quarta-feira, 18 de abril de 2018

Santo Odilon (III), leão pela causa da Igreja e escravo de Nossa Senhora

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Santo Odilon, abade de Cluny, foi exemplo de uma mobilidade e de uma resistência física pouco comuns. Viajava muito, com numerosa escolta.

Jamais deixou-se reter, nem pelas neves abundantes, nem pelas chuvas diluvianas, nem pelos rios transbordados.

É sempre ele que estimula sua tropa, submetendo-a às piores provas de coragem e de resistência.

Verdadeiro condutor de homens, ele o foi nas estradas tanto quanto nos claustros.

Ele o é ainda mais pela continuidade no esforço.

Não somente não se detém nunca, mas tem-se a impressão de que, ao longo de toda sua vida, ele persegue sua missão, imperturbável, quaisquer que sejam suas dificuldades, quaisquer que sejam as infelicidades dos tempos.

Capaz de defender seus direitos, sabe também fazer acomodações, a fim de e-vitar ressentimentos; renunciar por um tempo às suas pretensões legítimas, se julga mais útil contemporizar.

Sobressai nele ainda essa facilidade para se adaptar a cada um, qualquer que seja sua posição, o que Jotsaud considera uma característica da justiça, mas que é também habilidade e senso das realidades.

Este homem de princípios, que durante uma longa vida perseguiu fins precisos, soube entretanto conciliar todos os espíritos e guardar sua independência.

O escravo de Nossa Senhora

Quando era já adulto, entrou numa igreja dedicada à Mãe de Deus, para ali se consagrar a Nossa Senhora. Pôs-se diante de seu altar para a mancipation du col – quer dizer, ele passou uma corda no pescoço e pôs a extremidade sobre o altar – pronunciando a seguinte fórmula de mancipação:

“Ó terníssima Virgem e Mãe do Salvador de todos os séculos. A partir de hoje e para sempre, tomai-me a vosso serviço. A partir de agora, em todas as circunstâncias, sede minha misericordiosíssima advogada. Vinde sem cessar em meu auxílio. Com efeito, depois de Deus, não quero amar ninguém mais do que a vós. Com minha inteira vontade, como vosso próprio servo, entrego-me à vossa dominação”.

A morte, síntese de sua vida

Às Vésperas, os frades levaram seu leito diante do altar de Nossa Senhora. Achou ainda um resto de forças para impor os salmos: a emoção e a tristeza abatendo os religiosos, eles se enganam na salmódia, mas logo o santo retifica seus erros, e prossegue o canto.

Fica um momento a sós, em oração, após o Ofício, e depois é reconduzido à enfermaria. Ele preocupa-se com o que fazem os frades, porque era Sábado: temia que deixassem o lava-pés para uma hora muito avançada, pois a noite já caía.

Repousa um momento. Quando volta a si, está no fim. Sustentam-no sobre o leito, e logo sua cabeça se abate. Em seguida, preparam-no deitando-o no solo, sobre o cilício e a cinza, e acendendo os círios.

Ao grande rumor que fazem os monges, dando livre curso às suas penas, ele se levanta, faz sinal de silêncio e pergunta onde está. “Senhor, sobre a cinza e o cilício” – lhe dizem. Ao que ele responde: “Graças a Deus”.

Em seguida, pergunta se todos estão ali. Todos o assistem. Pronuncia palavras ininteligíveis, alternativamente cala-se e fala, lança um olhar terrível em direção ao Oriente, fixa seus olhos sobre a cruz. Sua face parece sorrir.

Enquanto seus lábios proferem em silêncio as palavras de uma última prece, sem nenhuma convulsão de seu corpo, sem manifestar a menor alteração na harmonia de sua alma, os olhos fechados, adormece em paz. Estava-se na primeira vigília do Domingo, 1º de janeiro.


(Fonte: resumo de Pe. P. Jardet, “Saint Odilon, abbé de Cluny ‒ Sa vie, son temps, ses oeuvres”, Imprimerie Emmanuel Vite, Lyon, 1898.)


Vídeo: Cluny, alma da Idade Média









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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Santo Odilon (II), um abade que modelou a Cristandade

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Das palavras de Santo Odilon defluía a alegria. Quando contava qualquer coisa, era de tal modo vivo que nos forçava a rir.

Mas ele, que prendia bem as rédeas, nos indicava logo um capítulo da Regra: “Detestar o riso estúrdio e cadenciado”.

Ou ainda: “O monge não deve ser leviano e pronto a rir, porque está escrito: É o tolo que estoura a rir”.

