quarta-feira, 3 de maio de 2017

Godofredo de Bouillon (II), “Duque e Defensor do Santo Sepulcro”

O encontro da Santa Lança
O encontro da Santa Lança
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Godofredo de Bouillon (I), “Duque e Defensor do Santo Sepulcro”



O encontro da lança de Longinus

Durante o cerco de Antioquia, com o inverno vieram as chuvas e as enfermidades, atingindo homens e animais. O exército cruzado ficou reduzido à metade.

A primavera trouxe uma melhora. Sobretudo devido a reforços vindos por mar, os cruzados conquistaram afinal a cidade.

Por pouco tempo, pois três dias depois os turcos voltaram com mais de 200 mil homens e cercaram Antioquia.

A fome e a doença abateram-se novamente sobre os cristãos agora sitiados. Foi quando um sacerdote da Provença, Pedro Bartolomeu, anunciou que Nosso Senhor lhe havia aparecido em sonhos e revelado onde estava enterrada a lança que atravessara seu peito adorável. Com efeito, junto ao altar da igreja de São Pedro encontraram uma lança.(9)

Esse fato sobrenatural deu novo ânimo aos cristãos que, tomados de entusiasmo, caíram sobre os muçulmanos, apesar da desproporção numérica.

Alguns afirmaram ter visto São Jorge conduzindo a batalha. Com a vitória, Boemundo estabeleceu-se como senhor de Antioquia.

O mesmo impulso poderia ter levado imediatamente à conquista da Cidade Santa. Mas o cansaço, a falta de cavalos, e sobretudo a contenda entre os príncipes cristãos, além de outra peste devastadora que ceifou a vida de 50 mil soldados, diminuíram em muito o número de cruzados que se dirigiram a Jerusalém.

A cidade de Jerusalém estava fortificada e bem defendida por mais de 40 mil homens. No dia 7 de junho de 1099 os cruzados a cercaram. Novamente todos os sofrimentos de um sítio prolongado, como a sede sob um sol abrasador de verão, castigaram os cavaleiros da Cruz.

Visão de São Jorge e tomada de Jerusalém

Finalmente, “Godofredo viu no Monte das Oliveiras um homem com brilhante escudo: ‘São Jorge vem em nosso auxílio!’” — exclamou.(10)

Entusiasmados, os guerreiros cristãos empurraram as torres de combate para junto das muralhas da cidade. Estenderam pontes, e Godofredo foi um dos primeiros a saltar, correndo para abrir as portas.

O exército, como a enchente de um rio, penetrou na cidade.

“O sangue corria pelas escadas e chegava até as patas dos cavalos”. “Foi um juízo de Deus”, afirma o cronista Guilherme de Tyro, “que os que haviam profanado o Santuário do Senhor com ritos supersticiosos, e o haviam tirado do povo fiel, expiassem o crime com seu próprio sangue e extermínio”.(11)

Depois os cruzados se lavaram, e com sentimentos de piedade foram andando pelos lugares santos, osculando-os “com grande devoção, humildade e coração contrito, entre soluços e lágrimas”.(12)

Passados os primeiros dias em devoções e em limpar a cidade dos cadáveres, pensaram logo em fixar a vitória, elevando Jerusalém a Reino Latino.

O escolhido para reinar em Jerusalém

“Quando se tratou de eleger um rei, interrogou-se, sob juramento, aos servidores dos Príncipes com mais condições para isso, sobre a vida de seus senhores. Os de alguns deles declararam coisas que os prejudicavam, de medo de terem que ficar em Jerusalém e não voltar para suas terras.

“Alguns outros príncipes declararam que não desejavam ser eleitos para o cargo, tão oneroso. Assim, chegando a vez de Godofredo de Bouillon, seus servidores só tiveram a dizer contra ele que sempre ficava demasiado tempo na igreja, mesmo depois de terminada a missa, e perguntava sobre cada quadro e sua história; e que, enquanto isso, em casa se esfriava a comida”,(13) o que serviu para que os eleitores o escolhessem por unanimidade como a pessoa mais digna para o cargo.

