terça-feira, 27 de outubro de 2026

Godofredo de Bouillon, primeiro rei de Jerusalém

O duque Godofredo de Bouillon dirigie o assédio
O duque Godofredo de Bouillon dirigie o assédio
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Os infiéis, tomados de espanto (devido às vitórias dos francos) nada melhor acharam para fazer do que mandar uma embaixada de Ascalom, de Cesareia e de Tolemaida, a Godofredo, para saudá-lo da parte daquelas cidades.

A mensagem estava assim redigida:

“O Emir de Ascalom, o Emir de Cesareia e o Emir de Tolemaida ao Duque Godofredo e a todos os outros, saudação.

Nós te suplicamos, mui glorioso duque e muito magnífico, que, por tua vontade, nossos cidadãos possam sair para seus negócios em paz e segurança. Nós te mandamos dez bons cavalos e três boas mulas, e todos os meses te oferecemos, a título de tributo, cinco mil bizantinos”.

Vitral na basílica de Saint Denis, França, representa a Godofredo de Bouillon, protetor do Santo Sepulcro
Vitral na basílica de Saint Denis, representa a Godofredo de Bouillon,
protetor do Santo Sepulcro
O Rei de Jerusalém levou suas armas vitoriosas além do Líbano, até os muros de Damasco.

Ele fez ao mesmo tempo várias outras incursões na Arábia, de onde voltava sempre com um grande número de escravos, cavalos e camelos.

Sua fama estendia-se cada vez mais.

Comparavam-no a Judas Macabeu pelo valor; a Sansão pela força de seu braço, e a Salomão pela sabedoria de seus conselhos.

Os francos que haviam ficado com ele abençoavam seu reinado e sob sua dominação paterna eles esqueciam até sua antiga pátria.

Godofredo exalou seu último suspiro a 17 de julho, um ano depois da tomada de Jerusalém.

Alguns historiadores deram-lhe o título de rei.

Morte de Godofredo de Bouillon. Sala das Cruzadas, Versalhes.
Morte de Godofredo de Bouillon. Sala das Cruzadas, Versalhes.
Outros chamaram-no de duque cristianíssimo.

No reino que tinha fundado, ele era freqüentemente proposto como modelo aos príncipes e aos guerreiros.

Seu nome lembra ainda hoje as virtudes de tempos heróicos e deve viver entre os homens tanto quanto a lembrança das cruzadas.

Foi sepultado ao pé do Calvário.


(Fonte: Joseph-François Michaud – “História das Cruzadas”)

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Os Guardas Suíços: “Defensores da liberdade da Igreja”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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“Alista-se nos guardas, e aumentarás teu brilho”: este slogan dos regimentos de guarda da Rainha da Inglaterra poderia aplicar-se a todos os corpos de honra dos soberanos atuais ou passados.

Os guardas de honra reais tinham sempre gozado de um grande prestígio junto a seus compatriotas, mesmo quando, às vezes, inspirando medo.

Os ‘Suíços’ de Luís XVI resistiram até o último contra a revolta de 10 de agosto de 1792 em frente às Tulherias; os guardas britânicos participaram da batalha de Waterloo.

A história dessas guardas permite atravessar os mais célebres períodos da historia do mundo.

Os turistas que visitam a Itália e sua capital dirigem sempre seus passos para os mesmos monumentos e museus célebres, mas nenhum fica sem ver os guardas suíços.

Este minúsculo território, o Vaticano, situado no coração de Roma, abriga há mais de cinco séculos, o mais antigo exército da Europa.

Apenas aparecem, os guardas são fotografados, mas ninguém imagina, ao lhes admirar os uniformes, que esses homens, aparentemente folclóricos, pertencem a um corpo de elite cuja tradição é ancestral.

A 31 de outubro de 1503, os Cardeais reunidos em conclave elegem Júlio de La Rovere para o trono pontifício sob o nome de Júlio II.

Como seu predecessor Sixto IV, o novo Papa deseja reforçar seu poder temporal.

É-lhe necessário para isso expulsar os franceses da Itália, rompendo notadamente sua aliança com os suíços, cujo papel não é negligenciável nesse predomínio francês.

