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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Não temeram combatendo sob a sombra da Imaculada

O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel. Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel.
Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Empel: onde a Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro




Prometendo a Virgem vencer ou morrer

Oficiais e soldados esgotados correram para construir um altar de pedras e lama que ornamentaram com a Cruz de Santo André, símbolo do exército espanhol e para glorificar a imagem encontrada, entoaram a Salve Rainha.

Concluída a oração daqueles homens consolados mas à beira da morte, o chefe Bobadilla os exortou com palavras inspiradas:

“Soldados!

“A fome e o frio nos levam à derrota, mas a descoberta milagrosa vem para nos salvar.

“Quereis que na noite abordemos as galeras inimigas, prometendo ganhá-las ou tudo perder pela Virgem sem que sobre uma vida?”.

E eles juraram que queriam.

Eles queimaram as bandeiras para que em caso de derrota não caíssem em mãos inimigas e, pela mesma razão, destruíram sua artilharia.

O milagre de Empell, miraculoso achado de imagem da Imaculada Conceição
 Empel: miraculoso achado de imagem da Imaculada Conceição
O plano era desesperado, mas não havia outra alternativa: subir a bordo de alguns barquinhos que tinham, desafiar a artilharia inimiga e tentar abordar os navios holandeses na ponta das armas brancas.

Mas, o verdadeiramente prodigioso aconteceu então.

Porque um vento poderoso e glacial começou a castigar essas terras e essas águas. Tudo virou gelo.

Os maiores navios holandeses tiveram que recuar antes de serem bloqueados e estraçalhados pelo gelo.

Entre os católicos, a esperança renasceu.

O único Deus verdadeiro é católico

Num ritmo de marcha forçada correndo por cima do gelo do rio endurecido, os terços de Bobadilla atacaram os fortes, que caíram um após o outro.

Eles fizeram o mesmo com os navios que não conseguiram escapar.

Eles capturaram dez, com seus suprimentos, toda a artilharia e munição inimiga, fizeram dois mil prisioneiros ...

Foi uma vitória total que apenas algumas horas atrás parecia impossível.

Não foram só os católicos que pensaram que ali havia uma intervenção divina.

O chefe protestante vendo a derrocada suspeitou que estava lutando contra forças muito mais poderosas que as humanas.

“Para mim, parece que Deus é espanhol ao agir com um grande milagre”, confessou o almirante Hohenlohe-Neuenstein.

Até hoje o Serviço de Meteorologia Holandês indaga como o mar congelou, Jordi Bru.
Até hoje o Serviço de Meteorologia Holandês indaga como o mar congelou, Jordi Bru.
A batalha durou dois dias.

Choveu e o gelo quebrou. Os calvinistas bateram em retirada.

A imagem da Imaculada foi transferida para a igreja de Balduque.

Até então, cada terço tinha um grande nobre que era o empregador que financiava as operações.

Mas, depois do Milagre de Empel, a Imaculada se tornou padroeira de todos os terços de Flandres e da Itália.

Foi fundada então a Irmandade dos soldados da Virgem Concebida Sem Defeito. Seu primeiro irmão foi Bobadilla. Todos os alistados nos territórios de Flandres e Itália pertencerão a ela.

Em 12 de Novembro de 1892, a rainha regente María Cristina assinou a ordem institucionalizando o que já era um fato consumado havia três séculos: a invocação da Imaculada Conceição como padroeira da Infantaria.

Empel: a capela do milagre
Foi um milagre?

Não há opinião canônica sobre o evento climático.

O fenômeno meteorológico incomum naquele 8 de dezembro de 1585, na ilha de Bommel, foi objeto de estudo por historiadores e meteorologistas holandeses.

Hoje, o Instituto Holandês de Meteorologia se declara incapaz de compreender a concatenação de circunstâncias que levaram a água ao redor da ilha de Bommel a se congelar numa noite.

É fato que o mundo passava por uma era conhecida como o mínimo de Maunder, período de 1645 a 1715, durante a Pequena Idade de Gelo dos séculos XV a XVII.

Mas, foi um fenômeno incomum nunca visto antes nessas terras com temperaturas de quase ‒ 20ºC.

Para todos ficou claro que os homens que acreditavam na Puríssima Virgem tinham sido resgatados de modo prodigioso.

Acresceu que o vento gélido começou a soprar no momento que os católicos da vizinha cidade de Balduque tinham iniciado uma procissão com o Santíssimo Sacramento - outra verdade negada pelos protestantes. Cfr. El Tercio de Bobadilla y el Milagro de Empel

Ao que se deveu a 'mudança climática'? Para os testemunhas do fato só podia ser por causa dEla!

Assim, desde o milagre de Empel, até hoje a Imaculada Conceição é a padroeira da infantaria espanhola.