Não rei, mas Defensor do Santo Sepulcro

De acordo com as crônicas do tempo, Godofredo recusou-se a usar a coroa “por respeito Àquele que tinha sido coroado com uma Coroa de Espinhos naquele lugar”.(14)

“Ele nunca usou o título de rei (que somente aparece sob seu sucessor), e contentou-se com o de Duque e Defensor do Santo Sepulcro”.(15)

Pouco tempo depois, Godofredo consolidou a vitória na batalha de Ascalon, derrotando, com apenas 5 mil cavaleiros e 15 mil infantes, o exército de Al-Afdhal, Vizir muçulmano do Egito, que contava com 200 mil etíopes, beduínos e árabes.

Com muita valentia e uma direção prudente, logo no primeiro ímpeto os cristãos dispersaram os mouros.

Com essa brilhante vitória, a fama de Godofredo espalhou-se por todo o Oriente.

“Um emir pediu a Godofredo que, com sua espada, cortasse o pescoço de um grande camelo com um só golpe, o que o Duque fez sorrindo. Em seguida, com uma simples lâmina sarracena, degolou o segundo camelo com a mesma facilidade, enchendo de admiração os árabes, que constataram que a fama de sua prodigiosa força era verdadeira”.(16)

A morte de Godofredo
Quando Godofredo foi interpelado a respeito da força dos seus braços, respondeu que isso se devia ao fato de que jamais tinha utilizado seus membros para cometer qualquer pecado contra a santa pureza.

Godofredo era sabidamente tão justo, que até os caudilhos árabes submetiam a ele seus litígios. Ele protegeu as fronteiras, favoreceu o comércio e governou com religiosa prudência e gravidade.

Com a ajuda dos cruzados de Pisa, reconstruiu a cidade de Jaffa para tornar-se um porto para a chegada dos cavaleiros cristãos.

Ele intentava assediar Acre, mas era desígnio de Deus que, aquele que passara por tantos perigos nos combates, morreria simplesmente num leito de hospital.

Godofredo foi atacado pela peste em Cesaréia.

Retornou a Jerusalém onde, após nomear o irmão Balduíno como seu sucessor, faleceu no dia 18 de julho de 1100, aos 39 anos de idade, sendo enterrado na igreja do Santo Sepulcro.


(Fonte: José Maria dos Santos, “Catolicismo”, setembro de 2003, )

Notas:
1. Hachette Multimedia / Hachette Livre, online edition, Copyright © 2001 Yahoo! France.
2. Juan Batista Weiss, Historia Universal, Tipografia La Educación, Barcelona, 1928, vol. V, p. 467.
3. Robert the Monk, Hist. Occid. Crois., III, 731, apud Louis Bréhier, The Catholic Encyclopedia, 1906, vol. VI, online edition, Robert Appleton & Cia., 1999.
4. La Grande Encyclopédie, Paris, Société Anonyme de la Grande Encyclopédie, tomo 18, p. 1145.
5. Cfr. Guibert de Nogent, Gesta, vol. VII, 11, apud Louis Bréhier,The Catholic Encyclopedia, Online Edition.
6. Weiss, op.cit., p. 470.
7. Cfr. The Catholic Encyclopedia, e Hachette Multimedia.
8. Weiss, op. cit., p. 474.
9. Cfr. Weiss, op. cit., p. 477; La Grande Encyclopédie, tomo XIII, verbete “Croisade”, p. 441.
10. Weiss, op. cit., p. 479.
11. Guilelmus Tyrius, VIII, cap. 20, in Weiss, op. cit., p. 479.
12. Weiss, op. cit., p. 479.
13. Id., p. 480.
14. The Catholic Encyclopedia, online edition.
15. Id, ib.
16. Weiss, op. cit., p. 482.