Júlio II criou então a “guarda suíça'', que ficaria a serviço dos Soberanos Pontífices. Uma centena de homens, recrutada nos cantões de Lucerna e Zurich e posta sob as ordens de Kaspar von Silenem, originário de Uri.

Estes soldados vão logo se revelar combatentes excepcionais, notadamente no saque de Roma, empreendido a 6 de maio de 1527 pelo Condestável de Bourbon por, ordem de Carlos V.

Na Porta delle Fornaci a guarda suíça resiste heroicamente; mas, logo sepultada pelo número dos assaltantes, não pôde impedir a devastação da cidade vaticana.

Só quarenta e dois sobrevivem acompanhando Clemente VII ao Castelo Sant'Angelo.

O intervalo é de curta duração, pois a 5 de junho o Papa rende-se e dissolve a guarda... por vinte anos somente.

Em 1548, Alexandre Farnese, Soberano Pontífice sob o nome de Paulo III, a re-institui sob as ordens de Jost ven Meggen.

Apesar das vicissitudes atravessadas pelo Vaticano no decurso dos séculos seguintes, os guardas suíços permanecem de uma fidelidade exemplar ao Trono de São Pedro, e que lhes vale logo o título invejado de “Defensores da Liberdade da Igreja”.

Um traje de Michelangelo

A celebridade dos guardas suíços liga-se principalmente a seu uniforme. Desenhado por Michelangello, não sofreu reais transformações desde aquela época, a última, tendo sido em 1915, a do coronel Jules Repont.

Em contrapartida, as cores do traje nunca mudaram: o vermelho simboliza a bandeira helvética, enquanto que o azul e o amarelo são as do fundador do corpo.

Os guardas vestem este uniforme de tempos idos em cerimônias oficiais, especialmente quando o Papa recebe algum chefe de Estado estrangeiro.

Em dias comuns, usam um uniforme bastante mais funcional, de cor azul, e trocam suas legendárias alabardas por um fuzil cuja utilidade é toda relativa.

Uma lei pontifícia proibe, com efeito, a qualquer um, disparo no recinto do Vaticano.

Fiéis à sua tradição, os guardas suíços têm como missão velar pela segurança e independência dos Estados Pontifícios, bem como assegurar a proteção pessoal do Papa.

Uma vez por ano, em princípio, vestem o grande traje de cerimônia. Todos os 6 de maio, com efeito, realiza-se no Pátio de São Dâmaso o juramento dos novos guardas. Para isso colocam ‘o capacete cinzelado com o brasão dos La Rovere’, bem como a couraça, e renovam nesta ocasião sua fidelidade ao Papa.

Um recrutamento difícil

Ser guarda suíço não é coisa fácil e os que pretendem devem apresentar qualidades excepcionais, atendendo a uma série de critérios draconianos.

É preciso obviamente ser cidadão helvético, mas originário dos cantões de Zurich, Unterwalden, Uri ou Lucerna, em principio. O candidato deve também ser celibatário, ter menos de trinta anos, ser de uma moralidade irrepreensível e... medir mais de um metro e setenta e quatro.

O principal motivo de alistamento na guarda permanece de ordem moral e espiritual e os jovens suíços que escolhem de servir o Soberano Pontífice são católicos fervorosos, principal condição do recrutamento, e não esperam de seu serviço nenhuma satisfação material.

Todo alistamento na guarda é de pelo menos dois anos, e atualmente certos homens podem comprovar mais de vinte anos de serviço.

Além da proteção dos Estados e da segurança do Papa, os guardas suíços garantem igualmente a dos Cardeais reunidos em conclave durante a vacância do Trono Pontifício.

Atualmente, os cento e vinte homens da guarda são comandados pelo Coronel Franz Pfyffer von Altishofen, que é o undécimo membro da família a ocupar esse posto. Esta linhagem presidiu os destinos da guarda suíça sem interrupção desde 1652 até 1847, uma fidelidade à imagem daquele que a guarda suíça tem para com o Papa desde 1506.

