeira. Os cristãos não esperavam ter de enfrentar também a frota no mar.

Em princípio, os canhões de Santo Ângelo manteriam os navios turcos longe, mas agora as águas próximas às defesas estavam juncadas com mais de 80 embarcações.

quarta-feira, 11 de março de 2015

O acordo impossível – o grande cerco de Malta (3)

Estátua de 'Dragut', ou Turgut Reis, sob o Palácio de Topkapi, Estambul.
Estátua de 'Dragut', ou Turgut Reis, sob o Palácio de Topkapi, Estambul.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: La Valette: heroico líder da resistência



O velho corsário turco Dragut ficou indignado ao desembarcar com um exército auxiliar em Malta, em junho de 1565.

Experiente e respeitado como era, criticou os dois comandantes turcos que haviam instalado o cerco contra as defesas cristãs da ilha.

“Atacar o Forte Santo Elmo primeiro foi uma péssima ideia”, disse Dragut. O cerco deveria ter sido armado do lado oposto da Baía Grande, cortando as comunicações dos cristãos.

Após a tomada das principais fortalezas dos cavaleiros de Malta, Santo Elmo não ofereceria mais resistência.

Mas a crítica do velho Dragut — ele próprio o sabia — chegara tarde. Ao mesmo tempo em que o pequeno Santo Elmo resistia a todos os ataques, conquistá-lo havia se tornado uma questão de honra para os turcos. Abandonar o primeiro plano agora seria vergonha!

Dragut passou então a preparar as novas baterias para acabar de vez com Santo Elmo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

La Valette: heroico líder da resistência – O Grande Cerco de Malta (2)

Jean Parisot de La Valette, Grão Mestre da Ordem de Malta durante o Grande Cerco turco. Antoine de Favray (1706 – 1798).
Jean Parisot de La Valette, Grão Mestre da Ordem de Malta
durante o Grande Cerco turco. Antoine de Favray (1706 – 1798).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O Grande Cerco de Malta (1)



A incrível resistência dos cavaleiros em Malta não pode ser compreendida sem focalizarmos aquele que foi seu próprio artífice: Jean Parisot de La Valette.

Com seus 70 anos, La Valette ainda mantinha a força e a determinação da juventude. Sob o manto da Ordem de São João, considerava como ideal de vida a defesa da civilização cristã e a luta contra o Império Turco.

Já havia experimentado os horrores da escravidão aos turcos, mas fora libertado em uma troca de prisioneiros.

Havia também participado ativamente do cerco de Rodes. Era mestre em todas as táticas de guerra, nas lides do mar e nos armamentos da época.

La Valette, eleito Grão-mestre da ordem em 1557, organizou em Malta a construção de novos bastiões com poderosas muralhas e canhões.

A defesa da ilha foi dividida em três fortes dispostos nas encostas da chamada Baía Grande.

O forte Santo Ângelo dominava a ponta da península de Birgu, através da qual se estendia a cidadela. Na base da outra península, Senglea, erguia-se o Forte São Miguel.

Do outro lado da Baía Grande, voltado para o mar aberto, o solitário Forte Santo Elmo, possuindo forma semelhante a uma estrela, era o primeiro oponente a qualquer invasor.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Grande Cerco de Malta (1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma pequena ilha no Mediterrâneo foi o cenário de mais um embate entre a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Crescente islâmico.

O destino da Europa cristã ficou reservado à bravura de poucos cavaleiros que se mantiveram firmes para defender um único bastião contra uma quase incalculável horda de inimigos.

E pior, esses cavaleiros cristãos sabiam que para eles mesmos não havia esperança.

Veremos como se deu a brilhante defesa da ilha de Malta pelos valorosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém.

Histórico da Ordem até Malta

O cerco de Malta em 1565 foi o auge da longa história da Ordem de Cavalaria de São João. Ela havia surgido logo após a primeira Cruzada (1099) com o objetivo de dar abrigo aos peregrinos que chegavam a Jerusalém.

O “hospital” fundado na cidade não era destinado somente à cura de enfermidades, mas também ao refúgio dos peregrinos.

Os “hospitalários”, como passaram a ser chamados, constataram depois a necessidade de defender com armas os peregrinos nas perigosas estradas da Terra Santa. Nascia assim uma ordem militar religiosa, seguindo o exemplo dos Templários.

