quarta-feira, 21 de setembro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1

São Bento, Subiaco.
São Bento, Subiaco.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




“GLÓRIA NÃO SÓ DA ITÁLIA, MAS DE TODA A IGREJA, QUAL ASTRO ESPLENDOROSO IRRADIA SUA LUZ REFULGENTE EM MEIO ÀS TREVAS DA NOITE”

(PIO XII, CARTA ENCÍCLICA EM COMEMORAÇÃO DO XIV CENTENÁRIO DA MORTE DO PATRIARCA DE MONTECASINO, 1947, APUD DOM GARCIA M. COLOMBAS, SAN BENITO, SU VIDA Y SU OBRA, BIBLIOTECA DE AUTORES CRISTIANOS, MADRI, 1968, PRÓLOGO, P. XIII. SEGUIMOS PRINCIPALMENTE ESSA OBRA PARA A ELABORAÇÃO DESTE ARTIGO, CITANDO O NÚMERO DA PÁGINA E O LOCAL EM QUE SE ENCONTRA A CITAÇÃO.).

Dom Prosper Guéranger (1805-1875), restaurador e abade do priorado beneditino de Solesmes, na França, assim exclama a respeito de São Bento:

“Com que veneração devemos nos acercar hoje deste homem de quem São Gregório Magno escreve que ‘esteve cheio do espírito de todos os justos!’. [...]

“Estes rasgos sobrenaturais [de São Bento] encontram-se realizados por doce majestade, grave severidade e misericordiosa caridade, que brilham em cada uma das páginas de sua biografia escrita por um de seus discípulos, o Papa São Gregório Magno, que se encarregou de transmitir à posteridade tudo o que Deus havia Se dignado realizar em seu servo Bento”.

Com efeito, continua o abade de Solesmes, foi ele quem “por meio de seus filhos [...] levantou as ruínas da sociedade romana, esmagada pelos bárbaros; quem presidiu ao estabelecimento do direito público e privado das nações que surgiram depois da conquista [...] quem, enfim, salvou o tesouro das letras e das artes do naufrágio que ia devorá-las para sempre e deixar a raça humana sumida nas trevas” (El Año Liturgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, vol. II, pp. 885-887).

Sobre essa missão única de São Bento, realizada pessoalmente e através de seus discípulos na formação da Idade Média, a doce primavera da Fé, acrescenta outro beneditino:

“O patriarca presidiu ao nascimento da cristandade medieval quando, em um tempo de profundas transformações, os mosteiros beneditinos, onde quer se estabelecessem, constituíram lares de vida cristã, a par de influentes núcleos de civilização e cultura. [...]

“São Bento influiu poderosamente nos novos povos, inoculando-lhes algo de seu amor à ordem e ao trabalho, de seu sentido de vida em comum, de seu espírito de disciplina e colaboração, desse cristianismo autêntico e sobretudo profundo, que constitui as próprias entranhas da instituição beneditina” (Dom Garcia M. Colombas, San Benito, Su Vida, Su Regla. Prologo, Biblioteca de Autores Cristianos, Madri, 1968, p.xiii).

As “grandes invasões”

São Bento, igreja de Santo Agostinho, Salamanca.
O século em que viveu São Bento foi “uma época difícil, de decadência, de desagregação e de confusão; em pleno período daqueles ingentes movimentos de povos mal chamados ‘as grandes invasões’.

“A Itália, empobrecida, despovoada e desmoralizada [...] estava vendo, desde os princípios daquele nefasto século V, o cúmulo de suas calamidades com as sucessivas invasões de diversos povos bárbaros” (Dom Colombas, op.cit., Introducción General, p. 49).

Infelizmente, a situação na Igreja não era menos grave, pois, com a morte do Papa Anastácio II em 498, houve um cisma que durou três anos, durante o qual disputavam o trono pontifício o verdadeiro Papa Símaco e o antipapa Lourenço.

“Varão de vida venerável”

São Gregório Magno assim principia seu livro sobre o Patriarca do Ocidente:

“Houve um varão de vida venerável, bento por graça e por nome, dotado desde sua mais tenra infância de uma cordura de ancião.

“Com efeito, antecipando-se por seus costumes à idade, jamais entregou seu espírito a qualquer prazer, mas, estando ainda na Terra e podendo gozar livremente dos bens temporais, desprezou o mundo com suas flores, como se estivessem murchas” (Livro II dos “Diálogos”, Introdução, in op.cit. p.173).

São Bento nasceu em Núrsia, Itália, provavelmente pelo ano 480 de nossa era. Nada sabemos sobre seus pais, exceto que deveriam ser pessoas abastadas.

O Santo tinha uma irmã, Escolástica, também santa, a quem amava ternamente e a cujo lado quis ser enterrado.