(Autor : Benoît Serre, Point de Vue, no 2168, pp. 38, 39, Cavenne Éditeurs, Paris, 1990)


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JOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Santo Antonio, “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”, e o milagre de tomada de Orã

Santo Antônio, cf. representação de Giotto ( Legenda de São Franciso - Aparição de Arles - detalhe  )
Santo Antônio, Giotto, basílica de Assis
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, Confessor e Doutor da Igreja é chamado “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”, foi um frade franciscano do século XIII.

Estando em 1950 em Assis, eu tive ocasião de me documentar a respeito de como era Santo Antônio.

E ali se mostra, na Basílica de Assis, um quadro pintado por Giotto, que passa por ser o quadro mais provavelmente representativo da pessoa de Santo Antônio.

E se trata de uma pessoa de corpo hercúleo, de pescoço taurino, forte, de expressão de fisionomia séria, de olhar imperioso e majestoso.

Sua atitude corresponde a um Doutor da Igreja que ele era.

Comprei então algumas fotografias dessa imagem.

Ao mesmo tempo, comprei uma pilha de estampas iguais que eram vendidas às pessoas que iam à igreja também.

Mas, elas representavam Santo Antônio, não de acordo com a probabilidade histórica do quadro de Giotto, mas de acordo com uma concepção que figura nas imagens comuns.

Então, um homenzinho imberbe, coradinho, com o Menino Jesus no braço, com um ar de quem não entende muito o que está fazendo com o Menino Jesus no braço.

Santo Antônio - Iconografia eivada de sentimentalismoO Menino Jesus também com uma cara de quem não entende muito o que está fazendo no braço de Santo Antônio, sorrindo os dois um para o outro como que dizendo: desculpe, aqui deve haver algum equívoco.

Nessas imagens de Santo Antônio, nada havia que falasse no Doutor da Igreja, nada que representasse o homem que era tido como o maior conhecedor do Novo e Antigo Testamento, - as Sagradas Escrituras.

Porque ele conhecia as passagens mais raras, mais excepcionais, mais ignotas de todas e tirava delas efeitos de pregação extraordinários.

E Santo Antônio, conhecido como o “Martelo dos Hereges”, como polemista, como homem que era capaz de discutir - não de "dialogar" (no sentido irenístico do termo *).

Ele era capaz de entrar em debate com os hereges e de achatá-los. Não havia ninguém como ele.

E ainda ele ficou famoso pelos milagres que completavam sua pregação e faziam com que fosse o terror dos hereges.

O verdadeiro Santo Antônio histórico é apontado pela Igreja para nosso modelo.

A imagem verdadeira desse grande santo desapareceu quase completamente. É uma figura física que nada tem a ver sobretudo com sua fisionomia moral.

Santo Antônio, além de ser o “Martelo dos Hereges” e a “Arca do Testamento”, é venerado como o Patrono das Forças Armadas.

A razão disso está em que Santo Antônio, em certa ocasião, foi objeto de um ato de devoção especial da parte de um almirante espanhol.

Uma esquadra espanhola sitiava a cidade de Orã, no norte da África, povoada de muçulmanos e não havia meio de conseguir resultado eficaz.

Insígnias militares de Santo Antônio
Então, o almirante espanhol dirigiu-se a uma imagem de Santo Antônio, colocou o chapéu de almirante sobre a imagem, deu-lhe as insígnias de comando e pediu-lhe que investisse contra Orã.

Os mouros fugiram inesperadamente. Quando interrogados, disseram que tinha estado entre eles um frade vestido com o chapéu do almirante e que tinha ameaçado Orã com o fogo de céu, e que por causa disso eles tinham achado mais prudente ir embora.

Quer dizer, este aspecto do “Martelo dos Hereges” que ao mesmo tempo incute terror aos mouros e que se apresenta a uma cidade infiel e a ameaça com o fogo do céu, todo esse aspecto foi abolido.

Aí vemos a lamentável deterioração da devoção aos santos em nossos dias.

Quer dizer, como eles já não representam, na legenda que em torno deles se criou, a verdadeira santidade.

Quem, por exemplo, comentará a respeito da vida de Santo Antônio, este fato que se deu no Rio de Janeiro e que foi o seguinte:

Santo Antônio com as insígnias de Capitão de Infantaria
S. Antônio com as insígnias de Capitão de Infantaria**
o Rio de Janeiro estava sendo cercado pelos calvinistas franceses e já estava quase completamente rendido e a cidade não tinha meios de resistir.