Essas duas ordens militares passaram a ser o corpo de elite dos exércitos cristãos do Reino de Jerusalém. Sua fama era grande.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Godofredo de Bouillon: “Defensor do Santo Sepulcro” (2)


continuação do post anterior: Godofredo de Bouillon: “não posso ser coroado de ouro, onde Nosso Senhor foi coroado de espinhos”



Jerusalém estava fortificada e bem defendida por mais de 40 mil homens. No dia 7 de junho de 1099 os cruzados a cercaram.

Novamente todos os sofrimentos de um sítio prolongado, como a sede sob um sol abrasador de verão, castigaram os cavaleiros da Cruz.

Visão de São Jorge e tomada de Jerusalém

Finalmente, “Godofredo viu no Monte das Oliveiras um homem com brilhante escudo: ‘São Jorge vem em nosso auxílio!’” — exclamou.(10).

Entusiasmados, os guerreiros cristãos empurraram as torres de combate para junto das muralhas da cidade. Estenderam pontes, e Godofredo foi um dos primeiros a saltar, correndo para abrir as portas.

O exército, como a enchente de um rio, penetrou na cidade. “O sangue corria pelas escadas e chegava até as patas dos cavalos”.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Godofredo de Bouillon: “não posso ser coroado de ouro, onde Nosso Senhor foi coroado de espinhos” (1)

Estátua de Godofredo de Bouillon em Insbruck. Fundo: Porta de Damasco em Jerusalém
Estátua de Godofredo de Bouillon em Insbruck. Fundo: Porta de Damasco em Jerusalém

Alguns grandes homens deixam após si uma legenda que os rodeia com uma luz especial, arquetipizando seus feitos e suas glórias.

Um desses foi Godofredo de Bouillon, o conquistador e fundador do Reino Latino de Jerusalém.

“A legenda logo se apoderou deste possante e terno senhor do país valão para torná-lo o arquétipo do cruzado”.(1)

Após sua morte, tornou-se herói de canções de gesta, como o tinham sido antes dele o famoso Carlos Magno e Roland.

Filho de Eustáquio, conde de Boulogne, e de Ida, filha de Godofredo o Barbudo, duque da Baixa Lorena e de Bouillon, Godofredo pertencia a uma antiga família que alegava ter Carlos Magno entre seus ancestrais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

São Luís IX: o rei cruzado retratado por seu companheiro de armas – 2

São Luís administrando justiça. Fundo: interior da catedral Notre Dame, Paris.
São Luís administrando justiça.
Fundo: interior da catedral Notre Dame, Paris.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: São Luís IX: o rei cruzado retratado por seu companheiro de armas – 1

O rei amou tanto toda espécie de pessoas que crêem em Deus e O amam, que deu dignidade de condestável de França ao Sr. Gilles Lebrun, que não era do reino da França, porque ele tinha grande reputação de crer em Deus e de amá-lo. E eu creio verdadeiramente que assim foi.

Muitas vezes acontecia que no verão ele ia sentar-se no bosque de Vincennes, depois da Missa, apoiava-se contra um carvalho e fazia-nos sentar em torno dele.

Todos aqueles que tinham assunto iam falar com ele, sem empecilho de ajudas de câmara nem de outros. Então ele mesmo perguntava:

“Há alguém aqui que tenha pendência?”

Aqueles que tinham pendência levantavam-se, e então ele dizia:

“Calai-vos todos, e sereis atendidos um depois do outro”. Então chamava o Sr. Pierre de Fontaines e o Sr. Geoffroy de Vilette, e dizia a um deles:

“Atendei-me esta pendência”. Quando via alguma coisa a corrigir, no arrazoado dos que falavam por outro, ele mesmo a corrigia.

Eu o vi alguma vez, no verão, ir ao jardim de Paris para atender suas gentes, vestido de uma cota de camelo, de um casaco de lã sem mangas, de um manto de tafetá preto em torno do pescoço, muito bem penteado e sem touca, e um chapéu de penas de pavão branco na cabeça.

