quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A reconquista de Budapeste invadida pelos turcos

O Beato Papa Inocêncio XI foi o inspirador
e o vencedor da reconquista de Buda.
Luis Dufaur
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“Foi o Santo Padre quem conquistou Buda, como libertou Viena. Há séculos não havia sentado outro Papa semelhante na Cátedra de Pedro”, afirmou Jaime II, Rei da Inglaterra, ao saudar o Núncio Apostólico após a reconquista de Buda, que será narrara a seguir.

Uns após os outros, castelos, fortalezas e cidades iam sendo retomados pelos austríacos das mãos dos muçulmanos.

Após tantas derrotas, Américo Thököly, que liderara a traição dos húngaros, foi preso por seus aliados muçulmanos e seria executado, se Solimão, “o trapaceiro”, não tivesse derrubado e substituído o grão-vizir, o Negro Ibrahim.

O novo comandante deu liberdade a Thököly e enviou-o com novos destacamentos à Hungria.

Em outro anterior, Santa Liga e Reconquista, foram descritas as batalhas travadas pelo Império Austríaco, Polônia e Veneza, membros da Santa Liga, de 1683 a 1685, visando reconquistar os territórios católicos dominados pelos turcos.

Neste artigo, enfocaremos a gloriosa batalha que libertou Buda, antiga capital da Hungria.

A Rússia entra para a Santa Liga

O Papa Inocêncio XI desejava ardentemente a libertação de tantas nações cristãs oprimidas pelos muçulmanos.

No ano anterior, os poloneses alcançaram pouco sucesso em sua luta contra os turcos.

Para favorecer as batalhas travadas em 1686, o Sumo Pontífice enviou 200 mil florins ao rei da Polônia, 100 mil oferecidos por Cardeais e 100 mil por damas romanas.

O rei da Polônia, João Sobieski, havia planejado grandes lances por parte da Santa Liga. Então, não só os turcos como também os tártaros deveriam ser rechaçados da Europa.

Essa iniciativa ficaria a cargo da Rússia, caso esta aceitasse ingressar na Santa Liga. Visando à reconquista de Constantinopla, a Áustria deveria avançar a partir da Hungria, enquanto os venezianos viriam pelo sul da Grécia e os poloneses pelo rio Danúbio.

Era desejo de toda a Cristandade obter a destruição do império sob Maomé IV, formado por Maomé II.

Em 26 de abril de 1686, a princesa Sofia Romanov, regente do Império russo, confirmou a aliança contra os turcos.

Os russos deveriam atacar os turcos e os tártaros, desde o Cáucaso até o rio Dniester. Ficaria assim seriamente ameaçada a existência do Império Otomano.

Renasce o glorioso espírito de Cruzada

Sob o comando do duque Carlos de Lorena, na primavera de 1686 o exército imperial congregou-se na cidade de Komarno.

Eugênio de Saboia, monumento em Viena.
Eugênio de Saboia, monumento em Viena.
Todas as regiões do império enviaram valiosos auxílios para a reconquista de Buda: apresentaram-se mais de seis mil suábios, oito mil de Brandenburgo, cinco mil saxões, oito mil bávaros e três mil francônios.

Incentivados pela vitória obtida em Viena e pela valentia dos que estavam na luta, alistaram-se também mais de sete mil voluntários provenientes de todos os países da Europa.

O espírito das Cruzadas parecia ter retornado a empolgar a Cristandade. Personagens distintas e pessoas humildes chegavam decididas a morrer pela Cruz de Cristo.

Os acontecimentos do cerco de Buda eram seguidos com grande expectativa em todo o continente europeu. Em julho, ainda chegaram mais regimentos vindos da Suécia.

Vários espanhóis eminentes destacaram-se na luta em torno de Buda. Só em Barcelona, 60 artesãos fizeram votos de combater os turcos; todos eles, durante o cerco, entregaram suas almas a Deus.

