terça-feira, 5 de abril de 2022

Godofredo de Bouillon: milagres prévios à tomada de Jerusalém

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









No transcurso da Cruzada em que Godofredo de Bouillon era um dos comandantes aconteceu o cerco de Antioquia.

Era inverno, vieram as chuvas, e as enfermidades atingiram homens e animais. O exército cruzado ficou reduzido à metade.

A primavera trouxe uma melhora. Sobretudo devido a reforços vindos por mar, os cruzados conquistaram afinal a cidade.

Por pouco tempo, pois três dias depois os turcos voltaram com mais de 200 mil homens e cercaram Antioquia.

A fome e a doença abateram-se novamente sobre os sitiados.

Foi quando um sacerdote da Provença, Pedro Bartolomeu, anunciou que Nosso Senhor lhe havia aparecido em sonhos e revelado onde estava enterrada a lança que atravessara seu peito adorável.

Com efeito, junto ao altar da igreja de São Pedro encontraram uma lança.

Esse fato sobrenatural deu novo ânimo aos cristãos que, tomados de entusiasmo, caíram sobre os muçulmanos, apesar da desproporção numérica.

Alguns afirmaram ter visto São Jorge conduzindo a batalha. Com a vitória, Boemundo estabeleceu-se como senhor de Antioquia.

O mesmo impulso poderia ter levado imediatamente à conquista da Cidade Santa. Mas o cansaço, a falta de cavalos, e sobretudo a contenda entre os príncipes cristãos, além de outra peste devastadora que ceifou a vida de 50 mil soldados, diminuíram em muito o número de cruzados que se dirigiram a Jerusalém.

Sitio de JerusalemA cidade estava fortificada e bem defendida por mais de 40 mil homens.

No dia 7 de junho de 1099 os cruzados a cercaram. Novamente todos os sofrimentos de um sítio prolongado, como a sede sob um sol abrasador de verão, castigaram os cavaleiros da Cruz.

Finalmente, “Godofredo viu no Monte das Oliveiras um homem com brilhante escudo: ‘São Jorge vem em nosso auxílio!’” — exclamou.

Entusiasmados, os guerreiros cristãos empurraram as torres de combate para junto das muralhas da cidade.

Estenderam pontes, e Godofredo foi um dos primeiros a saltar, correndo para abrir as portas.

O exército, como a enchente de um rio, penetrou na cidade.

“O sangue corria pelas escadas e chegava até as patas dos cavalos”. “Foi um juízo de Deus”, afirma o cronista Guilherme de Tyro, “que os que haviam profanado o Santuário do Senhor com ritos supersticiosos, e o haviam tirado do povo fiel, expiassem o crime com seu próprio sangue e extermínio”.

Depois os cruzados se lavaram, e com sentimentos de piedade foram andando pelos lugares santos, osculando-os “com grande devoção, humildade e coração contrito, entre soluços e lágrimas”.


(Fonte: CATOLICISMO)



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terça-feira, 22 de março de 2022

São Germano de Auxerre lutou contra os pagãos e aterrorizou os demônios

Luis Dufaur
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A catedral de Milão é dedicada a Santa Tecla. Nela aconteceram fatos memoráveis.

Como, por exemplo, Santo Ambrósio, bispo de Milão, que tinha uma força de pregação extraordinária e que recebeu na entrada da catedral a um imperador romano que quis entrar nela sem direito.

Ele rachou o imperador com um discurso.

No século V, São Germano, bispo de Auxerre, França (ele fora duque de Auxerre e general das tropas romanas, tendo renunciado para se dedicar à Igreja – cf. Germano de Auxerre), viajou para Ravena a fim de falar com a imperatriz Gala Placídia.

São Germano, bispo de Auxerre
São Germano era famoso, pois em duas ocasiões fora à Inglaterra combater a heresia do pelagianismo, tendo na segunda expedição ajudado os britânicos a vencer os ataques dos pictos e dos saxões pagãos com o grito de guerra “Aleluia”.

Cruzando os Alpes, o santo bispo se disfarçou de carreiro para não ser reconhecido e, pobremente vestido, entrou na catedral de Milão num dia de festa.

Mas um possesso começou a gritar no meio do povo: “Germano, por que vieste procurar-nos na Itália? Contenta-te em nos expulsar das Gálias [França] e de nos ter vencido com tuas preces”.

O demônio começou a clamar contra o santo bispo na catedral, de tal maneira que redundou em honra de São Germano.

Cripta da catedral
O santo foi reconhecido pela majestade de sua pessoa.

O antigo duque de Auxerre tinha uma fisionomia e um porte ducal junto com uma nobreza pastoral apostólica.

Então o povo na catedral de Milão começou a procurar: “Onde está Germano, onde está Germano?” e prestaram-lhe homenagem.

É o oposto dos prelados que para em busca de “popularidade” se rebaixam de sua dignidade apresentando-se com roupas vulgares, camiseta ou manga de camisa e carinhas de pelúcias.

