quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Glorificação de São João de Capistrano,
herói da Cruzada contra os turcos, na catedral de Viena

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
O episódio principal daquela Cruzada se deu nas batalhas livradas por ocasião do sitio de Belgrado de 1456.

Os maometanos foram esmagados por um exército fundamentalmente austríaco, cujo o grande animador foi o humilde capuchinho.

A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
O santo de origem italiana, como indica seu nome, famoso pela sua oratória cheia de fé que movia os corações mais endurecidos, foi enviado pelo Papa Nicolau V, convocador da Cruzada, como seu pregador e chefe religioso.

São João de Capistrano foi um capuchinho que percorreu o tempo inteiro as fileiras dos cavaleiros, mostrando-lhes o Crucifixo e pregando a guerra.

Num momento desesperado do combate São João de Capistrano ordenou aos homens que voltassem se refugiar nas muralhas.

Mas ele inspirava tanta confiança que logo se viu rodeado por 2.000 cruzados que não queriam se afastar dele.

Então lhes ordenou avançar contras as linhas turcas exclamando: “O Deus que iniciou a batalha se encarregará de terminá-la!”

Quando, no cair da tarde, os turcos fugiram, fez-se, como era costume naquele tempo, a celebração do chefe vitorioso.

Hunyadi, general das tropas cristãs mandou chamar São João de Capistrano e disse:

“Ele vai ganhar as glórias da vitória ao meu lado. Porque ele fez com o crucifixo na mão, mais do que eu com minha espada!”




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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória
e ordenou atacar

São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores



O Pe. Rohrbacher continua:

“O frade opinou pelo ataque. E, pela segunda vez, assegurou à assembleia uma vitória completa.”

O que evidentemente transmitia uma certeza carismática.

Ele comunicou coragem, naturalmente.

“Tendo diminuído o temor com essa resposta decidiu-se começar a batalha e os soldados foram colocados em posição.”

Ou seja, foi a palavra dele que determinou isso que, humanamente falando, seria possivelmente ou provavelmente uma temeridade.

“Frei Lourenço, a cavalo, colocou-se na primeira linha revestido de seu hábito religioso.”

Não para combater, porque um sacerdote não derrama sangue mas é para estimular com sua presença. Quer dizer, para levar os outros ao combate, para levar os outros à luta.

São Lourenço de Brindisi, piedoso Doutor da Igreja inflamou os exércitos católicos e os levou à vitória contra os turcos invasores.
São Lourenço de Brindisi, piedoso Doutor da Igreja
inflamou os exércitos católicos
e os levou à vitória contra os turcos invasores.
“Então, elevando um Crucifixo que segurava, voltou-se para as tropas e falou-lhes com tanta força que eles não quiseram mais esperar o ataque dos turcos.”

Isso é um orador! E isso é um orador sacro! Quantas vezes os senhores viram alguém, do alto de um púlpito, falar com esse fogo?

“Lançaram-se contra o inimigo com um valor incrível”.

Isso é o que ensina Dom Chautard  na sua obra “A Alma de todo o Apostolado” aplicado a assuntos militares!

Em outros termos, se é um homem de Deus e se tem verdadeiramente vida interior, sua palavra pega fogo e move montanhas. Mas é preciso ser um homem de Deus! Aqui está a precedência da santidade sobre a vida ativa.

“Os turcos, de seu lado, os receberam com firmeza e o choque foi terrível. O irmão Lourenço foi, num momento, rodeado pelos infiéis”.

Os senhores já imaginaram a coragem de ir cavalgando na frente dos outros e sem armas? E, naturalmente, bradando: Avanço! Avanço!

Que atitude magnífica ver esse Capuchinho a cavalo e incentivando todo mundo para a guerra e continuando os seus sermões por meio de exclamações e, de repente, quase cercado pelos infiéis.

“Mas os coronéis Rossburg e Altaim, correndo para defendê-lo, arrancaram-no do perigo e o conjuraram a retirar-se, dizendo que lá não era seu lugar.

“‘Vós vos enganais’, respondeu-lhes em voz alta. ‘É aqui que eu devo estar. Avancemos, a vitória é nossa’.”

São Lourenço de Brindisi, O.F.M. Cap.,
Doutor da Igreja, estátua em Rovigo, Véneto, Itália.
Os senhores já imaginaram o que é isso? Um santo a cavalo no meio da guerra que grita: Avancemos, avancemos, a vitória é nossa! Com o Crucifixo na mão! Isso é lutar! isso é fazer guerra!

“Os cristãos recomeçaram a carga e o inimigo, tomado de terror, fugiu em todas as direções.”

Não tem comentários…!