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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Godofredo de Bouillon (I), “Duque e Defensor do Santo Sepulcro”

Godofredo de Bouillon, estátua em Bruxelas
Godofredo de Bouillon, estátua em Bruxelas
Luis Dufaur
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Alguns grandes homens deixam após si uma legenda que os rodeia com uma luz especial, arquetipizando seus feitos e suas glórias.

Um desses foi Godofredo de Bouillon, o conquistador e fundador do Reino Latino de Jerusalém.

“A legenda logo se apoderou deste possante e terno senhor do país valão para torná-lo o arquétipo do cruzado”.(1)

Após sua morte, tornou-se herói de canções de gesta, como o tinham sido antes dele o famoso Carlos Magno e Roland.

Filho de Eustáquio, conde de Boulogne, e de Ida, filha de Godofredo o Barbudo, duque da Baixa Lorena e de Bouillon, Godofredo pertencia a uma antiga família que alegava ter Carlos Magno entre seus ancestrais.

Ele era “geralmente estimado, reto, valoroso, manso, casto, devoto, humano, de formoso aspecto e elevada estatura, cabelos ruivos”,(2) e “é retratado como o perfeito tipo do cavaleiro cristão. Alto de estatura, com um porte agradável e com uma maneira tão cortês, ‘que parecia mais um monge do que um guerreiro’”.(3)

Era “tido por tão bom guerreiro quanto fervoroso cristão”. (4) Sua força era proverbial.

Narram as crônicas que, com um só golpe de espada, ele partiu um guerreiro árabe de alto abaixo, em duas partes iguais.(5)

Godofredo de Bouillon conduz os cruzados
Godofredo, o Cruzado: início da epopéia

À morte do tio Godofredo III, o Corcunda, em 1076, dele herdou o condado de Verdun e a Marca de Anvers. Mais tarde, em 1089, o Imperador Henrique IV cedeu-lhe em vassalagem o Ducado da Baixa Lorena.

Godofredo seguiu o Imperador, tornado seu suserano, na Guerra das Investiduras e em sua iníqua expedição contra o Papa São Gregório VII, entrando em Roma em 1084.

Segundo alguns, para expiar esse pecado, Godofredo foi dos primeiros a tomar a cruz por ocasião do apelo do papa Urbano II, em 1096, juntamente com seus dois irmãos, Balduíno e Eustáquio.

Para financiar sua campanha, ele vendeu ou empenhou vários de seus estados, reunindo, com seus irmãos, 80 mil guerreiros.

Seu exército era composto em sua maioria de valões e flamengos. Como ele falava correntemente ambas as línguas, por ter nascido na fronteira dessas duas nações, servia de árbitro entre as querelas nacionalistas desses povos.

Os vários príncipes cruzados seguiram, com seus respectivos exércitos, diferentes percursos para a Terra Santa, combinando reunir-se em Constantinopla.

Godofredo e os franceses do norte seguiram seu caminho com severa disciplina, pela Alemanha, Hungria e Bulgária, chegando às portas da capital do Império do Oriente.

Brado “Deus o quer”– vitória de Godofredo

Foi então que Boemundo, príncipe de Tarento, convidou Godofredo a unirem seus exércitos para atacar o Imperador bizantino Aleixo,

“Godofredo, que era demasiado honrado, não quis lutar contra cristãos, e temeu esgotar as forças de seu exército antes de enfrentar os infiéis”.(6)

Depois de muitas negociações, Godofredo prestou juramento de fidelidade a Aleixo, embora com restrições, e levou outros a fazê-lo.

Mas alguns príncipes recusaram-se a prestar o juramento, pois os francos menosprezavam os gregos.

Em 1097 deu-se o cerco de Nicéia, afirmando alguns que nele Godofredo não teve qualquer destaque especial;(7) e outros, que foi “só quando a divisão comandada por Godofredo se acercou, com o clamor do trovão ‘Deus o quer!’, que se decidiu a renhida batalha em favor dos cristãos”.(8)

Os cruzados tomaram depois Edessa, formando um principado do qual Balduíno, irmão de Godofredo, se tornou o senhor, derrotando os turcos de várias fortalezas.