E o 8 de dezembro, data da vitória miraculosa de Empel, é o dia de sua festa universal.


Vídeo: a Virgem Imaculada lhes deu a vitória impensável





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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

A Imaculada Conceiçao e o Deus católico único verdadeiro: o milagre de Empel

O milagre de Empel 04, Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O milagre de Empel. Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A Imaculada Conceição teve um papel essencial em vários episódios muito importantes da história da Cristandade.

Um dos menos conhecidos é o chamado Milagre de Empel onde a intervenção da Imaculada determinou a vitória dos regimentos católicos espanhóis em guerra contra os protestantes holandeses em Flandres.

O escritor espanhol José Javier Esparza dedicou uma valiosa matéria publicada pelo jornal “La Gaceta” de Madri sob o título “Empel: Um tercio para um milagre”, reproduzido por Infovaticana.

Nota: tercio, literalmente terço em português, designa um tipo de unidade militar de infantaria no exército espanhol.

O fato portentoso se deu na ilha de Bommel, lembrada como Empel, em Brabante, região hoje dividida entre Bélgica e Holanda, nos dias 7 e 8 de dezembro de 1585. A guerra religiosa de Flandres, da qual fazia parte Brabante se disputou essencialmente em trincheiras onde a infantaria desempenhou um papel essencial.

Os protestantes fortemente apoiados por seus correligionários ingleses e franceses, professavam a fórmula calvinista e erguiam a bandeira da independência contra seu rei e a Espanha, corajosa defensora do catolicismo.

Os terços espanhóis lutavam em condições adversas de extrema dureza. Além da geografia pantanosa, o apoio inglês e francês conferia aos rebeldes heréticos flamencos um poder extraordinário.

Naquela data, na ilha de Bommel, entre os rios Maas e Waal, estavam dispostos cinco mil católicos (espanhóis e flamencos) do Terço Tercio Viejo de Zamora, comandado pelo mestre de campo Don Francisco Arias de Bobadilla.

Eles enfrentaram e derrotaram em condições  muito adversas a uma frota de cem barcos dos rebeldes protestantes dos Estados Gerais dos Países Baixos, comandada pelo almirante Felipe de Hohenlohe-Neuenstein. Cfr. Wikipedia, Milagre de Empel.

Os porta-estandartes do erro preferiram não atacá-los por terra, porque a infantaria espanhola era tida com razão como a melhor do mundo e lhes inspirava muito respeito.

Vista aérea de Empel na região de Brabante em foto atual
Vista aérea de Empel na região de Brabante em foto atual
O conde de Hollac comandava as tropas protestantes locais e tentava angariar o buscar o apoio dos calvinistas franceses.

Porém, esses pareciam lembrar o que dissera seu compatriota Bonnivet:

“Cinco mil espanhóis são cinco mil homens que lutam e cinco mil cavalos ligeiros, e cinco mil homens de infantaria e cinco mil sapadores e cinco mil demônios”.

Então os franceses tiraram o corpo.

Antes da morte que a desonra

O conde de Hollac então projetou um assedio marítimo usando barcaças de fundo chato capazes de formar uma barreira formidável nos canais pouco profundos.

Pretendia assim cortar os fornecimentos a Bobadilla, deixa-lo sem comida, sem abrigo, e sem qualquer esperança de receber reforços.

Ao mesmo tempo, fez saber aos católicos que lhes oferecia uma capitulação honrosa.

Ele evitaria um desenlace de luta corpo a corpo com os temidos terços apelando ao “bom senso”: os católicos poderiam sair sem deixar prisioneiros ou reféns e levariam suas bandeiras.

Bobadilla não pareceu gostar da proposta e respondeu:

“A infantaria espanhola prefere a morte à desonra. Nós vamos falar sobre a capitulação após a morte”.

Num outro a frase soaria a bravata, mas os exemplos de centenas de outros feitos de armas nessas terras ensinavam que eram muito sérias.

Entres aqueles homens alguns anos atrás haviam sido capturados em Tournai e em Maastricht, mas voltaram e reconquistaram Dunquerque e Nieuwpoort, desfilaram suas bandeiras por Bruges e Gante, e ainda sitiaram e conquistaram Antuérpia ...

O conde Hollac acreditou: aqueles católicos fariam o que tinham dito. Mas concebeu uma estratagema brilhante para quebrar sua resistência sem ter que medir o aço com os sitiados.

Ele mandou inundar a área só ficando a ilha de Bommel onde estavam as forças leais ao rei. Para isso fez voar pelos ares as barragens que continham os rios Maas e Waal.

Quando tudo estava perdido, Nossa Senhora deu a vitória. Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Quando tudo estava perdido, Nossa Senhora deu a vitória.
Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
A terra ocupada pelos espanhóis ficou inundada. Somente a colina de Empel sobressaia da água.

