quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Santo Natal e Feliz Ano Novo 2018!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Balduíno IV, modelo perfeito de monarca francês, espelho do próprio Cristo

Sagração real de Balduíno IV
Sagração real de Balduíno IV
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: “Possamos venerar Balduíno IV nos altares!”: Missa de réquiem em Paris 830 anos depois.



“O segundo inimigo contra o qual Balduíno teve que lutar foi a sua Corte e, nela, especialmente sua parentela.

“Se ele ao menos pudesse apoiar-se em fiéis excepcionais como o arcebispo e o cronista Guilherme de Tiro, o marechal Onfroy de Toron ou o conde Raimundo de Trípoli!

“Mas todos cobiçavam sua sucessão sem medir o peso que a mesma implicava, faziam complô e acabaram apressando o fim do monarca.

“Não foram necessários dois anos para que as intrigas levassem a regência à ruína e o reino caísse sob os golpes dos turcos.

“Nisso consistiu a funesta Batalha de Hattin. À ambição de alguns se acrescentou a vaidade de outros, enquanto na Europa, de onde a ajuda poderia vir, a indolência atiçada por rivalidades dinásticas paralisava príncipes e reis.

“Ao longo de seu reinado, Balduíno sempre foi decepcionado por aqueles que deveriam ter sido seus maiores sustentáculos.

“Com paciência, abnegação e muita dificuldade, ele se esforçou para reconciliá-los e mobilizá-los ao serviço do bem comum.

“Pois ele lutava a cada momento contra um terceiro inimigo, ainda mais íntimo: a lepra, que apodrecia seu corpo, apresentada na Bíblia como símbolo do pecado que desfigura a alma.

“Lepra: a doença que destruindo as terminações nervosas torna o corpo insensível, mas que também, devido ao horror e às enfermidades que provoca, também tran
spassa o coração de dor.
Missa de réquiem em St-Eugene Ste-Cecile pelo rei Luís XVI, da França
Missa de réquiem em St-Eugene Ste-Cecile pelo rei Luís XVI, da França

“Tanto mais quanto Balduíno tinha tudo em favor de si: era belo, inteligente, corajoso, excelente cavaleiro, um cavalheiro completo.

“Prostrado pelos assaltos progressivos desse mal incurável, ele oferecia um exemplo admirável de equilíbrio emocional e de abnegação, esquecendo-se de si mesmo para se entregar totalmente ao serviço do reino que a Providência lhe confiou.

“Foi nesse momento que se manifestou sua grandeza, e é preciso sublinhá-lo: uma grandeza sobrenatural!

“Entre os choques das ambições, da violência e da luxúria, sob o Sinal da Cruz esse filho místico não só realizou à perfeição a figura do príncipe de acordo com o Evangelho.

“Na provação da doença, na angústia solitária e na morte precoce, ele também foi um Cristo de dores coroado de ouro e de espinhos” (Pierre-Henri Simon, Discurso de recepção na Academia Francesa).

“Cristo de dores coroado de ouro e de espinhos”!

“Sim, Balduíno aceitou carregar em sua própria carne o peso dos pecados do mesmo modo como Cristo também o padeceu de modo muito real em sua carne.

“Balduíno é uma figura crística eminente, como haveria de o ser um século depois outro rei que se tornou um peregrino do Absoluto, roído por febres e morrendo deitado sobre cinzas em frente dos muros de Túnis: São Luís.

“Então, no momento de cantar o absoluto, é necessário rezar por ele? Não é mais adequado pedir-lhe que interceda por nós?

“Para que interceda pelo Médio Oriente, ao qual ele dedicou sua existência, e pela Europa, da qual ele descendia?

Balduíno IV passa a coroa a seu sobrinho Guy de Lusignan entre as intrigas da Corte
Balduíno IV passa a coroa a seu sobrinho Guy de Lusignan
entre as intrigas da Corte
“O Oriente Médio antes de tudo. Nestes dias em que o fanatismo e a barbárie dos herdeiros de Saladino aterrorizam os cristãos e os muçulmanos, seu exemplo tem toda atualidade.

