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terça-feira, 29 de setembro de 2026

São Silvestre I: tirou a Igreja da miséria das catacumbas e a fez merecidamente pomposa e soberana

São Silvestre I, (280-335 d.C.)
São Silvestre I, (280-335 d.C.)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior

O princípio da constantinização é duplo:

Primeiro, de ordem política. Esse princípio parte do reconhecimento de que a Igreja Católica é a única verdadeira. E é fácil de perceber que Ela é a única Igreja verdadeira; todo homem que pode conhecer a Igreja e não adere, é culpado.

E a Igreja deve do Estado, a proteção e o apoio, o respeito e as honras que se tributam ao que é divino.

A Igreja é uma entidade mais nobre e poderosa do que o Estado na ordem profunda das coisas, porque Ela é divina.

Daí então a famosa comparação de São Gregório VII: a Igreja é como o sol, e o Estado é como a lua.

A lua recebe a sua luz do sol e o Estado recebia todo o seu lume da Igreja.

Segundo, as coisas esplêndidas e magníficas da terra foram feitas sobretudo para o culto de Deus, e não sobretudo para o uso do homem.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

São Silvestre I, o primeiro Papa-rei de Roma

Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbio persecutório  do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbio persecutório
do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Dom Prosper Guéranger OSB (1805-1875), refundador da Abadia de Solesmes, escreveu em sua célebre obra L’Année Liturgique um grande elogio de São Silvestre I Papa (280-335), na qual, entre outras coisas, ele diz:

“Era justo, então, que a Santa Igreja, para reunir nessa oitava triunfante todas as glórias do céu e da terra, inscrevesse nesses dias, o nome de um santo confessor que representasse todos os confessores.

“Este é São Silvestre, esposo da Santa Igreja Romana e, por ela, da Igreja Universal.

“Um pontífice de reinado longo e pacífico, um servidor de Cristo ornado de todas as virtudes, e dado ao mundo após esses combates furiosos que tinham durado três séculos, nos quais triunfaram pelo martírio milhares de cristãos sob a direção de numerosos papas, mártires predecessores de Silvestre.

“Silvestre anuncia também a paz que Cristo veio trazer ao mundo e que os anjos cantaram em Belém.

“Amigo de Constantino, confirma o Concílio de Nicéia que condenou a heresia ariana e organiza a disciplina eclesiástica para uma era de paz. Seus predecessores representaram Cristo padecente; ele figura Cristo triunfante.

O Papado passou a ser respeitado como Jesus Cristo desejava  no pontificado de São Silvestre I
O Papado passou a ser respeitado como Jesus Cristo desejava
no pontificado de São Silvestre I
“Ele completa, nessa oitava, o caráter do Divino Menino e chega na humildade de Suas faixas, exposto à perseguição de Herodes e, entretanto, é o Príncipe da Paz e o Pai do século futuro.

“De acordo com os ensinamentos de Silvestre, o piedoso imperador confirmou com seu exemplo o direito concedido aos cristãos de construir seus templos de modo ostensivo; pois ele elevou grande número de Basílicas.

“A saber, a de Laterão dedicada a Cristo Salvador, a do Vaticano a São Pedro, a da via de Óstia a São Paulo, as de São Lourenço no Agro Verano, da Santa-Cruz no palácio de Sessorius, dos santos Pedro e Marcellino e de Santa Inês nas vias Lavicana e Nomentana, e outras ainda; que ele ornou esplendidamente com imagens santas e dotou magnificamente com propriedades e privilégios.

“Foi sob seu pontificado que se reuniu o primeiro Concílio de Niceia, no qual, sob a presidência de seus legados, na presença de Constantino e de trezentos dezoito bispos, a santa Fé católica foi explicada e Ario e seus sectários foram condenados. (...)

“São Silvestre também ditou vários decretos vantajosos para a Igreja de Deus que levam seu nome; a saber: (...) que os diáconos usariam a dalmática na Igreja e levariam no braço esquerdo um ornamento de linho; que o Sacrifício do altar se celebraria sobre uma toalha de linho”. Dom Prosper Guéranger, OSB, “L’Année Liturgique”, “Temps de Noel, Propre des Saints, XXXI Décembre. Saint Silvestre, Pape et Confesseur”.