Grande incentivo para eles foi a figura do príncipe Eugênio de Saboia, que, após a campanha de 1685, foi a Madri, sendo aí tratado pelo monarca hispânico como Grande de primeira classe.

Nessa ocasião, Eugênio se apressou para tomar parte nessa grande expedição. Na corte de Viena, depositavam-se nele as maiores esperanças.

O marquês Luís de Baden-Baden o havia recomendado ao imperador austríaco: “Esse jovem saboiano igualar-se-á um dia a todos aqueles que o mundo considera hoje como grandes generais”.

Por desejo do Imperador, o Papa enviou o frei Marco D’Aviano ao exército cristão. O intrépido capuchinho, depois beatificado, teve por encargo ser mediador entre os chefes e entusiasmar os soldados.


Continua no próximo post: O milagre de “Nossa Senhora da Pólvora” e a reconquista da capital da Hungria


(Autor: Ivan Rafael de Oliveira, CATOLICISMO, outubro de 2016)




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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Don Pelayo e a confiança nas vitórias inverossímeis

Don Pelayo vencedor em Covadonga, Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
Don Pelayo vencedor em Covadonga.
Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
Luis Dufaur
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Em 711 os árabes muçulmanos invadem a Península Ibérica.

Enfrentando-os perde a vida o rei visigodo Dom Rodrigo no campo de Guadalete.

Reagirá contra o domínio infiel o nobre Dom Pelayo, colocando-se à frente de um grupo de valorosos asturianos.

Preparando-se os árabes, já em Espanha, para invadir a Gália gótica, tiveram notícia da revolta das Astúrias e enviaram contra esses revoltosos um exército bem preparado sob o comando do general Alcamar.

Don Pelayo preparou a resistência no monte Alzeba, onde os desfiladeiros tornavam possível uma reação por parte dos cristãos, em número realmente inferior aos atacantes.

Organiza seus homens e enquanto esperava dirigiu-se à Gruta de Covadonga para onde levara uma imagem da Santíssima Virgem, colocando-se sob a Sua proteção especial.

A gruta de Covadonga hoje
A gruta de Covadonga hoje
Aproximam-se os Mouros e atacam. Já num primeiro momento algo de extraordinário acontece.

As flechas enviadas contra os cristãos voltaram-se contra os próprios arqueiros infiéis.

Avançaram os cristãos para lutar enquanto outros atiram do alto da montanha Alzeba sobre as tropas inimigas, encurraladas no desfiladeiro, pedras e pedaços de madeiras.

A desordem inicia-se nas tropas de Alcamar, que ao ver cair morto seu lugar tenente Suleiman, deu ordem de retirada.

Neste momento desaba tremenda tempestade; o estampido dos trovões, a chuva que cai em catadupas, as pedras e as árvores que de todos os lados caíam sobre os árabes, o solo, que com a chuva se tornava escorregadio e movediço fazendo resvalarem e caírem por aqueles declives, precipitando-os em montão nas águas do rio Deba, onde morriam afogados.

Tudo contribuía para crer que a Santíssima Virgem fazia com se desmoronassem até os montes sobre os soldados de Mafoma.

A batalha foi ganha e Pelayo proclamado rei das Astúrias.

Em agradecimento à intercessão milagrosa de Nossa Senhora, o Rei Afonso católico mandou erigir um Mosteiro e uma capela a Nossa Senhora de Covadonga, hoje substituídos por grande Basílica.

Os historiadores árabes também se referem à batalha com um verdadeiro assombro contra a vitória cristã, escondendo inclusive haver sido horrível a mortandade do lado muçulmano".

Os espanhóis estavam quase completamente perdidos.

Eles não desanimaram. Eles fizeram o possível para ganhar, embora a vitória fosse impossível.

Eu insisto: "fazer o possível para ganhar uma vitória impossível".

Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Eles foram num lugar onde os desfiladeiros propiciavam uma reação.