“Ele lutou lealmente com armas contra seus inimigos, mas ao mesmo tempo os muçulmanos que se estabeleceram em seu reino confessaram preferir estar sob a Cruz que sob o Crescente.

“Pois ele era ao mesmo tempo justo e misericordioso, forte e corajoso.

“Nós sabemos hoje que o mundo islâmico não ganhará nada com o desaparecimento dos cristãos do Oriente. Seu humanismo aperfeiçoado pelo Evangelho é uma promessa de paz e de reconciliação para todos os que vivem nessa região.

“A continuação a Europa, nestes dias em que a nobreza da alma desertou dos palácios disputados por todos aqueles que estão morrendo de fome pelo poder.

“Vendo esses exemplos, lamentamos com desgarradora dor o tempo dos líderes com almas profundamente cristãs que se levantavam para aglutinar em torno de si os melhores e para impor respeito à matilha dos medíocres.

“Há hoje alguns que se pavoneiam à frente de nossas instituições, quando certamente não equivaleriam sequer ao serviçal que limpou o capacete do rei na manhã de Montgisard!

“A veleidade sempre existiu, mas ela deveria reconhecer pelo menos sua inferioridade diante de tais exemplos de luz.

“Uma luz toda interior, mas por isso muito mais deslumbrante, uma luz que nasceu das trevas da Sexta-feira Santa, uma luz que fortalece os corações puros e confunde os ímpios, uma luz tão contrária aos incêndios de um mundo fanático e grosseiro, ávido de poder e fascinado pela riqueza da vítima que ataca.

“Uma luz que se opõe aos fogos fátuos do mundo materialista, afogado em sua riqueza e em seu vazio existencial.

“Balduíno nos traz à memória as palavras do Profeta Samuel ao jovem Davi: “O olhar de Deus não é como o dos homens, pois o homem olha para a aparência, mas o Senhor olha para o coração” [2 Salmos 16, 7].

“Sua alma foi agradável ao Senhor, por isso Ele se apressou a sair logo do meio da perversidade”.
“Sua alma foi agradável ao Senhor, por isso
ele se apressou a sair logo do meio da perversidade”.
“Esse ensinamento é muito atual na hora em que neste mundo de aparências cosméticas e de superficialidade, estamos prestes a suprimir legalmente aqueles que nos evocam a debilidade do homem onde o poder de Deus pode transparecer.

“Hoje o moribundo, amanhã os deficientes e, por que não, depois de amanhã aqueles cuja mente não está em conformidade com o pensamento dominante.

“Não! A dignidade do homem não está na aparência do corpo, está na pureza do coração.

“Balduíno, o leproso, rei de Jerusalém, atravessou as sombrias tempestades da História como um astro de luz. De uma luz no meio das trevas cujo mistério apenas a fé pode decifrar.

“Tendo atingido em pouco tempo a perfeição, percorreu uma longa carreira. Sua alma foi agradável ao Senhor, por isso ele se apressou a sair logo do meio da perversidade”.

E o Livro da Sabedoria continua: “As multidões veem sem entender. O justo que morre condena os ímpios que vivem, e a juventude rapidamente consumada condena a longa velhice do injusto” [Sabedoria 4, 13-16].

“Nos dias em que a Igreja nos exorta a seguir mais de perto a Cristo, o exemplo de Balduíno, identificado até mesmo em sua carne com a Paixão de seu Mestre, nos convoca à força de alma, à inteligência política, a penetrar e assimilar o mistério do Salvador.

“Que nos seja dado um dia venerá-lo no alto dos altares!”


(Fonte: Le Rouge et Le Noire, 16/3/2015)


Missa de réquiem por Balduíno IV, Paris, 2015




A batalha de Montgisard






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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

“Possamos venerar Balduíno IV nos altares!” Missa de réquiem em Paris, 830 anos depois

Na igreja de St-Eugene Ste-Cecile, foi celebrada uma missa de réquiem  pelo repouso eterno do rei de Jerusalém Balduíno IV
Na igreja de St-Eugene Ste-Cecile, Paris: missa de réquiem
pelo repouso eterno do rei de Jerusalém Balduíno IV
Luis Dufaur
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A fama luminosa que envolve a figura do rei de Jerusalém Balduíno IV vara os séculos. E vem crescendo enquanto o Islã tenta sucessivos e criminosos golpes contra os restos da Civilização Cristã.