O lindo comentário D. Guéranger nos chama a atenção para a vida desse santo, lembrado no último dia do ano, e para o exemplo que ele dá aos dias tristes em que nós vivemos.

Ele foi Papa no tempo do Imperador Constantino e presidiu à transformação da Igreja, que deixou de ser perseguida para ser rainha, deixou as catacumbas e começou a ocupar palácios.

São Silvestre I batiza o imperador Constantino
São Silvestre I batiza o imperador Constantino
São Silvestre presidiu ao desabrochar da Igreja fora das catacumbas como um sol que nasce. Foi sob suas diretrizes e inspiração que começou a obra de “constantinização” da Igreja.

O que é essa constantinização?

A obra consistiu no seguinte. Houve um primeiro edito de Constantino que concedeu liberdade à Igreja Católica.

Houve depois um outro edito, que fechou todos os templos não católicos.

Depois a Igreja começou a se instalar sobre o solo romano.

São João de Latrão é um dos troféus mais preciosos  da igreja constantiniana
São João de Latrão é um dos troféus mais preciosos
da igreja constantiniana
O imperador Constantino quis cercá-la de um luxo que reparasse os anos de imerecida miséria que Ela tinha passado nas catacumbas.

Assim, mandou construir a primeira Basílica cristã católica sobre o palácio da sogra dele, a casa dos Laterani.

Ela passou a ser a igreja de São João de Latrão, a Catedral do Papa.

Depois disso, o imperador começou a cercar os bispos de honras especiais, torná-los personagens oficiais, e cercar de todo esplendor os atos do culto católico, prestigiado pelo comparecimento pessoal do Imperador.

A Igreja passou a ser unida ao Estado e ficou uma entidade de tal maneira reverenciada que um dos motivos que levaram Constantino a deixar Roma e fundar a cidade de Bizâncio – também chamada Constantinopla – estava em deixar a cidade mais ilustre da terra, que era Roma, para que o Papa nela residisse sozinho e fosse virtualmente o soberano de Roma.

Constantino ainda não lhe deu o poder temporal, mas criou uma situação em que praticamente o Papa era o senhor temporal de Roma.

(Comentários de Plinio Corrêa de Oliveira feitos em 30-12-1966, sem revisão do autor).

Continua no próximo post


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terça-feira, 18 de abril de 2023

O leão que afastou o “flagelo de Deus” das portas de Roma

São Leão Magno dissuade Átila, Rafael
São Leão Magno dissuade Átila, Rafael.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Um Papa leão contra as heresias

Um perigo de outra ordem surgiu no horizonte. Átila, rei dos hunos, que a si mesmo chamava de “Flagelo de Deus”, tudo destruía nas Gálias.

Tongres, Treves e Metz foram pilhadas; Troyes foi salva por São Lupo, e Orleans por Santo Aniano. Batido nas planícies de Chalons pelos esforços conjuntos de Aécio, Meroveu, rei dos francos, e Teodorico, rei dos visigodos, Átila voltou-se para o norte da Itália, destruindo tudo a ferro e fogo.

Muitos se refugiaram nas pequenas ilhas existentes nas lagunas do Mar Adriático, dando origem a Veneza. Átila saqueou Milão; e o imperador Valentiniano III, não se julgando a salvo em Ravena, fugiu para Roma. O imperador, o senado e povo só viram uma saída para conjurar a situação: que São Leão fosse parlamentar com o invasor.

Para São Leão, sua missão era clara: salvar o mundo cristão, e também sua pátria e seu povo. Mas a tarefa não era nada fácil, e o sucesso imprevisível.

São Leão foi encontrar-se com o temível bárbaro nas proximidades de Mântua, revestido de todos os paramentos pontificais e acompanhado por sacerdotes e diáconos em trajes sacerdotais.