De um modo ou de outro, prendia nossa hilaridade, mas seu gozo espiritual nos havia sido comunicado e dilatava nossa alma. “Eu me esforçarei – dizia ele – por ser veraz antes que eloqüente. Nosso ministério não se pode permitir as pequenas glórias de um discurso pomposo. Nós nos esforçamos por ser, e não por parecer”.

A temperança vem por último, na lista das virtudes. Por definição, ela guarda a medida e a ordem de tudo aquilo que é preciso dizer e fazer. Santo Odilon a praticava de modo excelente. Em seus atos ou em suas ordens, ele guardava a medida, mantinha a ordem, mostrava uma admirável discrição.

Seguia o conselho de São Jerônimo: como um cocheiro, conduzia seus jejuns, segundo suas forças ou sua estafa. Assim, ele tomava um pouco de tudo que lhe traziam, para evitar o escrúpulo, mas se regrava, sem dar ocasião a ninguém de louvar suas privações.

Suas vestes eram somente as necessárias, sem mais. Elas não podiam ser consideradas nem muito belas nem muito miseráveis. Já que nada vale mais que o exemplo, para fazer entender as coisas, não será fora de propósito contar a história de Guiges, Conde de Albon. Ele foi salvo pela discrição de Santo Odilon, em circunstâncias pouco comuns.

Este Guiges, conversando um dia com Santo Odilon, disse entre outras coisas que tornar-se monge, para ele, era uma coisa impossível, a menos que lhe fosse per-mitido conservar suas vestimentas seculares.

O homem de Deus tomou-lhe ao pé da letra a palavra, e aquiescendo a seu capricho, ganhou essa alma para Deus, porque ele se tornou monge.

No início era visto ir e vir com seus belos trajes confortáveis, em vez do hábito. Mas, à força de ter sob os olhos a humildade dos frades, a simplicidade de suas vidas e de suas vestes, começou a ter-se por um intruso entre as ovelhas de Cristo.

Espontaneamente, alijou suas belas coisas do século, e eis que, num breve prazo, cerca de vinte dias depois de sua conversão, morreu santamente.

Colocado acima dos outros, Santo Odilon procurava voluntariamente a humildade e a compunção. Ele julgava a si próprio, de mais bom grado do que repreendia os outros.

Era tão empenhado em obras de misericórdia, que jamais recusava ajuda a ninguém. Levava vida comum com os Irmãos, a ponto de partilhar, com quem lhe pedisse, tudo aquilo que fosse de seu uso.

Um dia, fizeram-lhe saber que um Irmão tremia de frio, e ele refletia nisso tristemente, não achando nada para dar-lhe. Na noite seguinte, estando no coro, pensava sempre na nudez do Irmão: o que fazer para vesti-lo? De repente, chamou-o por sinais a sair do coro, e tirando às ocultas seu colete, deu-lho para se cobrir.

Nada escapava a seu zelo

Não posso descrever em detalhes sua caridade fraternal. Ele a espalhava por seu próprio afeto, antes de pregá-la. Ensinava-a, sobretudo por atos, porque amava os Irmãos com o calor íntimo de sua alma.

Queria fazer crescer cada um deles, impulsioná-los ao amor divino, e com isso avivava sua própria alma. Jamais desprezava ou repelia ninguém. Por uma caridade verdadeiramente divina, convidava todo mundo, sem reservas, a gozar de sua indulgência.

Aquele que ama verdadeiramente é engrandecido e sobre-elevado pela graça de sua própria consciência, e ele ardia de desejo e de amor. Amava, com uma carida-de bem ordenada, a Deus mais do que a si mesmo, ao próximo como a si mesmo, e às coisas menos do que a si mesmo.

Manso e paciente, dava graças quando se lhe fazia mal, mas chorava se a in-justiça atingira os pobres. Porque Cristo disse: “Tudo o que fizeres a um de meus pequeninos, é a Mim que o fareis”.

Procurava prover os seus necessitados com o mesmo zelo que teria se tivesse diante de si a própria pessoa de Cristo. Por isso era constantemente assediado por uma multidão de mendigos.

Intendente fiel e sábio, coletava para eles víveres e vestimentas. Fez mesmo construir casas para os leprosos, às escondidas e como se fosse obra de outros, para que essa boa obra não lhe fosse atribuída.