São Luís recebe a vassalagem de Henrique III, rei da Inglaterra
São Luís recebe a vassalagem de Henrique III, rei da Inglaterra
Fazia estender um tapete para que nos sentássemos em torno dele, e todos aqueles que tinham assunto a tratar com ele ficavam de pé na sua frente. Então ele os fazia atender, do modo como fazia no bosque de Vincennes.

A lealdade do rei mostrou-se bem no caso do Sr. de Trie.

Este remeteu cartas ao santo rei, dizendo que o rei tinha dado aos herdeiros da condessa de Boulogne, recentemente falecida, o condado de Dammartin.

O selo das cartas estava rompido. Restava apenas do selo a metade das pernas da figura do rei e o escabelo sobre o qual o rei apoiava os pés. Mostrou-o a nós todos que éramos de seu conselho, e pediu-nos que o ajudássemos com nosso parecer.

Dissemos todos unanimemente que ele não estava em nada obrigado a pôr as cartas em execução. Chamou então Joan Sarrasin, seu chambellan, e mandou que trouxesse a carta que lhe tinha encomendado.

Quando recebeu a carta, disse: “Senhores, eis o selo de que eu me servia antes de ir a ultramar. Vê-se claramente por este selo que o sinete do selo quebrado é semelhante ao selo inteiro. Por isso eu não ousaria, em sã consciência, reter o dito condado”.

Chamou então o Sr. Renaud de Trie e disse-lhe: “Eu vos entrego o condado”.

(Charles de Ricault d’Héricault, “Histoire Anécdotique de la France” - Bloud et Barral, Paris, Tomo II, pp. 286-289)




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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

São Luís IX: o rei cruzado retratado por seu companheiro de armas – 1

São Luis rei, estátua equestre de St Louis, Missouri, EUA. Fundo: castelo de Pierrefonds, França.
São Luis rei, estátua equestre de St Louis, Missouri, EUA.
Fundo: castelo de Pierrefonds, França.
Luis Dufaur
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Em nome de Deus Todo-Poderoso, eu, João, senhor de Joinville, Senescal de Champagne, faço escrever a vida de nosso São Luís, e aquilo que eu vi e ouvi pelo espaço de seis anos que estive em sua companhia, na viagem de ultramar e depois que voltamos.

E antes de vos contar seus grandes feitos e sua cavalaria, contar-vos-ei o que vi e ouvi de suas santas palavras e bons ensinamentos, para que se achem aqui numa ordem conveniente, a fim de edificar os que ouvirem.

Esse santo homem amou Deus de todo o coração e agiu em conformidade com esse amor. Pareceu-lhe bem que, assim como Deus morreu pelo amor que tinha por seu povo, assim o rei colocasse seu corpo em aventura de morte, o que bem poderia ter evitado se tivesse querido, como se verá a seguir.

O amor que tinha a seu povo transpareceu no que ele disse a seu filho primogênito, durante uma grande doença que teve em Fontainebleau:

“Bom filho — disse-lhe — peço-te que te faças amar pelo povo de teu reino, pois verdadeiramente eu preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o povo do reino bem lealmente, a que tu o governasses mal”.

Amou tanto a verdade, que não quis recusar, mesmo aos sarracenos, o que tinha prometido, como o vereis mais adiante.

Foi tão sóbrio no paladar, que jamais em minha vida o ouvi mandar que lhe servissem quaisquer iguarias, como fazem muitos nobres, mas comia pacientemente o que seus cozinheiros lhe traziam.

Foi moderado em suas palavras, pois jamais em minha vida o ouvi falar mal de ninguém, e nunca o ouvi nomear o diabo, cujo nome está tão espalhado pelo reino, o que acredito não agrada nada a Deus.

Ele diluía seu vinho na proporção em que via que o vinho lhe poderia fazer mal. Perguntou-me um dia, na ilha de Chipre, por que eu não colocava água no meu vinho. Eu lhe disse que os médicos não o ordenavam, por eu ter uma cabeça grande e um estômago frio, e que não podia me embriagar.

O rei disse-me que eles me enganavam, porque se eu não diluísse o vinho na minha mocidade, e quisesse fazê-lo na velhice, a gota e os males do estômago tomariam conta de mim, e nunca teria saúde; e que se eu bebesse o vinho totalmente puro na minha velhice, eu me embriagaria todos os dias, e que o embriagar-se era uma coisa muito vil para um valente homem.