“Essa batalha deu-se a 11 de outubro de 1611. Uma segunda batalha teve lugar a 14 do mesmo mês; seguida do mesmo sucesso. Os turcos retiraram-se para além do Danúbio após terem perdido trinta mil homens.

“Não se saberia exprimir os sentimentos de admiração que o irmão Lourenço havia inspirado aos generais e soldados.

“O duque de Mercoeur, que comandava sob o arquiduque, declarou que o santo religioso fizera mais nessa guerra do que todas as tropas juntas.”

É evidente que foi mesmo. E é um homem só. Mas um homem no qual está Deus. Aqui está a questão!

“E, depois de Deus e da Virgem Maria, era a ele que se deveria atribuir as duas vitórias conseguidas. Mais uma vez a Europa livrava-se da barbárie do infiel oriental”.

Os senhores podem imaginar o que seria a História do mundo se essas batalhas tivessem sido perdidas? Se as tropas tivessem chegado até Viena? Se tivessem chegado até Roma?

Com aquele pulular de protestantismo e de heresias por toda a Europa? Não podemos imaginar o que poderia ter sido…

Enfim, isso foi salvo por um homem de Deus que não teve medo de fazer dezoito mil homens derramarem o sangue abundantemente pela causa da Igreja. E o resultado magnífico aí está. Vamos nos recomendar, portanto, a ele.


(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Transcrição de gravação de conferência em 21 de julho de 1966, mantendo o estilo verbal, não revista pelo autor).




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quarta-feira, 27 de julho de 2016

São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores

São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
São Lourenço de Brindisi enfrenta cimitarra com a Cruz.
Luis Dufaur
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A respeito de São Lourenço de Brindisi (1559-1619) diz o Pe. René François Rohrbacher (1789 – 1856) na sua célebre obra “História Universal da Igreja Católica” o seguinte relativo à reconquista da cidade húngara de Székesfehérvár (Alba Regalis) em 1601:

“O imperador Rodolfo II, conhecendo a habilidade do padre Lourenço, empregou-o num trabalho bem difícil. Maomé III, tendo avançado em direção ao Danúbio, anunciava o projeto de invadir a Hungria.”

Rodolfo dizia de Maomé III que este queria penetrar através do Danúbio e da Hungria e da Áustria até a Itália. E que os cavalos de seu exército comessem no altar de São Pedro como se fosse uma manjedoura.

“Rodolfo organizou um exército e convidou todos os príncipes da Alemanha, tanto católicos quanto protestantes, para unirem-se a ele em defesa da Cristandade.

“Mas, temendo que seu convite não fosse bastante eficaz, enviou-lhes o Padre Lourenço. O sucesso do piedoso Capuchinho foi completo. Todos os socorros pedidos foram enviados rapidamente e o arquiduque Matias foi escolhido como generalíssimo do exército cristão.

“Mas não devia terminar aí a missão do bem-aventurado Lourenço. O Senhor lhe reservava um triunfo de outro gênero.

O sultão Maomé III.
O sultão Maomé III.
“A pedido de Matias, do Núncio e de numerosos príncipes confederados, o Papa ordenou-lhe de se unir ao exército a fim de contribuir para o sucesso da campanha com seus conselhos e com suas preces. Ele obedeceu sem resistência. Logo que chegou, postou-se diante dele o exército em ordem de batalha”.

Os senhores precisam imaginar a beleza dessa cena: ele era um Capuchinho, de aspeto venerável e que comparecia então às cortes da Europa central, algumas delas bastante pomposas, para pregar essa nova Cruzada.

É preciso se por em mente os trajes pomposos da época, o fausto das salas, de todo o ambiente e a majestade do Capuchinho que entra com suas sandálias, com seu burel, com seu rosário, com sua longa barba, com seu bastão de viandante, não tendo outra coisa para se impor a não ser a carência de tudo aquilo por onde os outros se impunham, mas com a missão de Nosso Senhor e a grandeza da pobreza franciscana.

Falando então como enviado do Papa e enviado de Deus, tratando de cima para baixo com os maiores da Terra e ouvido como tal… dentro de toda a sua pobreza. Isso é que é compreender e amar!

Depois dele conseguir que os príncipes mandassem numerosas forças, é enviado como a alma do exército, que deve dar os conselhos, orientar a luta etc. Temos, então, essa cena magnífica descrita:

“O santo, logo que ele chegou ao exército, o exército em [formação de] batalha, postou-se diante dele.”

Os senhores podem imaginar a beleza do quadro. Um exército com cavalaria, com couraças, com armas reluzentes, com todos aqueles homens, com aqueles chapéus de plumas, com canhões que os senhores podem ver em gravuras, todos eles de bronze e trabalhados, naquela época da arte e de grande estilo.