Testemunho eloquente disso foi o sermão pronunciado no sábado, 14 de março de 2015, na missa de réquiem pelo heroico rei leproso, por ocasião do 830º aniversário de sua morte.

A missa foi celebrada na igreja de Saint-Eugène-Sainte-Cécile, situada no coração de Paris, tendo o vigário, Pe. Éric Iborra, evocado a memória de Beduíno IV com estas palavras, que dispensam comentários:

“Faz o que deves, aconteça o que acontecer”. No dia 16 de março de 1185, há 830 anos, expirava Balduíno IV de Jerusalém. Ele tinha 24 anos.

“Humildemente, insensivelmente, abandonava seu corpo devorado pela doença na Jerusalém terrestre, a cuja defesa se consagrara inteiramente, para ir morar na Jerusalém celeste, residência prometida pelas Escrituras, à qual aspirava com todo o seu ser, e ali conhecer a beatitude num corpo glorioso.

“Ele, o débil, o doente, havia conseguido deter o avanço de Saladino, o maior, o mais poderoso, o mais determinado dos inimigos que a Terra Santa jamais conheceu.

“Após doze anos de reinado, ele deixava intacta a herança que lhe havia legado seu pai.

“No leito de morte, ele convocou pela última vez os grandes senhores feudais do Reino.

“O adeus a cada um foi impressionante e lancinante, pronunciado por esse ser desfigurado cujo simples semblante provocava o espanto e uma profunda compaixão.

“Em meio ao denso silêncio dos barões, um sopro de voz saía de lábios deformados com um tom tão particular e tão enternecedor, com leves defeitos de pronúncia, pedindo a todos jurar fidelidade a seu sobrinho e herdeiro, e respeitar suas derradeiras vontades relativas à regência.

Morte de Balduino IV e coroação de Guy de Lusignan, Biblioteca de Genebra, FAL_021866
Morte de Balduíno IV e coroação de Guy de Lusignan.
Biblioteca de Genebra, FAL_021866
“Tocados no mais profundo de si mesmos, transpassada sua rude carapaça por tanta grandeza e devotamento, todos juraram com emoção para comprazê-lo, e testemunharam-lhe pela última vez sua confiança, sua fidelidade e seu afeto.

“Então, Balduíno acabou de completar seu último combate.

“Foi assim que partiu Balduíno de Jerusalém, o rei leproso, ‘estoica e dolorosa figura, a mais nobre talvez da história das Cruzadas, figura cujo heroísmo, sob as pústulas e as crostas que o cobriam, continha a santidade, a verdadeira esfinge do rei francês’” [René Grousset, L’épopée des croisades, Perrin, 2000, p. 181.1].

“Uma figura desfigurada, aliás, muito esquecida – na França pelo menos –, como está esquecida também a lembrança desse reino franco da Terra Santa que seus sucessores não souberam conservar.

“Esquece-se daquele que, durante dez anos, enfrentou Saladino e o fez fugir mais de uma vez.

“Esquece-se que esse rei era um adolescente.

“Esquece-se que, durante o seu reinado, ele teve de suportar uma das provações mais severas que um ser humano possa experimentar: a da lepra.

“Esquece-se que, apesar da adversidade, seu país era próspero e as cidades, que depois foram riscadas do mapa, eram ricas!

“Lembra-se demasiadamente das falhas cometidas após sua morte e negligenciam-se as realizações notáveis de seu reinado.

“Deve-se sempre lembrar que ele emergiu vitorioso de três inimigos que o assaltaram sem descanso: Saladino, as intrigas da Corte em torno de sua sucessão, e sua doença.

“Vamos evocá-los sucessivamente.

“Saladino foi esse fanático general curdo que tomou o Egito e a Síria quando o pai de Balduíno morreu.