Os frades então tomaram a imagem de Santo Antônio, desceram com ela o morro, colocaram numa pilastra que se encontrava ali.

E a simples exibição da imagem, de um modo maravilhoso comunicou tal ardor na cidade, que grande número de jovens se alistaram, sendo possível reorganizar a resistência aos franceses, que depois de pouco tempo, foram embora.

De maneira que o Rio de Janeiro não se tornou calvinista e talvez com repercussão em toda a História da América Latina, e portanto em toda a História da Igreja, por causa dessa ação simbólica de presença maravilhosa de Santo Antônio.

Todas essas são coisas que não se dizem, não se contam, não se comentam e os senhores podem, através disso, verificar duas coisas: em primeiro lugar, como é lamentável esta torção que a vida dos santos sofreu.

Mas, por outro lado, também, como é admirável lutar para restaurar todas essas coisas e mostrar os próprios santos no seu aspecto combativo, no seu aspecto guerreiro, no seu aspecto polêmico, no seu aspecto contra-revolucionário, que a Revolução tanto gosta de esconder e de disfarçar.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência de 12/6/65. Sem revisão do autor)
___________________

(*) O Prof. Plinio aqui se refere ao conceito irenístico do termo "diálogo", magistralmente descrito em sua obra "Diálogo e baldeação ideológica inadvertida".

(**) S. Antônio com as insígnias de Capitão de Infantaria: "Santo Antonio, cuja imagem esteve colocada na muralha do Convento, defendeu o Rio de Janeiro contra os franceses, o que lhe valeu a patente de Capitão de Infantaria". (“Santo Antônio – vida, milagres, culto”, pgs. 144-146, Frei Basílio Röwer )

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São Silvestre I: tirou a Igreja da miséria das catacumbas e a fez merecidamente pomposa e soberana

São Silvestre I, (280-335 d.C.)
São Silvestre I, (280-335 d.C.)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior

O princípio da constantinização é duplo:

Primeiro, de ordem política. Esse princípio parte do reconhecimento de que a Igreja Católica é a única verdadeira. E é fácil de perceber que Ela é a única Igreja verdadeira; todo homem que pode conhecer a Igreja e não adere, é culpado.

E a Igreja deve do Estado, a proteção e o apoio, o respeito e as honras que se tributam ao que é divino.

A Igreja é uma entidade mais nobre e poderosa do que o Estado na ordem profunda das coisas, porque Ela é divina.

Daí então a famosa comparação de São Gregório VII: a Igreja é como o sol, e o Estado é como a lua.

A lua recebe a sua luz do sol e o Estado recebia todo o seu lume da Igreja.

Segundo, as coisas esplêndidas e magníficas da terra foram feitas sobretudo para o culto de Deus, e não sobretudo para o uso do homem.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

São Silvestre I, o primeiro Papa-rei de Roma

Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbio persecutório  do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbio persecutório
do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
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Dom Prosper Guéranger OSB (1805-1875), refundador da Abadia de Solesmes, escreveu em sua célebre obra L’Année Liturgique um grande elogio de São Silvestre I Papa (280-335), na qual, entre outras coisas, ele diz:

“Era justo, então, que a Santa Igreja, para reunir nessa oitava triunfante todas as glórias do céu e da terra, inscrevesse nesses dias, o nome de um santo confessor que representasse todos os confessores.

“Este é São Silvestre, esposo da Santa Igreja Romana e, por ela, da Igreja Universal.

“Um pontífice de reinado longo e pacífico, um servidor de Cristo ornado de todas as virtudes, e dado ao mundo após esses combates furiosos que tinham durado três séculos, nos quais triunfaram pelo martírio milhares de cristãos sob a direção de numerosos papas, mártires predecessores de Silvestre.

“Silvestre anuncia também a paz que Cristo veio trazer ao mundo e que os anjos cantaram em Belém.

“Amigo de Constantino, confirma o Concílio de Nicéia que condenou a heresia ariana e organiza a disciplina eclesiástica para uma era de paz. Seus predecessores representaram Cristo padecente; ele figura Cristo triunfante.