Durante os anos de miséria, quebrou, para dar aos pobres, muitos vasos sagrados, assim como insignes peças de ourivesaria, entre elas a própria coroa do Imperador Henrique. Porque julgava indigno reservar esses objetos enquanto os pobres tinham fome, eles por quem Cristo deu o Seu sangue.

Sua solicitude se estendeu aos bens exteriores, que geriu conscienciosamente. Seu labor valeu ao mosteiro um crescimento de prosperidade, que todo mundo pôde ver. Não somente fez construir a igreja, mas dotou-a de ornamentos preciosos. Estendeu suas terras.

Para distribuir aos Irmãos os objetos de uso, decidiu sabiamente que cada mês os religiosos encarregados dos estoques dariam a todos o necessário.

Assim o convento estaria sempre em paz. Assim fazendo, pensava na tranquilidade dos Irmãos, não os querendo deixar necessitados.

Aplicando seu espírito a essas questões materiais, conservava um constante cuidado com os valores interiores. Sua alma fervente procurava promover o fervor da observância.

Suprimiu do mosteiro um bom número de estudos supérfluos, e introduziu em contrapartida aquelas que podiam favorecer a vida religiosa. Proibindo aquilo que era pouco útil, procurou sempre, em tudo e através de tudo, a dignidade e a santidade da igreja de Cluny.


(Fonte: resumo de Pe. P. Jardet, “Saint Odilon, abbé de Cluny ‒ Sa vie, son temps, ses oeuvres”, Imprimerie Emmanuel Vite, Lyon, 1898.)


quarta-feira, 21 de março de 2018

Santo Odilon (I), modelo das virtudes de um abade medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A abadia de Cluny, na Borgonha, França, está comemorando seu 1.100 aniversário.

Ela foi a alma e a cabeça do monasticismo medieval tendo chegado a estar à testa de um conjunto de 30.000 abadias e casas monásticas na Europa toda.

Na construção desse imenso patrimônio moral e cultural destacaram-se certas almas de elite, verdadeiros heróis dos claustros que seguiam as pegadas do grande São Bento.

Esses claustros irradiavam a espiritualidade, a cultura e a civilização para toda a Cristandade.

Dentre esses heróis pouco conhecidos, destacou-se Santo Odilon, quinto abade de Cluny (962-1048). Ele provinha da nobreza de Auvergne. Mesmo antes de completar o ano de provação ele foi eleito coadjutor do Abade São Mayeul.

 E, pouco depois da morte desse santo, foi eleito em 994 abade da gloriosa Cluny. Nesse momento ainda não tinha recebido o sacramento da Ordem.

O pontificado de Santo Odilon estendeu-se por mais de meio século e modelou para sempre o perfil moral de Cluny.

O rápido e altamente qualificado desenvolvimento do mosteiro e de sua irradiação na Igreja é devido principalmente a sua caridade e cavalheirosidade, a seu apostolado e talento organizativo. (Fonte: Catholic Encyclopaedia)

Odilon tinha um passo grave e uma voz admirável. Ele falava bem. Era uma alegria vê-lo. Seu rosto angélico, seu olhar sereno, cada um de seus movimentos, de seus gestos, todo ato de seu corpo exprimia a honestidade. Cada dobra de suas vestimentas revelava a dignidade, o respeito próprio e dos outros.

Tinha em si qualquer coisa de luminoso, que convidava a imitá-lo e a venerá-lo. A luz da graça que habitava nele brilhava no exterior, por assim dizer, manifestando o quilate de sua alma.

Como o comportamento de uma alma transparece na apresentação do corpo, falemos brevemente de sua aparência exterior.

Era de porte mediano. Seu rosto exprimia simultaneamente a autoridade e a benevolência. Com os mansos mostrava-se sorridente, acolhedor.

Mas para os orgulhosos e rebeldes, tornava-se terrível, a ponto de eles não poderem suportar seu olhar. Nele a magreza acentuava a força, a palidez era uma elegância, os cabelos brancos uma distinção.

Seus olhos tinham um brilho singular, que inspirava ao mesmo tempo o espanto e o temor. Eram olhos acostumados às lágrimas, porque tinha recebido a graça da compunção.

De seus movimentos, de seus gestos, de seu passo, emanava uma espécie de autoridade, de gravidade, de paz.

Sua acolhida era um raio de alegria e de graça, uma extraordinária surpresa. Era perfeitamente senhor de si.

Sem artifícios, sem fraudes, a natureza tinha feito dele qualquer coisa de admiravelmente harmonioso e ordenado.

Santo Ambrósio tem razão em dizer que a beleza não tem lugar de virtude. Contudo, desprezaremos essa graça?