A batalha ainda com qualquer coisa de cavalheiresco. Chega o velho Capuchinho e o exército todo se posta diante dele em atitude de batalha: é um acontecimento!

Isso é que é o esplendor da era constantiniana, que já não se conhece hoje, mas nem de longe! Entretanto, ela é a refulgência da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“O santo religioso, a cruz na mão, falou aos soldados e assegurou-lhes uma vitória certa”.

“Em seguida, preparou-os para o combate pela prece e pela penitência.”

São Lourenço de Brindisi, O.F.M.Cap. doutor da Igreja
pregador ardoroso contra os turcos invasores
Vimos isso a respeito da vitória de Lepanto também: preparar para a luta não é valendo-se de comedorias, mas é preparar pela penitência e pela oração. Assim é que o homem se torna verdadeiramente lutador.

“No dia da luta o chefe dos turcos apresentou oitenta mil homens em ordem de batalha. O general cristão tinha somente dezoito mil.”

Os senhores estão vendo a desproporção.

“Tocados com essa diferença, alguns oficiais do Imperador, mesmo dos mais intrépidos, aconselharam agir com prudência e retirar-se para o interior do país.”

É a teoria do “ceder não perder”: por toda parte há gente que tem esse tipo de “prudência”. São os que enterram todas as causas boas.

“O arquiduque, tendo chamado Frei Lourenço ao conselho, fê-lo tomar conhecimento da deliberação”.

Os senhores imaginem o conselho de guerra reunido, interpretando a situação do ponto de vista militar, do qual talvez houvesse razões para achar que era o caso de se retirar. Mas chama-se o homem de Deus.

Então, podemos imaginar a tenda do arquiduque Matias com tudo quanto podia haver de magnífico na tenda de um arquiduque generalíssimo de exército: guardas do lado de fora, mesa de conselho…

Chega lá o Capuchinho, leigo em matéria militar, e que vai dar sua opinião, que é acatada como de um homem de Deus. Porque os homens de Deus já eram raros, mas ainda eram profundamente ouvidos.


continua no próximo post: Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória e ordenou atacar


(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Transcrição de gravação de conferência em 21 de julho de 1966, mantendo o estilo verbal, não revista pelo autor).




GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Jocelyn de Courtenay e os dois conceitos da felicidade

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Jocelyn de Courtenay: o espírito guerreiro, a fidelidade a Deus e a felicidade na Terra



Na vida e na morte de Jocelyn de Courtenay aparece o choque entre dos dois conceitos de vida que se opõem.

Um é o conceito segundo o qual a felicidade consiste em gozar a vida.

Outro é o conceito segundo o qual, nesta terra a felicidade consiste em ter conhecido o verdadeiro ideal e o ter servido heroicamente, com sacrifício, ainda que pesadíssimo. E com tanto mais alegria quanto mais pesado foi o sacrifício.

Os dois modos de ver se apartam diametralmente um do outro.

O segundo é de tal maneira grande, que é até incalculável. Tudo o que nós possamos excogitar, para nos dar um ideia do que é que pode ser a nossa felicidade no Céu, não é de nenhum modo suficiente para compreender o abismo de felicidade em que está imersa a última das almas do Céu.

Porque é uma felicidade completa. Tem graus, mas é completa. Para cada um ela é completa. O mesmo se pode dizer do inferno.

De maneira que do ponto de vista da mera vantagem, do prazer, do deleite, vale a pena servir a Deus, que é o Senhor de todo bem, de toda bondade e que tem meios de nos recompensar magnificamente.

O idealista é mais feliz morrendo na realização de uma grande obra, do que vivendo entre coisas secundárias

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Jocelyn de Courtenay: o espírito guerreiro,
a fidelidade a Deus e a felicidade na Terra

Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay
Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Jocelyn de Courtenay, ou Josselin II de Courtenay nasceu entre 1070 e 1075, foi para Terra Santa em 1101, onde morreu em 1131. Ele foi príncipe de Galileia e Tiberiades de 1113 a 1119 e conde de Edessa de 1119 a 1131.

Do livro Les Templiers, de Georges Bordonove tiramos a ficha seguinte sobre ele.

“Jocelyn de Courtenay foi senhor do Condado de Edessa, no limite norte do reinado latino de Jerusalém. Era neto dos Cruzados que conquistaram a Cidade Santa.

“Ao norte, o Condado de Edessa, havia sido invadido por um lugar-tenente de Reng, principal guerreiro muçulmano da época, perdendo seu velho senhor Jocelyn de Courtenay”.