(Fonte: José Maria dos Santos, “Catolicismo”, setembro de 2003)




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quarta-feira, 5 de abril de 2017

A Primeira Comunhão e a morte do jovem cavaleiro Vivien

Luis Dufaur
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O poema “La Chanson de Guillaume” gira em torno de uma batalha desenvolvida por Guilherme do Nariz Curvo contra os sarracenos de Deramé, na planície de Larchamp.

Vivien atira-se à luta acompanhado de seu primo Girart. A batalha é calorosa e os franceses são dizimados.

Ao cair da tarde, Vivien envia Girart a pedir ajuda a Guilherme.

O conde Vivien perdeu 10 homens, dos 20 que lhe restavam. Os outros perguntaram:

— Que faremos na batalha, amigos?

Disse Vivien:

— Em nome de Deus, senhores, escutai-me. Enviei Girart levando uma mensagem. Hoje mesmo vereis Guilherme ou Luís, o piedoso. Com um ou outro venceremos os árabes.

— Avante, pois, valoroso marquês — responderam eles.

E ei-los que marcham contra o inimigo.

Os pagãos colocaram Vivien em grande perigo. De seus 10 homens, não deixam um só vivo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, guerreiro e santo

Condestável de Portugal, Beato Nuno Alvares Pereira, heróis medievais

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Nascido em 1360, no Castelo de Sernache de Bonjardim, filho de um dos mais ilustres senhores do reino, D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem Militar dos Hospitalários, teve D. Nuno a educação militar dos nobres.

Aos 16 anos casou-se com D. Leonor de Alvim, muito virtuosa e tida como a mais rica herdeira do reino.

Tiveram três filhos: dois meninos, que morreram cedo, e uma menina, D. Beatriz, que foi tronco da Casa de Bragança.

Porém Nuno não se satisfazia com ser pacato castelão. Lembrava-se do dia em que fora armado cavaleiro, dos juramentos solenes que fizera, e perguntava a si mesmo:

"Passarei toda a vida assim? Para isto recebi tão solenemente a espada, sobre a qual fiz tão sérias promessas?"

O Rei D. Fernando, o formoso, entregara grande parte do reino ao invasor castelhano, sem qualquer resistência; homem apático, mole, desfibrado, mereceu de Camões o severo juízo: "um fraco rei faz fraca a forte gente".

E havia também o "grande desvario": Fernando ousara colocar no trono de Sta. Izabel, como Rainha de Portugal, a legítima esposa de um fidalgo que exilara — D. Leonor Teles, "a aleivosa".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O milagre de Nossa Senhora
e a reconquista da capital da Hungria

Carlos de Lorena toma Buda, castelo de Buda
Carlos de Lorena toma Buda, castelo de Buda
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A Reconquista de Budapeste invadida pelos turcos



O cerco da cidade de Buda

Nessa época, Budapeste, atual capital húngara, era dividida em duas cidades, Buda e Peste.

Os austríacos lançaram-se diretamente ao ataque contra Buda, deixando de lado — contrariamente à expectativa dos turcos — outras cidades importantes.

Buda era a décima cidade mais importante do mundo muçulmano, considerada pelos turcos como a “casa da guerra sagrada”, baluarte limítrofe do Islã na Europa e chave do Império Otomano.

Por isso, tinham-na abastecido bem de mantimentos, armas e pólvora. Para a defesa, posicionaram-se mais de 16 mil homens de tropas de elite, sob o comando de Abdulrahman Paxá.

O cerco começou em 18 de junho de 1686 e o primeiro assalto ocorreu no dia 24, dia de São João, visando o muro inferior. Os turcos instalaram muitas minas em ambas as partes dessa muralha.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A reconquista de Budapeste invadida pelos turcos

O Beato Papa Inocêncio XI foi o inspirador
e o vencedor da reconquista de Buda.
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“Foi o Santo Padre quem conquistou Buda, como libertou Viena. Há séculos não havia sentado outro Papa semelhante na Cátedra de Pedro”, afirmou Jaime II, Rei da Inglaterra, ao saudar o Núncio Apostólico após a reconquista de Buda, que será narrara a seguir.