Balduino IV derrota Saladino perto de Ascalon
Balduíno IV derrota Saladino perto de Ascalon
“Tanto que “o reinado do infeliz jovem”, diz R. Grousset, “foi apenas uma longa agonia, mas uma agonia a cavalo, voltada contra o inimigo, que enalteceu a condição da dignidade real, do dever do cristão e da responsabilidade da Coroa nessas trágicas horas em que o drama do rei correspondia ao drama do reino” (Grousset, ibid.).

“Nunca, enquanto Balduíno viveu, Saladino conseguiu obter uma real vantagem.

“E as vitórias mais gloriosas das Cruzadas foram as do leproso adolescente.

“Coroado em 1174, ele repeliu os turcos pela primeira vez em 1176, aos 15 anos, quando acabava de atingir a maioridade.

“Em 1177, em Montgisard, quando não tinha ainda 17 anos e a situação parecia desesperada, com apenas 400 cavaleiros, ele pôs para correr um exército de 26 mil homens.

O Patriarca de Antioquia, Miguel o Sírio, narra:

“Deus, que faz a sua força aparecer nos fracos, inspirou o rei.

Montgisard
Montgisard
“Ele desceu da sua liteira, curvou-se com sua face no chão diante da Verdadeira Cruz e orou com lágrimas.

“Nessa visão, o coração dos soldados estremeceu, e eles juraram pela Cruz não recuar e considerar como um traidor quem quer que retrocedesse.

“Eles montaram seus cavalos e carregaram”.

“Foi uma vitória brilhante.

“A guerra continuou durante os três anos seguintes, culminando numa trégua infelizmente quebrada pela culpa do cruel e inconsistente Renaud de Châtillon.

“Balduíno abafou toda queixa, foi assistir seu vassalo e derrotou o sultão. E não deixou de se opor a suas renovadas ofensivas.

“Com o corpo carcomido pelas úlceras, quase cego e incapaz de deixar sua liteira, o rei galvanizou as tropas e fez o inimigo fugir, tomado de estupefação vendo a energia sobre-humana desse cadáver ambulante”.


(Fonte: Le Rouge et Le Noire, 16/3/2015)


Continua no próximo post: Balduíno IV, modelo perfeito de monarca francês, espelho do próprio Cristo




GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Santo Eduardo o Confessor, Rei da Inglaterra – 2

Santo Eduardo III o Confessor
Santo Eduardo III o Confessor
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Santo Eduardo o Confessor, Rei da Inglaterra – 1



Tempos “melhores e mais felizes da Inglaterra”

“Bem merece [Santo Eduardo] que se considere seu reinado de 24 anos como um dos melhores e mais felizes da Inglaterra.

“Os próprios dinamarqueses, donos [do território] por tanto tempo, foram submetidos para sempre no interior e contidos no exterior pela postura do valente príncipe”.4

Pois os antigos vencedores, estabelecidos na Inglaterra havia 40 anos, pretendiam ter um “direito de conquista”, mas temiam, amavam e respeitavam o novo soberano. Aos poucos foram totalmente integrados na população do país.

Enquanto a Divina Providência zelava pelo reino, uma ameaça vinha da Noruega. O rei Sweyn quis reconquistar o trono inglês que seu pai, Canuto, antes ocupara.

Santo Eduardo colocou o país em estado de alerta, e esperou o pior. Mas um ataque do rei da Dinamarca à Noruega fez abortar o premeditado plano de invasão da Inglaterra.

Mais tarde Suenon, rei da Dinamarca, preparou-se também para reconquistar a Inglaterra.

Dotado do dom da profecia, Santo Eduardo estava um dia assistindo à Missa quando entrou em êxtase, derramando copiosas lágrimas. Terminado o Santo Sacrifício, seus nobres lhe perguntaram o que sucedera.

O santo revelou então que vira Suenon morrendo afogado no mar, no momento de embarcar para a Inglaterra. O que livrou o país de nova invasão.

Pouco mais tarde, em 1046, piratas dinamarqueses sitiaram Sandwich e depois as costas de Essex. Mas a pronta intervenção dos oficiais de Eduardo forçou-os a afastar-se do país.