Primeiro na dignidade, ele se esforçava por ser igualmente o primeiro no trabalho, seguindo a palavra da Escritura: “Jesus se pôs a operar e a ensinar”. Grande leitor, tinha freqüentemente um livro nas mãos, mesmo em viagem.

Enquanto cavalgava, refazia na leitura as forças de sua alma.

Quando meditava os livros de sabedoria mundana, observava com sagacidade aquilo que a voz divina dita ao legislador no Deuteronômio: “A cativa estrangeira poderá tornar-se a esposa de seu vencedor arrasado e de garras cortadas”.

Autorizado por esse exemplo, guardava na sua memória aquilo que de bom achava nos livros dos filósofos.

O resto – quer dizer, o amor e o cuidado dos bens deste mundo – ele extirpava e alijava, como coisa infecta e mortal.

Perscrutava a lei divina com espírito especulativo e penetrante. A sua aplicação à leitura santa absorvia-o, a ponto de torná-lo por instantes alheio aos outros e a si mesmo.

Entregava-se, pode-se dizer, todo inteiro ao livro sacro. Lá ele auferia, das fontes do Salvador, o que distribuir em seguida gratuitamente.

Rodeava-se de doutores, desejando sempre aprender deles, enquanto todos o consideravam um poço de ciência.

Disso ele não tinha vaidade, não se considerando um grande homem, mas perscrutava as coisas divinas como uma criança, desejando com toda a alma aprender sempre.

Ávido de leituras, incansável na oração, pode-se dizer que a toda hora era útil aos outros ou a si mesmo.

Quando guardava o silêncio, estava com o Senhor. Mas se falava, era sempre no Senhor ou do Senhor.

(Fonte: resumo de Pe. P. Jardet, “Saint Odilon, abbé de Cluny ‒ Sa vie, son temps, ses oeuvres”, Imprimerie Emmanuel Vite, Lyon, 1898.)


quarta-feira, 7 de março de 2018

A poesia épica medieval captou o maravilhoso que latejava na realidade


Luis Dufaur
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Aquele que pretendeu que os franceses não tinham «a cabeça épica» ignorava a Idade Média. Nenhuma literatura é mais épica do que a nossa.

Não só se inicia com a Chanson de Roland [Canção de Rolando], mas compreende mais de cem outras obras que são tão boas como ela e que continuam um tesouro a explorar.

Todas, ou quase todas, testemunham essa simplicidade na grandeza, esse sentido das imagens, que fazem do autor da Chanson um dos maiores poetas de todos os tempos.

O caráter da epopéia francesa é precisamente este tom simples e despojado que é o de toda a nossa Idade Média: os heróis não são nela semideuses, são homens, cujo valor guerreiro não exclui as fraquezas humanas.

Rolando ou Guilherme de Orange são seres todos cheios de contrastes, cuja valentia arrasta alternadamente desmesura e humildade, excesso e desalento.

Nossas epopeias não são um monótono desfile de indivíduos heroicos e de façanhas prodigiosas.

A valentia é nela estimada acima de tudo, mesmo a dos inimigos e dos traidores, e com ela o sentimento da honra, a fidelidade ao vínculo feudal.

Por isso os heróis da Chanson de Roland [Canção de Roldão] permanecem tão ricos em cores na nossa imaginação:

Rolando, bravo mas temerário, Turpin, o arcebispo piedoso e guerreiro, Olivier, o sábio, e Carlos, alto e poderoso imperador, mas cheio de piedade pelos seus barões massacrados e abatido por vezes pelo peso de sua existência «penosa».

O autor soube evocar esses personagens por imagens e gestos, não por descrições.

Todos os pormenores que ele dá são «vistos» e fazem ver; esse estandarte completamente branco, cujas franjas de ouro lhe descem até aos joelhos, coloca melhor Rolando na beleza resplandecente do seu trajo do que o faria uma descrição minuciosa à maneira moderna.

Os feitos e os gestos dos heróis, seus pensamentos e preocupações são tratados em pinceladas claras e rápidas, com uma arte infinita nos pormenores como tal silhueta, cor, reflexo de um cobre ou o som de um tambor.

São as cintilações que jorram dos «elmos claros» durante a confusão de um combate, os rubis que luzem nas «maças dos mastros» da armada sarracena, ou ainda essa luva que Rolando estende a Deus no seu arrependimento e que o Arcanjo Gabriel agarra.


(Fonte: Régine Pernoud, “Luz sobre a Idade Média”, excertos).



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