Nesse lugar, colocaram sua base de operações numa gruta que era boa. Eles lutaram com verdadeira ferocidade contra o agressor, foram heróis para conseguir algo impossível.

Como essa finalidade era humanamente inatingível, eles fizeram o principal: levaram uma imagem de Nossa Senhora para a gruta e pediram a Ela que os protegesse e ganhasse a vitória para eles.

Então houve milagres que se multiplicaram: as pedras que caiam e que rolavam sobre os mouros, as flechas jogadas sobre eles voltavam-se sobre os; uma tempestade tremenda aterrorizou os maometanos pelos trovões, movimento das terras e das águas ...

Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora venceu de um modo admirável em Covadonga. Ela exigiu tudo de seus soldados para uma batalha impossível, e Ela ganhou para eles a batalha.

Qual é o ensinamento para nós?

Há um modo desanimado e infrutuoso de fazer apostolado que se disfarça de “apostolado sensato”.

“Ser idealista... bom... Sabe de uma coisa? Eu às vezes até admiro a virtude desses católicos autênticos, intransigentes. Mas... assim não se consegue nada. A vida é assim... É tão difícil conseguir um bom resultado... Bem, eu não digo isso... Se eu dizer, não fica bem... Então eu não brigo, mas fico achando que o apostolado não dá certo, é meio irreal”...

Se aqueles espanhóis tivessem pensado assim, hoje não haveria Espanha.

Quer dizer, Nossa Senhora quer que seu devoto empreenda os inverossímeis, que ele deseje coisas que o bom senso que dá Providência indica que Ela quer.

Então, confiando no que Ela quer, ele se atira no inverossímil, sabendo sobretudo que para Nossa Senhora nada é inverossímil.

Nossa Senhora é por excelência a Mãe dos inverossímeis, Ela consegue as graças que pareciam impossíveis conseguir.

Estátua de Don Pelayo em Gijon, Espanha
Estátua de Don Pelayo em Gijon, Espanha
Havia uma diferença entre os espanhóis de Don Pelayo e os espanhóis que perderam a Espanha.

Os mouros tomaram conta da Espanha rapidamente porque enfrentaram espanhóis desanimados e com pouca fé.

Eram espanhóis para os quais não valia a pena resistir. Estes perderam tudo.

Quais foram os espanhóis que ganharam tudo? Exatamente aqueles que tinham o senso sobrenatural, a confiança na Providência.

Se um Dom Pelayo tivesse que ler um livro que o incitasse a lutar até o fim e esperar contra toda a esperança, ele leria o Livro da Confiança, do Pe Saint-Laurent.

Então, conseqüência? Pedir a Nossa Senhora a graça de nunca duvidar de que alcançaremos o que Ela quer. Nossa Senhora nos dará a vitória!

Que Nossa Senhora faça com os restos de bons católicos uma espécie de Covadonga para a vitória da Santa Igreja.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, dezembro de 1965, sem revisão do autor.)



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domingo, 4 de dezembro de 2016

Santa Clotilde obteve a conversão da França

Santa Clotilde, jardim do Luxembourg, Paris
Santa Clotilde, estátua no jardim do Luxembourg, Paris.
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Santa Clotilde: esposa apostólica


Aconselhado pelos bispos católicos, Clóvis, rei dos Francos, pediu a mão da princesa Clotilde, sobrinha do rei Borguinhão, o qual havia assassinado os próprios pais para apoderar-se do trono.

Segundo uma tradição, o rei havia dado seu consentimento, mas depois arrependeu-se e mandou uma escolta atrás de Clotilde.

Esta, entretanto, conseguiu chegar ilesa até a fronteira franca, onde Clóvis a aguardava.

Esse casamento foi providencial, pois tanto o rei burguinhão quanto o dos visigodos eram arianos e oprimiam seus súditos, que eram na maioria católicos.