“Como um leão que não conhece medo nem tardança, este varão se apresentou para falar ao rei dos hunos em Peschiera, pequena cidade próxima de Mântua, e moveu o vencedor a voltar”, diz um cronista da época.

Átila intimidado pelo milagre de São Leão Magno se afasta de Roma
Átila intimidado pelo milagre de São Leão Magno se afasta de Roma
Outro contemporâneo, São Próspero da Aquitânia, afirma que São Leão “abandonou-se ao auxílio divino, que nunca falta ao esforço dos justos, e o êxito coroou sua fé”.(6)

Átila prometeu viver em paz com o império mediante um tributo anual. Fez cessar imediatamente as hostilidades, e pouco depois, fiel à sua palavra, retornou aos Alpes.

Os bárbaros perguntaram então a seu chefe por que, contra seu costume, havia mostrado tanto respeito para com o Papa, a ponto de obedecer tudo quanto ele havia proposto.

Átila respondeu que “não foi a palavra daquele que veio me encontrar que me inspirou um medo tão respeitoso; mas eu vi junto a esse Pontífice um outro personagem, de um aspecto muito mais augusto, venerável por seus cabelos brancos, que se mantinha em pé, em hábito sacerdotal, com uma espada nua na mão, ameaçando-me com um ar e um gesto terríveis, se eu não executasse fielmente tudo o que me era pedido pelo enviado”.

Esse personagem era o Apóstolo São Pedro. Segundo outra tradição, o Apóstolo São Paulo estava também presente.

Não nos resta nenhum relato contemporâneo dessa intervenção dos Apóstolos. Mas a tradição que no-lo narra está consagrada pela autoridade do Breviário Romano.(7)

Outra invasão de Roma, outras circunstâncias

O Sumo Pontífice ordenou preces públicas para agradecer a Deus tamanho benefício. Mas o povo volúvel logo se esqueceu do magnífico favor, e se entregou às diversões como jogos no circo, teatros e deboches.

O imperador não foi o último a dar o mau exemplo da imoralidade mais revoltante. Num sermão, São Leão aplicou ao povo as palavras de Jeremias (5, 2):

“Vós os atingistes, e eles não sentiram; vós os quebrastes de golpes, e eles não quiseram submeter-se ao castigo”. Emocionado, acrescentou: “Queira Deus que estes males sirvam para a emenda dos que sobrevivem, e que, cessando as desgraças, cessem também as ofensas”.(8)

São Leão Magno, bronze na Schatzkammer, Viena
São Leão Magno, bronze na Schatzkammer, Viena
Mas sua advertência não foi atendida. Por isso, três anos depois, São Leão já não foi tão bem sucedido com o vândalo Genserico.

O que o Pontífice pôde obter dele foi que não queimasse a cidade e respeitasse a vida de seus cidadãos.

E que estaria a salvo tudo o que se pudesse recolher nas três grandes basílicas de Roma. Mas Roma foi saqueada durante 15 dias. Ninguém morreu, mas muitos ficaram na miséria.

O Pontífice procurou socorrer os necessitados e reconstruir a cidade, declarando outra vez que esses males se deviam à impiedade do povo. E exclamou:

“Meu coração está cheio de tristeza e invadido por um grande temor. Porque estão em grande perigo os homens quando são ingratos a Deus, quando se olvidam de suas mercês e não se arrependem depois do castigo, nem se alegram com o perdão”.(9)

São Leão enviou missionários à África para atender os cristãos cativos que Genserico levou consigo.

A rica coleção de cartas e sermões admiráveis que nos legou São Leão Magno — e que lhe mereceram o título de Doutor da Igreja — são um claro espelho da história de seu tempo.
“Com ele vemos pela primeira vez o Papado medieval em toda sua concepção grandiosa e sua intransigência necessária, e nele resplandece o duplo elemento que garante a vida divina da Igreja: autoridade e unidade”.(10)

O grande Papa e santo faleceu em Roma no dia 10 de novembro de 461, e foi declarado Doutor da Igreja em 1754.