Bento era ainda jovem quando Teodorico, o Grande (454-526), rei dos ostrogodos – um dos muitos bárbaros que invadiram a Itália –, tendo dominado Roma, procurou fazê-la reflorescer.

Com valiosos colaboradores, restaurou monumentos antigos, erigiu outros novos, e governou com sabedoria, reerguendo assim a decaída nobreza romana e dando a todos um período de paz e tranquilidade em meio a tantas catástrofes.

Primeiro milagre

Escrevendo sobre Roma em 413, São Jerônimo afirma que ela detinha a palma de todos os vícios. Isso não havia mudado um século depois.

Razão pela qual Bento resolveu deixar casa, bens paternos e estudos, a fim de procurar um lugar em que pudesse servir melhor a Deus.

Acompanhado de sua governante, que não quis separar-se dele, retirou-se então para Efide, modesta aldeia nas montanhas de Sabina.

São Bento ressuscita um jovem monge falecido, Luca Signorelli, Monte Olivetto Maggiore.
São Bento ressuscita um jovem monge falecido, Luca Signorelli, Monte Olivetto Maggiore.
Foi aí que ele operou seu primeiro milagre, reconstituindo uma jarra de barro quebrada por sua governante, que lamentava em prantos seu estabanamento por tê-la deixado cair no chão.

Para fugir à popularidade que se seguiu, Bento retirou-se, desta vez só, para as montanhas de Subíaco. Nesse lugar inóspito encontrou um monge de um mosteiro vizinho, Romão, que lhe conferiu o hábito monástico.

O mesmo encarregou-se de sua alimentação, fazendo chegar à sua gruta, por meio de uma corda, a provisão diária de pão, que pegava em seu mosteiro.

Nesse isolamento, desconhecido de todos, exceto de Romão, Bento entregou-se à direção do Espírito Santo, que foi o seu verdadeiro guia espiritual e mestre de noviços.

Ele, entretanto, não estava só, pois o pai da mentira aparecia para provar o novo discípulo de Cristo.

E tentou-o uma vez tão fortemente contra a virtude da pureza, que Bento se lançou entre urtigas e espinhos para que a dor fizesse calar os ardores da carne. A partir de então, não sentiu jamais as solicitações da luxúria.

O cálice que se parte

A partir do momento em que Bento foi descoberto por caçadores, começaram a surgir seus primeiros discípulos, que levando como ele vida solitária, se reuniram em torno de sua cova.

Os monges de um mosteiro vizinho forçaram-no depois a ser seu abade. Mas logo se arrependeram, pois o novo superior os fazia andar estritamente no caminho da observância monástica e do dever.

Quiseram então envenená-lo, mas ele, abençoando o cálice em que com o vinho estava a peçonha, o mesmo se partiu. O santo voltou então para sua cova.

(Autor: Plinio Maria Solimeo, in CATOLICISMO, julho 2016).


Continua no próximo post: São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 2




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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Glorificação de São João de Capistrano,
herói da Cruzada contra os turcos, na catedral de Viena

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
O episódio principal daquela Cruzada se deu nas batalhas livradas por ocasião do sitio de Belgrado de 1456.

Os maometanos foram esmagados por um exército fundamentalmente austríaco, cujo o grande animador foi o humilde capuchinho.

A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
O santo de origem italiana, como indica seu nome, famoso pela sua oratória cheia de fé que movia os corações mais endurecidos, foi enviado pelo Papa Nicolau V, convocador da Cruzada, como seu pregador e chefe religioso.

São João de Capistrano foi um capuchinho que percorreu o tempo inteiro as fileiras dos cavaleiros, mostrando-lhes o Crucifixo e pregando a guerra.

Num momento desesperado do combate São João de Capistrano ordenou aos homens que voltassem se refugiar nas muralhas.

Mas ele inspirava tanta confiança que logo se viu rodeado por 2.000 cruzados que não queriam se afastar dele.

Então lhes ordenou avançar contras as linhas turcas exclamando: “O Deus que iniciou a batalha se encarregará de terminá-la!”

Quando, no cair da tarde, os turcos fugiram, fez-se, como era costume naquele tempo, a celebração do chefe vitorioso.

Hunyadi, general das tropas cristãs mandou chamar São João de Capistrano e disse:

“Ele vai ganhar as glórias da vitória ao meu lado. Porque ele fez com o crucifixo na mão, mais do que eu com minha espada!”




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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória
e ordenou atacar

São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores



O Pe. Rohrbacher continua:

“O frade opinou pelo ataque. E, pela segunda vez, assegurou à assembleia uma vitória completa.”

O que evidentemente transmitia uma certeza carismática.

Ele comunicou coragem, naturalmente.

“Tendo diminuído o temor com essa resposta decidiu-se começar a batalha e os soldados foram colocados em posição.”