Santo Eduardo empreendeu apenas uma guerra, para recolocar Malcolm, filho de Duncan, no trono da Escócia. Duncan fora assassinado e despojado por Macbeth, o usurpador cuja infâmia foi imortalizada por Shakespeare.

“Não se alegrava com a abundância”

Santo Eduardo III o Confessor e Sao Francisco de Asis, Londres
Santo Eduardo III o Confessor
e São Francisco de Assis, Londres
De acordo com seu primeiro biógrafo, Santo Eduardo “era pobre nas riquezas, sóbrio nas delícias, humilde na púrpura e, sob a coroa de ouro, desprezador do mundo.

“Apreciava tão pouco as riquezas, que seu tesouro parecia mais o erário dos pobres e a coisa pública de todo mundo.

“Não se alegrava com a abundância, nem se entristecia na necessidade. Era sobretudo liberal com as igrejas e mosteiros”,5 e a essa liberalidade se deve a fundação da grande abadia de Westminster, que seria o panteão dos reis e dos grandes homens da Inglaterra.

Os antigos cronistas colocam Santo Eduardo entre os melhores reis de seu tempo, dizendo que foi bom, piedoso, compassivo, pai do povo, protetor dos débeis, amigo mais de dar do que receber, de perdoar mais do que castigar.

Para atender às imposições dos que o rodeavam, Eduardo teve que contrair matrimônio. Sua escolha recaiu sobre Edite, filha do infame Godwin.

Ao contrário do pai, ela era piedosa, generosa, com uma delicadeza de espírito que a levou a aceitar a proposição do rei de viverem como irmãos, porquanto Eduardo havia feito voto de castidade.

Código: “Leis de Eduardo, o Confessor”

“Estando despido de ambição pessoal, o único objetivo de Eduardo foi o bem-estar de seu povo. Ele anulou o odioso ‘danegelt’ (tributo que se pagava anualmente aos dinamarqueses), o qual continuava a ser pago desnecessariamente.

“E, apesar de pródigo em esmolas para os pobres e para fins religiosos, fez seu próprio patrimônio real suficiente, sem impor ao povo novas taxas.

“Tal era o contentamento provocado pelas ‘leis do bom Santo Eduardo’, que sua aplicação foi repetidamente pedida pelas futuras gerações, quando se viram oprimidas”.6

Com efeito, “Santo Eduardo tornou-se sobretudo célebre por suas leis. Ele adotou o que havia de útil nas que existiam então, e fez as mudanças e adições que julgou necessárias.

“Depois, seu código tornou-se comum em toda a Inglaterra sob o nome de ‘Leis de Eduardo, o Confessor’, título pelo qual elas se distinguem das que sancionaram os reis normandos. Elas fazem ainda parte do direito britânico [século XIX], excetuando-se alguns pontos que sofreram mudanças.

“Reconhecem poucos crimes puníveis com a pena de morte e as multas são determinadas de maneira fixa, não dependem da vontade dos juízes. Elas proviam à segurança pública e garantiam a cada particular a propriedade que possuía”.7

Santo Eduardo faleceu no dia 5 de janeiro de 1066 e foi canonizado por Alexandre III em 1161.

Seu “sagrado corpo foi levantado da terra 36 anos depois de sua morte, achando-se tão inteiro e fresco, com todos os membros tão flexíveis, como se estivesse vivo, e com os trajes tão novos, como se acabassem de lhos fazer”.8

___________
Notas:
1. E.F. Saxton, Canute, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
2. Cfr. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, vol. 5, pp.433 a 441.
3. Fr. Justo Perez de Urbel, in Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, vol. IV, p. 96.
4. D. Próspero Guéranger, El Año Litúrgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, vol. V, p. 607.
5. Urbel, op. cit. p. 97.
6. G.E. Phillips, Saint Edward, the Confessor, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
7. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo 12, p. 319.
8. Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1987, tomo III, p. 167.

(Autor: Plinio Maria Solimeo, CATOLICISMO, outubro 2012



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