Uns após os outros, castelos, fortalezas e cidades iam sendo retomados pelos austríacos das mãos dos muçulmanos.

Após tantas derrotas, Américo Thököly, que liderara a traição dos húngaros, foi preso por seus aliados muçulmanos e seria executado, se Solimão, “o trapaceiro”, não tivesse derrubado e substituído o grão-vizir, o Negro Ibrahim.

O novo comandante deu liberdade a Thököly e enviou-o com novos destacamentos à Hungria.

Em outro anterior, Santa Liga e Reconquista, foram descritas as batalhas travadas pelo Império Austríaco, Polônia e Veneza, membros da Santa Liga, de 1683 a 1685, visando reconquistar os territórios católicos dominados pelos turcos.

Neste artigo, enfocaremos a gloriosa batalha que libertou Buda, antiga capital da Hungria.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Don Pelayo e a confiança nas vitórias inverossímeis

Don Pelayo vencedor em Covadonga, Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
Don Pelayo vencedor em Covadonga.
Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
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Em 711 os árabes muçulmanos invadem a Península Ibérica.

Enfrentando-os perde a vida o rei visigodo Dom Rodrigo no campo de Guadalete.

Reagirá contra o domínio infiel o nobre Dom Pelayo, colocando-se à frente de um grupo de valorosos asturianos.

Preparando-se os árabes, já em Espanha, para invadir a Gália gótica, tiveram notícia da revolta das Astúrias e enviaram contra esses revoltosos um exército bem preparado sob o comando do general Alcamar.

Don Pelayo preparou a resistência no monte Alzeba, onde os desfiladeiros tornavam possível uma reação por parte dos cristãos, em número realmente inferior aos atacantes.

Organiza seus homens e enquanto esperava dirigiu-se à Gruta de Covadonga para onde levara uma imagem da Santíssima Virgem, colocando-se sob a Sua proteção especial.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Santa Clotilde obteve a conversão da França

Santa Clotilde, jardim do Luxembourg, Paris
Santa Clotilde, estátua no jardim do Luxembourg, Paris.
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Santa Clotilde: esposa apostólica


Aconselhado pelos bispos católicos, Clóvis, rei dos Francos, pediu a mão da princesa Clotilde, sobrinha do rei Borguinhão, o qual havia assassinado os próprios pais para apoderar-se do trono.

Segundo uma tradição, o rei havia dado seu consentimento, mas depois arrependeu-se e mandou uma escolta atrás de Clotilde.

Esta, entretanto, conseguiu chegar ilesa até a fronteira franca, onde Clóvis a aguardava.

Esse casamento foi providencial, pois tanto o rei burguinhão quanto o dos visigodos eram arianos e oprimiam seus súditos, que eram na maioria católicos.

Ora, Clotilde mantivera-se fiel filha da Igreja, e começou a trabalhar junto a seu marido para convertê-lo à verdadeira fé.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Brian Boru, rei herói da Irlanda


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Brian Bórumha mac Cennétig (Brian filho de Kennedy), conhecido em inglês como Brian Boru (941 — 23 de Abril de 1014) nasceu perto de Killaloe, no moderno condado de Clare, na Irlanda.

Brian Boru em gaélico significa o dos tributos, pois tributou outros governantes menores da Irlanda para reconstruir os mosteiros e as bibliotecas destruídas pelas invasões dos Vikings.

Tornou-se rei de Munster em 976 e em 1002 ganhou o título de Grande Rei de toda a Irlanda (em inglês High King of All Ireland e em irlandês Árd Righ Gaidel Éirinn).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 2

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Continuação do post anterior: São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1



Superior de doze mosteiros

Entretanto, os discípulos continuaram a afluir, mas desta vez em tão grande número, que foi preciso dividi-los em grupos de doze monges, em doze mosteiros diferentes, cada um deles regido por um abade sob a supervisão de Bento.