Os soldados dos terços ficaram tão cansados como antes e famintos como sempre naquele moimento passaram a também ficar encharcados até os ossos e reduzidos a um pedaço de terra que era facilmente bombardeável pelo inimigo

Enquanto isso, cem barcos holandeses ocuparam todos os fortes da área, juntando-se à artilharia que já vomitava fogo sobre os resistentes.

Em 7 de dezembro, os terços ainda defenderam a colina de Empel durante o dia todo. Na noite os homens de Bobadilla em desespero de causa foram cavar abrigos.

E eis que a pá de um soldado bate num objeto estranho, que a princípio foi confundido com uma pedra.

Ele conseguiu remover a terra que o circundava e resultou ser pedaço de madeira.

Com as próprias mãos, ele removeu a lama e a areia e foi descobrindo cores azul e branca, até finalmente aparecer a figura da Imaculada Conceição.

As tropas estavam lá servindo a fé.

Nas cidades católicas que eles defendiam – como é o caso de Bolduque – os habitantes conduziam o Santíssimo Sacramento em procissão, implorando pelos sitiados.

Nessa hora, apareceu a imagem da Imaculada. Ainda passariam mais de quatro séculos até que o Beato Papa Pio IX proclamasse o dogma da Imaculada Conceição, que Nossa Senhora confirmou em Lourdes.

Mas a devoção de povos como o espanhol e o português por esse dogma se manifestava fervorosamente entre os soldados.

A Imaculada é heroína veterana da imensa vitória contra os mouros em Navas de Tolosa de 1212 e da conquista de Granada (1492), as vitórias nessas batalhas foram confiadas a ela.

E nessa hora Ela voltava a aparecer naquela cumbuca de Empel, onde apenas um milagre poderia impedir a derrota!


Vídeo: A Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro: o milagre de Empel (espanhol)




continua no próximo post: Não temeram combatendo sob a sombra da Imaculada




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terça-feira, 7 de setembro de 2021

O herói português e Nossa Senhora: afinidade profunda

O milagre
Luis Dufaur
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A origem da devoção a Nossa Senhora de Nazaré se prende a um fato ocorrido por volta do ano de 1150 em Portugal.

“Estando um jovem e vistoso cavalheiro português Dom Fuas Roupinho à caça de um veado entre intensa neblina vê-se subitamente no alto de um rochedo à beira-mar, e se seu cavalo não houvesse estancado, ter-se-ia precipitado ao mar.

“Cheio de terror e considerando o perigo, agradeceu ao Senhor de toda alma a sua salvação. Mas o perigo não passara de todo, pois o cavalo não podia avançar nem recuar sem precipitar-se no abismo.

“Procurando uma saída, nota o cavaleiro uma imagem de Nossa Senhora numa caverna do rochedo. E cheio de fé, lança-se aos seus pés implorando socorro.

“Ao tomar a imagem nas mãos nota um pequeno pergaminho preso a ela que narra ter sido venerada essa imagem já em Nazaré, há muito tempo - portanto em Nazaré da Palestina.

“Com a perseguição do Imperador de Constantinopla ao culto das imagens, foi ela trazida à Espanha por um monge, e ali fora muito venerada até que no século VII, com a invasão dos mouros foi ali escondida pelos fiéis, para não ser profanada.

“Cheio de fé e confiança na Virgem, monta novamente o intrépido cavaleiro a sua montaria, esporeando-a violentamente, consegue fazê-la dar um grande salto que atinge um ponto do qual lhe foi fácil descer.

Local do milagre
“Cheio de gratidão à Virgem, mandou construir no local uma pequena capela, sendo depois substituída por magnífico templo".

Trata-se de um fato cheio de evocações graciosas.

Um dos heróis de independência de Portugal, um cavalheiro católico, D. Fuas Roupinho, está caçando um veado no meio de névoa e de repente chega à beira-mar montando em seu cavalo.

O mar que ruge, as neblinas, e o cavalheiro meio atordoado, de repente fica face ao abismo e não sabe como voltar, mas reza a Nossa Senhora e vem esta graça.

A caverna também tem seu encanto.

Imaginem uma caverna à beira-mar onde há uma imagem abandonada, quiçá para ser protegida contra a sanha dos sarracenos, depois de já ter sido refugiada da sanha dos maometanos e dos cismáticos da Ásia Menor.

Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, Portugal
Os séculos se passam, os mares fazem todos seus movimentos e a imagem sozinha ali. É uma coisa linda essa solidão da imagem em face do mar.

Mas depois, o desígnio da Providência: utilizar essa imagem para um reflorescimento do culto de Nossa Senhora.