Perguntou-me se queria ser honrado neste século e ter o paraíso depois de minha morte. Disse-lhe que sim, e ele continuou:

“Guardai-vos então de fazer ou dizer qualquer coisa que, se todo o mundo a souber, não a possais declarar e não possais dizer: ‘Eu fiz isso, eu disse aquilo’”.

São Luís na vitória de Taillebourg. Eugène Delacroix, museu de Versailles.
São Luís na vitória de Taillebourg. Eugène Delacroix, museu de Versailles.
Ele chamou-me uma vez e me disse:

“Por causa do espírito sutil de que estais dotado, não ouso falar-vos de coisa que se refere a Deus. Por isso chamei os irmãos que estão aqui, pois quero fazer-vos uma pergunta”.

A pergunta foi esta: “Senescal, quem é Deus?”

Eu respondi: “É tão boa coisa como melhor não pode ser”.

Continuou o rei: “Verdadeiramente está bem respondido, porque essa resposta que destes está escrita neste livro que tenho em mãos. Agora, pergunto-vos o que preferiríeis: ser leproso ou ter cometido um pecado mortal?”

E eu, que nunca lhe menti, respondi que preferiria ter cometido trinta pecados que ser leproso.

Quando os irmãos tinham partido, chamou-me a sós, fez-me sentar a seus pés e perguntou-me: “Como pudeste dizer-me aquilo?”

Eu reafirmei o que lhe dissera, e ele continuou: “Falais sem reflexão, como um avoado, pois não há lepra tão vil como a de se estar em pecado mortal. A alma que nele está é semelhante ao demônio do inferno. Por isso nenhuma lepra pode ser tão má.

“É verdade que quando o homem morre fica curado da lepra do corpo, mas quando o homem que cometeu o pecado mortal morre, não sabe e não é certo que tenha tido um arrependimento, e que Deus o tenha perdoado.

“Deve ter muito temor de que essa lepra lhe dure tanto tempo quanto Deus estiver no Paraíso. Assim, rogo-vos, tanto quanto eu possa, que tomeis a peito, pelo amor de Deus e de mim, o preferir que todo mal de lepra e toda outra doença chegue ao vosso corpo, antes que o pecado mortal chegue à vossa alma”.

continua no próximo post




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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Santa Adelaide imperatriz: heroína modelo de autêntica santidade

Santa Adelaide, estátua em Seltz, Alsácia
Santa Adelaide, estátua em Seltz, Alsácia
Luis Dufaur


Sobre Santa Adelaide (931-999), rainha, a respeito da qual Omer Englebert, na “Vida dos Santos”, diz o seguinte:

“Santa Adelaide, foi uma maravilha de graça e de beleza, segundo escreveu Santo Odilon de Cluny que foi seu diretor espiritual e seu biógrafo.

“Filha de Rodolfo II, rei da Borgonha, nasceu em 931, casando-se aos 15 anos com Lotário II, rei da Itália. A filha desse casamento foi, mais tarde, rainha da França.

“Adelaide tinha 18 anos quando seu marido morreu, segundo se crê, envenenado por seu rival Berengário II. Este, em breve, proclamou-se rei da Itália e ofereceu a mão de seu filho à viúva de sua vítima.

“Recusando-se Adelaide a fazer-lhe a vontade, Berengário apoderou-se de seus estados e conservou-a presa no castelo de Garda. Aí sofreu os maiores ultrajes, mas ninguém conseguiu demovê-la.

“Conseguindo fugir, dirigiu-se ao castelo de Canossa, propriedade da Igreja. Dessa fortaleza inexpugnável dirigiu um apelo a Oto I, rei da Germânia, que correu em seu auxílio com um poderoso exército. Cingiu ele a coroa de Itália em Pavia e foi, mais tarde, sagrado imperador em Roma. Entretanto, casava-se com Adelaide.