Sob a direção do grande abade, a existência dos primeiros monges beneditinos transcorria pacífica e prosperamente, dedicada por inteiro à oração e ao trabalho.

Os milagres, a doutrina, a santidade de Bento lhe atraíam numerosas vocações.

Mesmo de Roma afluíam nobres varões, desejosos de se tornarem seus discípulos, enquanto patrícios lhe entregavam seus filhos para que os educasse.

Foi o caso dos meninos Mauro e Plácido, posteriormente também elevados à honra dos altares, que ficaram famosos na história de São Bento.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1

São Bento, Subiaco.
São Bento, Subiaco.
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“GLÓRIA NÃO SÓ DA ITÁLIA, MAS DE TODA A IGREJA, QUAL ASTRO ESPLENDOROSO IRRADIA SUA LUZ REFULGENTE EM MEIO ÀS TREVAS DA NOITE”

(PIO XII, CARTA ENCÍCLICA EM COMEMORAÇÃO DO XIV CENTENÁRIO DA MORTE DO PATRIARCA DE MONTECASINO, 1947, APUD DOM GARCIA M. COLOMBAS, SAN BENITO, SU VIDA Y SU OBRA, BIBLIOTECA DE AUTORES CRISTIANOS, MADRI, 1968, PRÓLOGO, P. XIII. SEGUIMOS PRINCIPALMENTE ESSA OBRA PARA A ELABORAÇÃO DESTE ARTIGO, CITANDO O NÚMERO DA PÁGINA E O LOCAL EM QUE SE ENCONTRA A CITAÇÃO.).

Dom Prosper Guéranger (1805-1875), restaurador e abade do priorado beneditino de Solesmes, na França, assim exclama a respeito de São Bento:

“Com que veneração devemos nos acercar hoje deste homem de quem São Gregório Magno escreve que ‘esteve cheio do espírito de todos os justos!’. [...]

“Estes rasgos sobrenaturais [de São Bento] encontram-se realizados por doce majestade, grave severidade e misericordiosa caridade, que brilham em cada uma das páginas de sua biografia escrita por um de seus discípulos, o Papa São Gregório Magno, que se encarregou de transmitir à posteridade tudo o que Deus havia Se dignado realizar em seu servo Bento”.

Com efeito, continua o abade de Solesmes, foi ele quem “por meio de seus filhos [...] levantou as ruínas da sociedade romana, esmagada pelos bárbaros; quem presidiu ao estabelecimento do direito público e privado das nações que surgiram depois da conquista [...] quem, enfim, salvou o tesouro das letras e das artes do naufrágio que ia devorá-las para sempre e deixar a raça humana sumida nas trevas” (El Año Liturgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, vol. II, pp. 885-887).

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Glorificação de São João de Capistrano,
herói da Cruzada contra os turcos, na catedral de Viena

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
Luis Dufaur
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No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando São Lourenço de Brindisi prometeu a vitória
e ordenou atacar

São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
São Lourenço de Brindisi com crucifixo à mão ordena atacar.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: São Lourenço de Brindisi líder vitorioso contra os turcos invasores



O Pe. Rohrbacher continua:

“O frade opinou pelo ataque. E, pela segunda vez, assegurou à assembleia uma vitória completa.”

O que evidentemente transmitia uma certeza carismática.

Ele comunicou coragem, naturalmente.

“Tendo diminuído o temor com essa resposta decidiu-se começar a batalha e os soldados foram colocados em posição.”

Ou seja, foi a palavra dele que determinou isso que, humanamente falando, seria possivelmente ou provavelmente uma temeridade.

“Frei Lourenço, a cavalo, colocou-se na primeira linha revestido de seu hábito religioso.”

Não para combater, porque um sacerdote não derrama sangue mas é para estimular com sua presença. Quer dizer, para levar os outros ao combate, para levar os outros à luta.