(Autor: Plinio Maria Solimeo, apud CATOLICISMO)

Notas:
1. J.P. Kirsch, Pope Saint Leo, The Catholic Encyclopedia, online edition, www.newadvent.com.
2. Les Petits Bollandistes, Vies de Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IV, p. 328.
3. Frei Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo II, p. 101.
4. J.P. Kirsch, id., ib.
5. Ver nosso artigo sobre Santa Pulquéria em Catolicismo, edição de setembro de 2008.
6. J.B. Weiss, História Universal, Tipografia La Educación, Barcelona, 1927, tomo IV, p. 328.
7. Les Petits Bollandistes, op. cit. p. 333.
8. Fr. Justo Perez de Urbel, op. cit., p. 103.
9. Id., ib., p. 105.
10. Id., Ib., p. 108.



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terça-feira, 4 de abril de 2023

Um Papa leão contra as heresias

São Leão Magno, vitral da Universidade Católica de America, Washington DC
São Leão Magno, vitral da Universidade
Católica de America, Washington DC
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs







São Leão nasceu em Roma, de pais toscanos, no final do século IV ou começo do V. Já na juventude distinguiu-se nas letras profanas e na ciência sagrada.

Um antigo concílio geral diz dele:

“Deus, que o havia destinado a obter brilhantes vitórias contra o erro e a submeter a sabedoria do século à verdadeira fé, tinha posto em suas mãos as armas da ciência e da verdade”.(2)

Tornando-se arcediago da Igreja romana, serviu sob os Papas São Celestino I e Sixto III.

Hábil diplomata, era ele bem conhecido, pois foi por sua sugestão que Cassiano escreveu em 430 ou 431 sua obra De Incarnatione Domini contra Nestorium (“Sobre a Encarnação do Senhor, contra Nestório”).

E também nesse mesmo ano São Cirilo de Alexandria a ele se dirigiu para interessá-lo em seu favor contra o mesmo herege Nestório.

São Leão foi designado para várias missões delicadas na época.

Em uma delas, em 440, foi enviado pelo Imperador Valentiniano III à Gália, para tentar reconciliar dois dos mais famosos personagens do Império: o comandante militar da Província, Aécio, e o principal magistrado, Albino.

Os dois chefes militares não pensavam senão em suas desavenças em vez de voltar-se contra os bárbaros que estavam às portas do vasto Império.

São Leão encontrava-se nessa missão quando, falecendo o Papa Sixto, foi eleito para sucedê-lo.

Leão foi sagrado no dia 29 de setembro de 440. Um mês depois, pedia ao povo romano, reunido na basílica de São João de Latrão:

“Eu vos conjuro, pelas misericórdias do Senhor, que ajudeis com vossas orações àquele que haveis chamado com vossos desejos, a fim de que o espírito da graça permaneça sobre mim e não tenhais que arrepender-vos de vossa eleição”.(3)

Incansável defensor da ortodoxia
São Leão Magno. Afresco em Subiaco, Itália
São Leão Magno. Afresco em Subiaco, Itália
São Leão considerou como um de seus principais deveres, na qualidade de supremo Pastor, manter a disciplina eclesiástica, nesse tempo em que a contínua invasão de hordas bárbaras provocava desordens em todas as condições da vida; inclusive nas regras de moralidade, que estavam sendo seriamente violadas.

Foi ele extremamente enérgico para a manutenção da disciplina, e muitos de seus sermões e decretos vão nesse sentido.

Esforçava-se principalmente em sustentar a ortodoxia naqueles tempos difíceis para a Igreja e de decadência geral.

“De sua primeira carta, escrita a Eutiques em 1º de junho de 448, à sua última carta ao novo Patriarca de Alexandria, Timóteo Salophaciolus, em 18 de agosto de 460, não podemos senão admirar a clara, positiva e sistemática maneira pela qual Leão, fortificado pela primazia da Santa Sé, teve parte nessa difícil confusão”.(4)

Pouco depois de sua elevação ao sólio pontifício, começou a combater energicamente as heresias que surgiam no Oriente.