Não conseguem o bom efeito pastoral de São Germano na catedral de Milão.





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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Pedro Álvares Cabral, herói de nobre estirpe, até hoje atrai o ódio revolucionário

Luis Dufaur
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Portugal é um país pequeno em dimensões, mas enorme quanto a tradições históricas e valor humano.

Era uma nação de pouco mais de 1 milhão de habitantes quando se lançou na proeza de expandir a Fé e o Império por um mundo até então desconhecido.

Nesse novo mundo, misterioso e fascinante para os europeus da época, inseria-se o nosso Brasil.

Hoje, transcorridos cinco séculos, permanecem ignorados da grande maioria dos brasileiros, fatos relativos à figura do protagonista desse marcante evento histórico – Pedro Álvares Cabral. Assim, é por nós pouco conhecido aquele que tornou o Brasil conhecido.

De elevada linhagem


Quem, afinal, foi o homem que a história menciona como aquele que descobriu a Ilha de Vera Cruz, posteriormente chamada de Terra de Santa Cruz e, finalmente, Brasil?

Sua história ainda não foi por completo estudada (e talvez nunca o venha a ser), embora muitos pormenores sejam conhecidos dos historiadores.

No ano de 1468,(1) no Castelo de Belmonte, propriedade da família Cabral, nascia um menino de nome Pedro, filho de Fernão Cabral e de Dona Isabel de Gouveia. Fernão Cabral lutou ao lado de D. João I e os três Infantes, na famosa conquista de Ceuta, em 1415, junto com seu pai, Luís Álvares Cabral.

A genealogia e a origem do nome Cabral perdem-se nas brumas da história portuguesa. O Visconde de Sanchez de Baêna assim escreve:
“A família Cabral demarca a sua existência desde tempos imemoráveis .... Nenhuma outra a sobrepuja em sólida antigüidade de nobreza e feitos de edificante e variada lição.

“O seu aparecimento, embora a princípio não se possa coordenar numa série genealógica, que nos leve, indivíduo por indivíduo, a estabelecer a sua continuidade desde os primeiros tempos da monarquia, remonta-se todavia bem longe, vendo nós brilhar de espaço a espaço nas lutas de Portugal nascente, alguns indivíduos do apelido Cabral”.(2)

Criminoso atentado contra estátua de Pedro Álvares Cabral na zona sul do Rio, no contexo do 'marco temporal' prova a importância de seu feito
Criminoso atentado contra estátua de Pedro Álvares Cabral na zona sul do Rio,
por indigenistas opostos ao 'marco temporal' prova o ódio satânico contra sua façanha
A elevada linhagem da família e o seu prestígio, permitiram a Pedro Álvares Cabral contrair matrimônio com Dona Isabel de Castro, dama pertencente à mais alta nobreza do Reino, como terceira neta dos Reis Dom Fernando de Portugal e Dom Henrique de Castela, sobrinha do célebre herói da Índia, Afonso de Albuquerque.

Qualidades pessoais: critério para a escolha de Cabral


Nessa época, Portugal, cheio dos “cristãos atrevimentos” de que nos fala Camões, estava preparando armada a ser enviada às “Índias”. Para organizar a expedição, o Rei Dom Manuel, o Venturoso, convocou seu Conselho:

“E não somente se assentou no conselho o número de naus e gente que havia de ir nesta armada, mais ainda o capitão-mor dela, que por ‘calidades’ de sua pessoa, foi escolhido Pedralvares Cabral, filho de Fernam Cabral”.(3)

Pedro Álvares Cabral fora escolhido, por suas “qualidades pessoais”, para chefiar a esquadra que, no dia 9 de março de 1500, após a Santa Missa celebrada pelo Bispo D. Diogo Ortiz, Bispo de Cepta, rumaria para as Índias, passando pelo Brasil.

Dessa expedição, que trataremos em artigo posterior, participaram 13 navios, tendo apenas quatro deles conseguido retornar a Portugal.

Os demais perderam-se todos, tragados pelo mar, juntamente com sua tripulação.

No dia 23 de junho de 1501 – ou seja, um ano, três meses e 14 dias depois de sua partida, totalizando 470 dias de viagem – volta Pedro Álvares Cabral ao Tejo.

Pôde, desse modo, Dom Manuel, o Venturoso, acrescentar ao seu título de “Rei de Portugal e dos Algarves Daquém e de Além Mar em África, e Senhor da Guiné” o de “Senhor da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia”.

Não percebera ele ainda, a essa altura, que Cabral havia enriquecido sua coroa com um florão incomparavelmente mais suntuoso e, mais do que isso, levantara o Estandarte da Cruz na terra que estava destinada a ser o país de maior população católica do mundo.(4)

Incompreensões e afastamento da Corte


Pedro Álvares Cabral retorna a Portugal e, como frequentemente acontece na vida dos homens escolhidos pela Providência Divina para realizarem grandes obras, sofreu incompreensões e dissabores, tendo se retirado da Corte e nunca mais recebido qualquer encargo público.