“O filho desse segundo casamento, Oto II, sucedeu seu pai e a princípio revoltou-se contra sua mãe. Temendo pela vida, ela refugiou-se na Borgonha. Foi então que conheceu Santo Odilon e espalhou benefícios pelos mosteiros franceses.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

São Bonifácio, Apóstolo da Alemanha

São Bonifácio, estátua em Mainz, Alemanha

Plinio Maria Solimeo
 
“Passara-se apenas um século desde que os discípulos de São Gregório Magno haviam desembarcado na Inglaterra, e já a ilha dos piratas convertera-se em ‘ilha dos santos’. Havia santos reis, virgens inflamadas no amor de Cristo, ascetas que deixavam atrás os solitários da Tebaida, sábios monges e figuras magníficas de bispos. Havia, sobretudo, apóstolos. O fogo do apostolado consumia os novos convertidos, e os empurrava longe de sua terra”.(1) 
São Bonifácio foi uma dessas almas de fogo cujo espírito apostólico o levou a deixar a Inglaterra para tornar-se o Apóstolo da Alemanha.

Winfrido, nome que recebeu no batismo, nasceu por volta do ano de 680 em Kirton, no Devonshire (Inglaterra). Seus pais eram de origem saxônica e desfrutavam de boa posição social. Não sabemos se tiveram outros filhos.

Quando Winfrido contava apenas cinco anos de idade, viu na casa paterna alguns religiosos que pregavam na região. Pediu então ao pai licença para segui-los ao seu mosteiro.

Tomando o pedido como fantasia de criança, o pai não deu ouvidos. Acontece que Winfrido levava a coisa a sério e continuava a insistir com o pai. Este, atacado por repentina doença que o pôs às portas da morte, viu finalmente nisso a mão de Deus, que o castigava por sua negativa ao filho.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Santa Joana d’Arc: intimação não atendida, ameaça cumprida

Santa Joana d'Arc, iluminura século XV
Santa Joana d'Arc, iluminura século XV
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No dia da Ascensão de Nosso Senhor do ano de 1429, os ingleses defensores de Orleans receberam de Santa Joana d’Arc a seguinte intimação:
“A Vós, ingleses, que não tendes nenhum direito sobre este Reino da França, o Rei dos Céus vos ordena e intima por mim, Jeanne la Pucelle: retirai-vos de vossas fortalezas e retornai a vosso país, pois senão vos farei tal mortandade que dela se guardará perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, e não mais escreverei”.

Assinado: Jesus, Maria e Jeanne la Pucelle”.
Os ingleses se dispensaram de responder à intimação. No dia seguinte, 8 de maio, após violento assalto, Santa Joana D’Arc entrava vitoriosa em Orleans.

O cerco da praça forte durara apenas 8 dias.


(Fonte: Régine Pernoud, “Vie et Mort de Jeanne D’Arc”)




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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Novas lutas, novas vitórias – D. Afonso Henriques 4

Continuação do post anterior

Mas o mouro não descansa. Quer manter a todo custo seus domínios na Península Ibérica, e convoca para isso contínuos reforços do norte da África. D. Afonso responde à altura, como um gigante infatigável e onipresente.

A promessa de Nosso Senhor cumpre-se a cada novo empreendimento. Em março de 1147, o Rei ataca o castelo de Santarém em poder dos infiéis.

Mortas as sentinelas, vencidas as resistências, abre-se a maciça porta de ferro aos cavaleiros portugueses. E há um momento de profunda beleza: no meio da torrente que se precipita para o interior do castelo, aureolado pelo clarão puro do sol nascente, D. Afonso reza de joelhos, dando graças a Deus, que lhe protegeu a empresa.

Nesse mesmo ano de 1147, com a ajuda decisiva de uma grande frota de cruzados alemães, franceses, ingleses e flamengos de retorno da Terra Santa, efetua-se, de julho a outubro, a laboriosa conquista de Lisboa.

Assédio longo e sangrento, com alternativas inúmeras, terrenos disputados palmo a palmo, mortíferos engenhos bélicos. Sintra, Almada e Palmela, ante a queda de Lisboa, entregam-se.

Anos depois, em 1158, cai Alcácer do Sal, praça que defende uma importante zona entre os rios Sado e Tejo. Em 1159, Évora, logo perdida; Beja, perdida também e, em 1162, retomada.

“Portugal alarga-se, talhado à espada sobre a decomposição do velho império almorávida. O prestígio de D. Afonso cresce, impõe-se, quer na península, quer além dela”.(9)