Ora, Clotilde mantivera-se fiel filha da Igreja, e começou a trabalhar junto a seu marido para convertê-lo à verdadeira fé.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Brian Boru, rei herói da Irlanda


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Brian Bórumha mac Cennétig (Brian filho de Kennedy), conhecido em inglês como Brian Boru (941 — 23 de Abril de 1014) nasceu perto de Killaloe, no moderno condado de Clare, na Irlanda.

Brian Boru em gaélico significa o dos tributos, pois tributou outros governantes menores da Irlanda para reconstruir os mosteiros e as bibliotecas destruídas pelas invasões dos Vikings.

Tornou-se rei de Munster em 976 e em 1002 ganhou o título de Grande Rei de toda a Irlanda (em inglês High King of All Ireland e em irlandês Árd Righ Gaidel Éirinn).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 2

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Continuação do post anterior: São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1



Superior de doze mosteiros

Entretanto, os discípulos continuaram a afluir, mas desta vez em tão grande número, que foi preciso dividi-los em grupos de doze monges, em doze mosteiros diferentes, cada um deles regido por um abade sob a supervisão de Bento.

Sob a direção do grande abade, a existência dos primeiros monges beneditinos transcorria pacífica e prosperamente, dedicada por inteiro à oração e ao trabalho.

Os milagres, a doutrina, a santidade de Bento lhe atraíam numerosas vocações.

Mesmo de Roma afluíam nobres varões, desejosos de se tornarem seus discípulos, enquanto patrícios lhe entregavam seus filhos para que os educasse.

Foi o caso dos meninos Mauro e Plácido, posteriormente também elevados à honra dos altares, que ficaram famosos na história de São Bento.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1

São Bento, Subiaco.
São Bento, Subiaco.
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“GLÓRIA NÃO SÓ DA ITÁLIA, MAS DE TODA A IGREJA, QUAL ASTRO ESPLENDOROSO IRRADIA SUA LUZ REFULGENTE EM MEIO ÀS TREVAS DA NOITE”

(PIO XII, CARTA ENCÍCLICA EM COMEMORAÇÃO DO XIV CENTENÁRIO DA MORTE DO PATRIARCA DE MONTECASINO, 1947, APUD DOM GARCIA M. COLOMBAS, SAN BENITO, SU VIDA Y SU OBRA, BIBLIOTECA DE AUTORES CRISTIANOS, MADRI, 1968, PRÓLOGO, P. XIII. SEGUIMOS PRINCIPALMENTE ESSA OBRA PARA A ELABORAÇÃO DESTE ARTIGO, CITANDO O NÚMERO DA PÁGINA E O LOCAL EM QUE SE ENCONTRA A CITAÇÃO.).

Dom Prosper Guéranger (1805-1875), restaurador e abade do priorado beneditino de Solesmes, na França, assim exclama a respeito de São Bento:

“Com que veneração devemos nos acercar hoje deste homem de quem São Gregório Magno escreve que ‘esteve cheio do espírito de todos os justos!’. [...]

“Estes rasgos sobrenaturais [de São Bento] encontram-se realizados por doce majestade, grave severidade e misericordiosa caridade, que brilham em cada uma das páginas de sua biografia escrita por um de seus discípulos, o Papa São Gregório Magno, que se encarregou de transmitir à posteridade tudo o que Deus havia Se dignado realizar em seu servo Bento”.

Com efeito, continua o abade de Solesmes, foi ele quem “por meio de seus filhos [...] levantou as ruínas da sociedade romana, esmagada pelos bárbaros; quem presidiu ao estabelecimento do direito público e privado das nações que surgiram depois da conquista [...] quem, enfim, salvou o tesouro das letras e das artes do naufrágio que ia devorá-las para sempre e deixar a raça humana sumida nas trevas” (El Año Liturgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, vol. II, pp. 885-887).

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Glorificação de São João de Capistrano,
herói da Cruzada contra os turcos, na catedral de Viena

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
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No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória
e ordenou atacar

São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
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continuação do post anterior: São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores



O Pe. Rohrbacher continua:

“O frade opinou pelo ataque. E, pela segunda vez, assegurou à assembleia uma vitória completa.”