Ou seja, foi a palavra dele que determinou isso que, humanamente falando, seria possivelmente ou provavelmente uma temeridade.

“Frei Lourenço, a cavalo, colocou-se na primeira linha revestido de seu hábito religioso.”

Não para combater, porque um sacerdote não derrama sangue mas é para estimular com sua presença. Quer dizer, para levar os outros ao combate, para levar os outros à luta.

São Lourenço de Brindisi, piedoso Doutor da Igreja inflamou os exércitos católicos e os levou à vitória contra os turcos invasores.
São Lourenço de Brindisi, piedoso Doutor da Igreja
inflamou os exércitos católicos
e os levou à vitória contra os turcos invasores.
“Então, elevando um Crucifixo que segurava, voltou-se para as tropas e falou-lhes com tanta força que eles não quiseram mais esperar o ataque dos turcos.”

Isso é um orador! E isso é um orador sacro! Quantas vezes os senhores viram alguém, do alto de um púlpito, falar com esse fogo?

“Lançaram-se contra o inimigo com um valor incrível”.

Isso é o que ensina Dom Chautard  na sua obra “A Alma de todo o Apostolado” aplicado a assuntos militares!

Em outros termos, se é um homem de Deus e se tem verdadeiramente vida interior, sua palavra pega fogo e move montanhas. Mas é preciso ser um homem de Deus! Aqui está a precedência da santidade sobre a vida ativa.

“Os turcos, de seu lado, os receberam com firmeza e o choque foi terrível. O irmão Lourenço foi, num momento, rodeado pelos infiéis”.

Os senhores já imaginaram a coragem de ir cavalgando na frente dos outros e sem armas? E, naturalmente, bradando: Avanço! Avanço!

Que atitude magnífica ver esse Capuchinho a cavalo e incentivando todo mundo para a guerra e continuando os seus sermões por meio de exclamações e, de repente, quase cercado pelos infiéis.

“Mas os coronéis Rossburg e Altaim, correndo para defendê-lo, arrancaram-no do perigo e o conjuraram a retirar-se, dizendo que lá não era seu lugar.

“‘Vós vos enganais’, respondeu-lhes em voz alta. ‘É aqui que eu devo estar. Avancemos, a vitória é nossa’.”

São Lourenço de Brindisi, O.F.M. Cap.,
Doutor da Igreja, estátua em Rovigo, Véneto, Itália.
Os senhores já imaginaram o que é isso? Um santo a cavalo no meio da guerra que grita: Avancemos, avancemos, a vitória é nossa! Com o Crucifixo na mão! Isso é lutar! isso é fazer guerra!

“Os cristãos recomeçaram a carga e o inimigo, tomado de terror, fugiu em todas as direções.”

Não tem comentários…!

“Essa batalha deu-se a 11 de outubro de 1611. Uma segunda batalha teve lugar a 14 do mesmo mês; seguida do mesmo sucesso. Os turcos retiraram-se para além do Danúbio após terem perdido trinta mil homens.

“Não se saberia exprimir os sentimentos de admiração que o irmão Lourenço havia inspirado aos generais e soldados.

“O duque de Mercoeur, que comandava sob o arquiduque, declarou que o santo religioso fizera mais nessa guerra do que todas as tropas juntas.”

É evidente que foi mesmo. E é um homem só. Mas um homem no qual está Deus. Aqui está a questão!

“E, depois de Deus e da Virgem Maria, era a ele que se deveria atribuir as duas vitórias conseguidas. Mais uma vez a Europa livrava-se da barbárie do infiel oriental”.

Os senhores podem imaginar o que seria a História do mundo se essas batalhas tivessem sido perdidas? Se as tropas tivessem chegado até Viena? Se tivessem chegado até Roma?

Com aquele pulular de protestantismo e de heresias por toda a Europa? Não podemos imaginar o que poderia ter sido…

Enfim, isso foi salvo por um homem de Deus que não teve medo de fazer dezoito mil homens derramarem o sangue abundantemente pela causa da Igreja. E o resultado magnífico aí está. Vamos nos recomendar, portanto, a ele.


(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Transcrição de gravação de conferência em 21 de julho de 1966, mantendo o estilo verbal, não revista pelo autor).




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quarta-feira, 27 de julho de 2016

São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores

São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
Luis Dufaur
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A respeito de São Lourenço de Brindisi (1559-1619) diz o Pe. René François Rohrbacher (1789 – 1856) na sua célebre obra “História Universal da Igreja Católica” o seguinte relativo à reconquista da cidade húngara de Székesfehérvár (Alba Regalis) em 1601:

“O imperador Rodolfo II, conhecendo a habilidade do padre Lourenço, empregou-o num trabalho bem difícil. Maomé III, tendo avançado em direção ao Danúbio, anunciava o projeto de invadir a Hungria.”