O Papado passou a ser respeitado como Jesus Cristo desejava  no pontificado de São Silvestre I
O Papado passou a ser respeitado como Jesus Cristo desejava
no pontificado de São Silvestre I
“Ele completa, nessa oitava, o caráter do Divino Menino e chega na humildade de Suas faixas, exposto à perseguição de Herodes e, entretanto, é o Príncipe da Paz e o Pai do século futuro.

“De acordo com os ensinamentos de Silvestre, o piedoso imperador confirmou com seu exemplo o direito concedido aos cristãos de construir seus templos de modo ostensivo; pois ele elevou grande número de Basílicas.

“A saber, a de Laterão dedicada a Cristo Salvador, a do Vaticano a São Pedro, a da via de Óstia a São Paulo, as de São Lourenço no Agro Verano, da Santa-Cruz no palácio de Sessorius, dos santos Pedro e Marcellino e de Santa Inês nas vias Lavicana e Nomentana, e outras ainda; que ele ornou esplendidamente com imagens santas e dotou magnificamente com propriedades e privilégios.

“Foi sob seu pontificado que se reuniu o primeiro Concílio de Niceia, no qual, sob a presidência de seus legados, na presença de Constantino e de trezentos dezoito bispos, a santa Fé católica foi explicada e Ario e seus sectários foram condenados. (...)

“São Silvestre também ditou vários decretos vantajosos para a Igreja de Deus que levam seu nome; a saber: (...) que os diáconos usariam a dalmática na Igreja e levariam no braço esquerdo um ornamento de linho; que o Sacrifício do altar se celebraria sobre uma toalha de linho”. Dom Prosper Guéranger, OSB, “L’Année Liturgique”, “Temps de Noel, Propre des Saints, XXXI Décembre. Saint Silvestre, Pape et Confesseur”.

O lindo comentário D. Guéranger nos chama a atenção para a vida desse santo, lembrado no último dia do ano, e para o exemplo que ele dá aos dias tristes em que nós vivemos.

Ele foi Papa no tempo do Imperador Constantino e presidiu à transformação da Igreja, que deixou de ser perseguida para ser rainha, deixou as catacumbas e começou a ocupar palácios.

São Silvestre I batiza o imperador Constantino
São Silvestre I batiza o imperador Constantino
São Silvestre presidiu ao desabrochar da Igreja fora das catacumbas como um sol que nasce. Foi sob suas diretrizes e inspiração que começou a obra de “constantinização” da Igreja.

O que é essa constantinização?

A obra consistiu no seguinte. Houve um primeiro edito de Constantino que concedeu liberdade à Igreja Católica.

Houve depois um outro edito, que fechou todos os templos não católicos.

Depois a Igreja começou a se instalar sobre o solo romano.

São João de Latrão é um dos troféus mais preciosos  da igreja constantiniana
São João de Latrão é um dos troféus mais preciosos
da igreja constantiniana
O imperador Constantino quis cercá-la de um luxo que reparasse os anos de imerecida miséria que Ela tinha passado nas catacumbas.

Assim, mandou construir a primeira Basílica cristã católica sobre o palácio da sogra dele, a casa dos Laterani.

Ela passou a ser a igreja de São João de Latrão, a Catedral do Papa.

Depois disso, o imperador começou a cercar os bispos de honras especiais, torná-los personagens oficiais, e cercar de todo esplendor os atos do culto católico, prestigiado pelo comparecimento pessoal do Imperador.

A Igreja passou a ser unida ao Estado e ficou uma entidade de tal maneira reverenciada que um dos motivos que levaram Constantino a deixar Roma e fundar a cidade de Bizâncio – também chamada Constantinopla – estava em deixar a cidade mais ilustre da terra, que era Roma, para que o Papa nela residisse sozinho e fosse virtualmente o soberano de Roma.

Constantino ainda não lhe deu o poder temporal, mas criou uma situação em que praticamente o Papa era o senhor temporal de Roma.

(Comentários de Plinio Corrêa de Oliveira feitos em 30-12-1966, sem revisão do autor).

Continua no próximo post


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