Então nesse episódio, D. Fuas Roupinho recebe graças insignes que lhe indicam que Nossa Senhora quer que ali o culto a Ela refloresça.

Fixa-se o culto, ele manda construir a capelinha.

Mas as graças concedidas por Nossa Senhora aos fiéis ali são tantas, que em lugar de uma capelinha, dentro em breve está um magnífico mosteiro.

Nossa Senhora de Nazaré, Belém do Pará, Brasil
É a invocação de Nossa Senhora de Nazaré que se irradia por toda Cristandade.

O Estado do Pará, e mais especialmente a cidade de Belém do Pará, tem como padroeira Nossa Senhora de Nazaré.

Aqui há mais uma vez a afirmação do princípio residuum revertetur, quer dizer o resto voltará. A imagem foi completamente abandonada e voltou...

Ela fugiu, foi perseguida duas vezes. E em cada uma das duas vezes houve um reflorescimento da devoção a Ela.

Com isso se mostra que a Providência pode permitir que alguma coisa boa chegue ao ponto de sua extinção, porque Ela a prepara para voltar novamente a uma grande glória.

Aí vemos a inesgotável misericórdia de Nossa Senhora.

Mas também outro princípio: quando a gente está mal, quando a gente está num desastre, a gente deve fazer o possível para salvar tudo o que há de bom, porque depois isto vai ser semente para uma nova vitória e uma nova ressurreição.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 22/05/67. Sem revisão do autor).


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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Alfonso IX: o rei guerreiro de Rosário na cintura

Alfonso IX, Rei de León y de Galicia (Santiago de Compostela, Catedral)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Santíssima Virgem não favorece somente quem reza o Rosário, mas recompensa também gloriosamente a quem com seu exemplo atrai aos demais a esta devoção.

Alfonso IX (1188-1230), rei de León e de Galicia, desejando que todos seus criados honrassem a Santíssima Virgem com o Rosário, resolveu, para animá-los com seu exemplo, levar ostensivamente um grande rosário, mesmo sem rezá-lo.

Bastou isto para obrigar toda a corte a rezá-lo devotamente.

O rei caiu enfermo com gravidade.

Já o acreditavam morto, quando, arrebatado no espírito diante do tribunal de Jesus Cristo, viu os demônios que lhe acusavam de todos os crimes que havia cometido.

Quando o divino Juiz já o ia condenar às penas eternas, interveio em seu favor a Santíssima Virgem.

Trouxeram, então, uma balança: em um pratinho da mesma colocaram os pecados do rei.

A Santíssima Virgem colocou no outro o rosário que Alfonso havia levado para honrá-la e os que, graças a seu exemplo, haviam recitado outras pessoas. Isto pesou mais que os pecados do rei.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dom Sebastião, um rei virgem capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Dom Sebastião (1554-1578), rei de Portugal, foi com certeza uma figura da trans-esfera. Desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África, e julgou-se que haveria de voltar a qualquer momento, para continuar sua missão histórica.



“Para mim, o homem símbolo de Portugal é um nome que nunca pronuncio sem emoção, porque tenho a impressão de que sobre ele pousaram todas as graças para as quais Portugal era chamado: Dom Sebastião.

“Dom Sebastião tem aspectos por onde ele parece mais um anjo do que um homem.

“Qual é a figura que se encontra na História que, morta, deixa atrás de si uma lenda como a sebastianista?

“Os portugueses entenderam, nebulosamente, que aquilo não podia terminar assim, e ficou uma esperança de pé, de algo que viria, e que — por falta de expressão talvez — eles cometeram o erro de dizer que era Dom Sebastião que voltaria.

Mas era a confiança de que a obra começada com Dom Sebastião não terminaria e um dia recomeçaria.

“Portugal teve a nobreza de reconhecer em Dom Sebastião, o rei de seus sonhos.

“Como todas as outras nações da Europa, Portugal já começava a ser carunchado pelo Renascimento.

“Mas algo de fundamentalmente anti-renascentista florescia lá. E quando esse rei voltasse da África, com sua fronte aureolada pela glória de não sei quantas vitórias, depois de ter estendido o poder de Portugal pelo norte da África, no zênite da Europa brilharia um príncipe medieval.

“A honra da Cavalaria agonizante refulgiria de novo; a tese de que o poder temporal existe para o serviço do poder espiritual, resplandeceria de novo, e diante de um tipo humano magnífico empalideceriam os tipos humanos conspurcados que a Renascença aplaudia.

“Em Alcácer-Quibir havia um rei virgem, um modelo do varão católico, um modelo capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante. Esse homem morre no desconhecido.

“Os portugueses sonharam com Dom Sebastião, mas para Portugal veio algo de incomparabilíssimamente mais alto: veio Nossa Senhora. Não veio o rei virgem, mas veio a Virgem das virgens.