O que evidentemente transmitia uma certeza carismática.

Ele comunicou coragem, naturalmente.

“Tendo diminuído o temor com essa resposta decidiu-se começar a batalha e os soldados foram colocados em posição.”

Ou seja, foi a palavra dele que determinou isso que, humanamente falando, seria possivelmente ou provavelmente uma temeridade.

“Frei Lourenço, a cavalo, colocou-se na primeira linha revestido de seu hábito religioso.”

Não para combater, porque um sacerdote não derrama sangue mas é para estimular com sua presença. Quer dizer, para levar os outros ao combate, para levar os outros à luta.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores

São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
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A respeito de São Lourenço de Brindisi (1559-1619) diz o Pe. René François Rohrbacher (1789 – 1856) na sua célebre obra “História Universal da Igreja Católica” o seguinte relativo à reconquista da cidade húngara de Székesfehérvár (Alba Regalis) em 1601:

“O imperador Rodolfo II, conhecendo a habilidade do padre Lourenço, empregou-o num trabalho bem difícil. Maomé III, tendo avançado em direção ao Danúbio, anunciava o projeto de invadir a Hungria.”

Rodolfo dizia de Maomé III que este queria penetrar através do Danúbio e da Hungria e da Áustria até a Itália. E que os cavalos de seu exército comessem no altar de São Pedro como se fosse uma manjedoura.

“Rodolfo organizou um exército e convidou todos os príncipes da Alemanha, tanto católicos quanto protestantes, para unirem-se a ele em defesa da Cristandade.

“Mas, temendo que seu convite não fosse bastante eficaz, enviou-lhes o Padre Lourenço. O sucesso do piedoso Capuchinho foi completo. Todos os socorros pedidos foram enviados rapidamente e o arquiduque Matias foi escolhido como generalíssimo do exército cristão.

“Mas não devia terminar aí a missão do bem-aventurado Lourenço. O Senhor lhe reservava um triunfo de outro gênero.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Jocelyn de Courtenay e os dois conceitos da felicidade

Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Jocelyn de Courtenay: o espírito guerreiro, a fidelidade a Deus e a felicidade na Terra



Na vida e na morte de Jocelyn de Courtenay aparece o choque entre dos dois conceitos de vida que se opõem.

Um é o conceito segundo o qual a felicidade consiste em gozar a vida.

Outro é o conceito segundo o qual, nesta terra a felicidade consiste em ter conhecido o verdadeiro ideal e o ter servido heroicamente, com sacrifício, ainda que pesadíssimo. E com tanto mais alegria quanto mais pesado foi o sacrifício.

Os dois modos de ver se apartam diametralmente um do outro.

O segundo é de tal maneira grande, que é até incalculável. Tudo o que nós possamos excogitar, para nos dar um ideia do que é que pode ser a nossa felicidade no Céu, não é de nenhum modo suficiente para compreender o abismo de felicidade em que está imersa a última das almas do Céu.

Porque é uma felicidade completa. Tem graus, mas é completa. Para cada um ela é completa. O mesmo se pode dizer do inferno.

De maneira que do ponto de vista da mera vantagem, do prazer, do deleite, vale a pena servir a Deus, que é o Senhor de todo bem, de toda bondade e que tem meios de nos recompensar magnificamente.

O idealista é mais feliz morrendo na realização de uma grande obra, do que vivendo entre coisas secundárias

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Jocelyn de Courtenay: o espírito guerreiro,
a fidelidade a Deus e a felicidade na Terra

Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay
Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay
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Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay nasceu entre 1070 e 1075, foi para Terra Santa em 1101, onde morreu em 1131. Ele foi príncipe de Galileia e Tiberiades de 1113 a 1119 e conde de Edessa de 1119 a 1131.

Do livro Les Templiers, de Georges Bordonove tiramos a ficha seguinte sobre ele.