Rodolfo dizia de Maomé III que este queria penetrar através do Danúbio e da Hungria e da Áustria até a Itália. E que os cavalos de seu exército comessem no altar de São Pedro como se fosse uma manjedoura.

“Rodolfo organizou um exército e convidou todos os príncipes da Alemanha, tanto católicos quanto protestantes, para unirem-se a ele em defesa da Cristandade.

“Mas, temendo que seu convite não fosse bastante eficaz, enviou-lhes o Padre Lourenço. O sucesso do piedoso Capuchinho foi completo. Todos os socorros pedidos foram enviados rapidamente e o arquiduque Matias foi escolhido como generalíssimo do exército cristão.

“Mas não devia terminar aí a missão do bem-aventurado Lourenço. O Senhor lhe reservava um triunfo de outro gênero.

O sultão Maomé III.
O sultão Maomé III.
“A pedido de Matias, do Núncio e de numerosos príncipes confederados, o Papa ordenou-lhe de se unir ao exército a fim de contribuir para o sucesso da campanha com seus conselhos e com suas preces. Ele obedeceu sem resistência. Logo que chegou, postou-se diante dele o exército em ordem de batalha”.

Os senhores precisam imaginar a beleza dessa cena: ele era um Capuchinho, de aspeto venerável e que comparecia então às cortes da Europa central, algumas delas bastante pomposas, para pregar essa nova Cruzada.

É preciso se por em mente os trajes pomposos da época, o fausto das salas, de todo o ambiente e a majestade do Capuchinho que entra com suas sandálias, com seu burel, com seu rosário, com sua longa barba, com seu bastão de viandante, não tendo outra coisa para se impor a não ser a carência de tudo aquilo por onde os outros se impunham, mas com a missão de Nosso Senhor e a grandeza da pobreza franciscana.

Falando então como enviado do Papa e enviado de Deus, tratando de cima para baixo com os maiores da Terra e ouvido como tal… dentro de toda a sua pobreza. Isso é que é compreender e amar!

Depois dele conseguir que os príncipes mandassem numerosas forças, é enviado como a alma do exército, que deve dar os conselhos, orientar a luta etc. Temos, então, essa cena magnífica descrita:

“O santo, logo que ele chegou ao exército, o exército em [formação de] batalha, postou-se diante dele.”

Os senhores podem imaginar a beleza do quadro. Um exército com cavalaria, com couraças, com armas reluzentes, com todos aqueles homens, com aqueles chapéus de plumas, com canhões que os senhores podem ver em gravuras, todos eles de bronze e trabalhados, naquela época da arte e de grande estilo.

A batalha ainda com qualquer coisa de cavalheiresco. Chega o velho Capuchinho e o exército todo se posta diante dele em atitude de batalha: é um acontecimento!

Isso é que é o esplendor da era constantiniana, que já não se conhece hoje, mas nem de longe! Entretanto, ela é a refulgência da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“O santo religioso, a cruz na mão, falou aos soldados e assegurou-lhes uma vitória certa”.

“Em seguida, preparou-os para o combate pela prece e pela penitência.”

São Lourenço de Brindisi, O.F.M.Cap. doutor da Igreja
pregador ardoroso contra os turcos invasores
Vimos isso a respeito da vitória de Lepanto também: preparar para a luta não é valendo-se de comedorias, mas é preparar pela penitência e pela oração. Assim é que o homem se torna verdadeiramente lutador.

“No dia da luta o chefe dos turcos apresentou oitenta mil homens em ordem de batalha. O general cristão tinha somente dezoito mil.”

Os senhores estão vendo a desproporção.

“Tocados com essa diferença, alguns oficiais do Imperador, mesmo dos mais intrépidos, aconselharam agir com prudência e retirar-se para o interior do país.”

É a teoria do “ceder não perder”: por toda parte há gente que tem esse tipo de “prudência”. São os que enterram todas as causas boas.

“O arquiduque, tendo chamado Frei Lourenço ao conselho, fê-lo tomar conhecimento da deliberação”.

Os senhores imaginem o conselho de guerra reunido, interpretando a situação do ponto de vista militar, do qual talvez houvesse razões para achar que era o caso de se retirar. Mas chama-se o homem de Deus.

Então, podemos imaginar a tenda do arquiduque Matias com tudo quanto podia haver de magnífico na tenda de um arquiduque generalíssimo de exército: guardas do lado de fora, mesa de conselho…

Chega lá o Capuchinho, leigo em matéria militar, e que vai dar sua opinião, que é acatada como de um homem de Deus. Porque os homens de Deus já eram raros, mas ainda eram profundamente ouvidos.


continua no próximo post: Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória e ordenou atacar


(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Transcrição de gravação de conferência em 21 de julho de 1966, mantendo o estilo verbal, não revista pelo autor).




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