“Esmagado pelo desabamento de uma torre que fora minada, Jocelyn foi retirado dos escombros todo desfeito. Em seguida os infiéis se precipitaram para cercar Faizum, residência do Patriarca de Edessa.

“Quase morrendo, Jocelyn se fez carregar para socorrer a fortaleza. E tal era o seu prestígio que, mesmo carregado numa liteira, ele amedrontou os turcos a ponto de fugirem diante de sua presença.

“Vencedor sem combate, Jocelyn rendeu graças a Deus, nestes termos dignos de uma canção de gesta:

‘Beau Sir Dieu Belo Senhor Deus , eu vos glorifico e agradeço como posso, por me terdes honrado tanto no século, principalmente agora, ao encerrar a minha vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

“El Cid Campeador” homem-símbolo dos heróis espanhóis

Estátua de El Cid, Balboa Park,San Diego, Califórnia
Estátua de El Cid, Balboa Park,San Diego, Califórnia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No primeiro olhar épico do Cid estavam contidos Santo Inácio e Santa Teresa, de pé, pregando e rezando contra o Protestantismo.

O Cid, como que viu a Inquisição e outras grandes realizações da Espanha católica.

A Espanha autêntica descende do Cid, de Isabel a Católica, de Colombo, de Filipe II.

É a Espanha de Santa Teresa, Santo Inácio e São Domingos; a Espanha dos soberbos castelos, das suntuosas catedrais, das grandes universidades.

Santa Teresa de Jesus O.C.D.
Santa Teresa de Jesus O.C.D.
A outra é uma Espanha que mereceria propriamente o nome de anti-Espanha: um grupo de espanhóis que querem desfigurar sua pátria, arrancando-lhe do patrimônio moral todas as tradições, mutilando-lhe a gloriosa e tradicional fisionomia.

A Espanha era católica e agora a querem atéia.

Era cavalheiresca, aristocrática, saturada de fidalguia até nos seus últimos recantos, e querem-na plebéia, vulgar, suja e feia como a camisa suarenta e furada de um estivador.

A Espanha era intelectualmente “raffinée” com uma cultura fortemente impregnada de caráter nacional por famosas universidades.

A anti-Espanha quereria a destruição dessas universidades, para substituí-las por estabelecimentos de ensino anódinos, internacionais e sovietizados, tão banais e tão sem fisionomia quanto um guichê de uma agência de turismo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

“El Cid Campeador”:
herói que marcou Espanha para o bem e para sempre

Monumento a El Cid, Burgos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Espanha produziu um mundo de personagens capazes de inspirar os homens cultos, o que é mais do que produzir cultura, como é mais produzir História do que produzir historiadores.

Dentre esses heróis sobressai a figura histórica ‒ com sua projeção mítica, psicológica e religiosa ‒ de Rodrigo (Ruy) Diaz de Vivar, “El Cid Campeador”. (Cid = do árabe ‘Senhor’)

O “Cid Campeador” apareceu num momento decisivo da História espanhola.

Boa parte da Espanha estava invadida por muçulmanos vindos da África do Norte e o país estava dividido entre os que queriam se acomodar com os invasores, incluso do ponto de vista religioso, e os que queriam resistir defendendo a ortodoxia católica.

No norte da África houve grandes civilizações como a dos egípcios e dos cartagineses.

O Egito foi mais ou menos assumido pelo Império Romano do Oriente. Cartago passou a ser uma colônia do Império Romano do Ocidente. Santo Agostinho nasceu em Cartago, nesse período.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A rainha Isabel, a Católica, faz Cruzada contra os mouros

Encenação cinematográfica do rei mouro Boabdil.
Encenação cinematográfica do rei mouro Boabdil.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Isabel, a Católica, a rainha que empreendeu uma Cruzada


A cruzada contra os infiéis maometanos

Um dos maiores empenhos que Isabel teve em seu reinado foi mover a guerra santa contra o invasor muçulmano.

Para esse empreendimento, obteve do Papa as mesmas indulgências de Cruzada concedidas aos que iam lutar na Terra Santa, tendo o Sumo Pontífice lhe enviado uma cruz de prata para ir à frente de seus exércitos.

Nas várias campanhas que encetou, e sobretudo na reconquista de Granada, Isabel arrebatava seus soldados por sua energia sobre-humana, senso do dever e espírito sobrenatural.

Estes “criam que ela era uma santa. Como Santa Joana d’Arc, sempre lhes recomendava viver honestamente e falar bem. Não havia nem blasfêmias nem obscenidades no acampamento onde ela se achava, e viam-se curtidos soldados ajoelhar-se para rezar, enquanto se celebrava a missa ao ar livre por ordem da piedosa rainha”.(7)