“Jocelyn de Courtenay foi senhor do Condado de Edessa, no limite norte do reinado latino de Jerusalém. Era neto dos Cruzados que conquistaram a Cidade Santa.

“Ao norte, o Condado de Edessa, havia sido invadido por um lugar-tenente de Reng, principal guerreiro muçulmano da época, perdendo seu velho senhor Jocelyn de Courtenay”.

“Esmagado pelo desabamento de uma torre que fora minada, Jocelyn foi retirado dos escombros todo desfeito. Em seguida os infiéis se precipitaram para cercar Faizum, residência do Patriarca de Edessa.

“Quase morrendo, Jocelyn se fez carregar para socorrer a fortaleza. E tal era o seu prestígio que, mesmo carregado numa liteira, ele amedrontou os turcos a ponto de fugirem diante de sua presença.

“Vencedor sem combate, Jocelyn rendeu graças a Deus, nestes termos dignos de uma canção de gesta:

‘Beau Sir Dieu Belo Senhor Deus , eu vos glorifico e agradeço como posso, por me terdes honrado tanto no século, principalmente agora, ao encerrar a minha vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

“El Cid Campeador” homem-símbolo dos heróis espanhóis

Estátua de El Cid, Balboa Park,San Diego, Califórnia
Estátua de El Cid, Balboa Park,San Diego, Califórnia
Luis Dufaur
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No primeiro olhar épico do Cid estavam contidos Santo Inácio e Santa Teresa, de pé, pregando e rezando contra o Protestantismo.

O Cid, como que viu a Inquisição e outras grandes realizações da Espanha católica.

A Espanha autêntica descende do Cid, de Isabel a Católica, de Colombo, de Filipe II.

É a Espanha de Santa Teresa, Santo Inácio e São Domingos; a Espanha dos soberbos castelos, das suntuosas catedrais, das grandes universidades.

Santa Teresa de Jesus O.C.D.
Santa Teresa de Jesus O.C.D.
A outra é uma Espanha que mereceria propriamente o nome de anti-Espanha: um grupo de espanhóis que querem desfigurar sua pátria, arrancando-lhe do patrimônio moral todas as tradições, mutilando-lhe a gloriosa e tradicional fisionomia.

A Espanha era católica e agora a querem atéia.

Era cavalheiresca, aristocrática, saturada de fidalguia até nos seus últimos recantos, e querem-na plebéia, vulgar, suja e feia como a camisa suarenta e furada de um estivador.

A Espanha era intelectualmente “raffinée” com uma cultura fortemente impregnada de caráter nacional por famosas universidades.

A anti-Espanha quereria a destruição dessas universidades, para substituí-las por estabelecimentos de ensino anódinos, internacionais e sovietizados, tão banais e tão sem fisionomia quanto um guichê de uma agência de turismo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

“El Cid Campeador”:
herói que marcou Espanha para o bem e para sempre

Monumento a El Cid, Burgos
Luis Dufaur
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A Espanha produziu um mundo de personagens capazes de inspirar os homens cultos, o que é mais do que produzir cultura, como é mais produzir História do que produzir historiadores.

Dentre esses heróis sobressai a figura histórica ‒ com sua projeção mítica, psicológica e religiosa ‒ de Rodrigo (Ruy) Diaz de Vivar, “El Cid Campeador”. (Cid = do árabe ‘Senhor’)

O “Cid Campeador” apareceu num momento decisivo da História espanhola.

Boa parte da Espanha estava invadida por muçulmanos vindos da África do Norte e o país estava dividido entre os que queriam se acomodar com os invasores, incluso do ponto de vista religioso, e os que queriam resistir defendendo a ortodoxia católica.

No norte da África houve grandes civilizações como a dos egípcios e dos cartagineses.

O Egito foi mais ou menos assumido pelo Império Romano do Oriente. Cartago passou a ser uma colônia do Império Romano do Ocidente. Santo Agostinho nasceu em Cartago, nesse período.