Assim, por exemplo, soube que em Aquiléia sacerdotes, diáconos e clérigos, que tinham sido aderentes da heresia de Pelágio, haviam sido readmitidos à comunhão da Igreja sem ter feito abjuração explícita de sua heresia.

O Papa, além de condenar severamente o fato, ordenou que um sínodo provincial se reunisse naquela cidade, no qual tais pessoas fossem intimadas a abjurar publicamente a heresia e a subscrever uma confissão de fé inequívoca.

Outro grave problema que teve de enfrentar foi contra nova onda da heresia maniquéia.

Hordas e hordas de maniqueus, que fugiram da África por causa da invasão dos vândalos, haviam se estabelecido em Roma, onde fundaram uma comunidade maniquéia secreta.

O Papa ordenou aos fiéis que denunciassem esses hereges aos sacerdotes. Em 443, junto aos senadores e presbíteros, conduziu uma investigação pessoal contra a seita, sendo então seus líderes julgados e condenados.

Por influência do Papa, o Imperador Valentiniano III promulgou um edito pelo qual estabeleceu punições contra os maniqueus.

São Leão Magno. Basílica de Santa Ana, Altötting, Alemanha.
São Leão Magno. Basílica de Santa Ana, Altötting, Alemanha.
São Próspero de Aquitânia afirma em suas Crônicas que, em conseqüência das enérgicas medidas do pontífice contra a heresia, os maniqueus foram também expulsos das províncias; e que mesmo os bispos orientais emulavam com Leão I na perseguição a essa seita herética.

São Leão defrontou-se também com a questão da heresia monofisista no Oriente, defendida por Eutiques, monge de Constantinopla.

Ensinava o monge que em Jesus Cristo havia somente uma natureza; e não duas –– a humana e a divina –– como é o ensinamento correto.

Eutiques já havia sido excomungado por São Flaviano,(5) Patriarca de Constantinopla, e apelou ao Papa. Leão I, depois de investigar a questão, escreveu uma carta dogmática a São Flaviano, com uma exposição serena e profunda da cristologia católica.

No caos das discussões, este foi o guia seguro para os espíritos sinceros, estabelecendo e confirmando a doutrina da Encarnação e da união das naturezas divina e humana de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele urgiu que um concílio se reunisse para julgar o concílio ilegalmente realizado em Éfeso –– que condenara e depusera São Flaviano, inocentando Eutiques – e ao qual denominou de “Concílio de Ladrões”.

Foi assim reunido o Concílio de Calcedônia, sob os auspícios dos imperadores Marciano e Santa Pulquéria, que condenou Eutiques e Dióscoro, patriarca de Alexandria.

continua no próximo post: O leão que afastou o “flagelo de Deus” das portas de Roma


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terça-feira, 10 de março de 2020

São Gregório Magno: o leão vigilante que acordava os bispos moles

São Gregório Magno, Menlo Park, Califórnia.
São Gregório Magno, Menlo Park, Califórnia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São Gregório Magno foi papa entre 3 de setembro de 590 e sua morte, em 12 de março de 604. Também ficou conhecido como Gregório, o Dialogador na Ortodoxia por causa de seus “Diálogos” muito diversos dos atuais que procuram o relativismo e o meio termo.

Ele foi um herói da ortodoxia, quer dizer do ensinamento reto, no qual foi um leão. Tal foi a força de seu pensamento que até o heresiarca João Calvino no século XVI teve que se render diante de seus feitos e declarar em seus péssimos escritos antipapistas ou “Institutos” que São Gregório teria sido o “último bom papa”.

São Gregório Magno é Doutor e Padre da Igreja.

Foi o primeiro papa a ter sido monge antes do pontificado e sua obra no Papado, contrariamente à crise atual, foi de um rigor e de uma mansidão que corrigiu todos os abusos ou fraquezas que encontrou.

Nasceu por volta do ano 540 em Roma e seus pais o batizaram Gregorius, que em grego significa “vigilante”, em inglês 'watchful'. O nome deriva de outro semelhante que significa “despertado do sono” ou “acordar alguém”.