Não sabemos o motivo que levou o descobridor do Brasil a se afastar da vida pública.(5) Sabemos que ele se manteve retirado e, depois dos sucessos referidos, recolheu-se em suas terras de Santarém, tendo falecido em 1520 ou 1528, divergem os autores sobre a data.

Sua sepultura esteve perdida durante os séculos XVII e XVIII, tendo sido encontrada em 1839 pelo historiador brasileiro Francisco Adolpho de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro, na sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Santarém.

Nossa Senhora da Esperança, Belmonte
Nossa Senhora da Esperança, Belmonte
Em 1903, o Bel. Alberto de Carvalho trouxe para o Brasil parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral, que foram depositados em uma urna na capela-mor da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

Pouco conhecida é a história de um grande descobridor. Mais do que descobrir terras, ele comandou uma expedição que iniciou a evangelização dos índios, trazendo incontáveis almas para a Igreja de Cristo.

Intrépido batalhador, desejava dilatar a Fé e expandir o império. Sabia ser gentil e amável, como o foi com os índios brasileiros, mas também sabia guerrear contra os inimigos de Cristo, como o fez com mouros que o traíram na Índia.

Devoção mariana: virtude do Descobridor e de sua família


Em sua nau capitânia, Cabral levava consigo uma pequena imagem da Senhora da Esperança, até hoje venerada em Belmonte, certo de ser Ela o melhor refúgio nas inconstâncias do mar tenebroso.

Foi diante dessa imagem que ele, no momento em que seus companheiros celebravam o descobrimento do Brasil, se ajoelhou e agradeceu a Deus o sucesso do empreendimento.(6)

Quando retornou de sua viagem, o nosso descobridor mandou construir uma capela para a Senhora da Esperança. Capela essa ampliada pelos seus descendentes que a iluminaram quotidianamente com um círio.(7)

Pedro Álvares Cabral foi, antes de tudo, um homem de Fé, que se lançou ao mar sob a proteção da Cruz de Cristo, nome com o qual foi primeiramente “batizado” o nosso Brasil, segundo seu desejo, como capitão da esquadra.

Uma esquadra que levava a bandeira da Ordem de Cristo, em cujas velas se estampava a Cruz característica dessa Ordem de Cavalaria, e que chegou ao solo de um país iluminado pelas estrelas do Cruzeiro do Sul.

Que a Senhora da Esperança, a qual tão bem protegeu o descobridor de nosso País, continue a derramar suas bênçãos sobre a Terra de Santa Cruz.


NOTAS:
1. Segundo se acredita, pois não se tem certeza do ano.
2. Sanches de Baêna, O Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral, Lisboa, 1987, pp. 10-22.
3. João de Barros, Décadas da Índia, Década I, Livro V, Cap. 1.
4. Apud O ‘Muy Bom fidalgo’ que descobriu o Brasil, Catolicismo, nº 219, março de 1969.
5. Alguns historiadores, como Gaspar Corrêa em seu livro Lendas da Índia, levantam a hipótese de um desentendimento com Vasco da Gama, que teria exigido ser o comandante, em lugar de Pedro Álvares Cabral, da esquadra que partiria para as Índias em 1502.
6. Cfr. Bueno, Eduardo, A Viagem do Descobrimento, Vol. 1, Coleção Terra Brasilis, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 1998.
7. Cfr. Cortesão, Jaime, A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil, Portugália editora, Lisboa, 1967.


(Autor: Frederico R. de Abranches Viotti, “Catolicismo”, março 2000)




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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Afonso de Albuquerque, arrancou Ormuz
da "ímpia e sórdida gentilidade" maometana

Afonso de Albuquerque, Heróis medievais
Luis Dufaur
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Edificou o grande capitão Afonso de Albuquerque uma fortaleza em Ormuz.

Coje Atar, que governava em lugar de el-rei Ceifadim, tinha consentido na edificação, mais por medo do que por vontade.

Fez-se juntamente tributário a el-rei de Portugal em dezassete mil xerafins cada ano, e usou desta astúcia para divertir a obra e isentar-se do tributo.

Fingiu serem vindos os embaixadores de el-rei de Pérsia, a cobrar o tributo que costumava pagar-lhe, e enviou mensagem ao Albuquerque para que respondesse ele, visto que Ormuz se achava debaixo da vassalagem de el-rei de Portugal.

Suspeitou o Albuquerque o dolo, e disse que lhe remetesse os ditos embaixadores, ou quaisquer outras pessoas em seu nome, para levarem a resposta.

Mandou Coje as que pareceu, por sustentar o estratagema.

Albuquerque lhes encheu as mãos de balas, dardos, ferros de lanças e farpões de setas, e lhes disse: "Bem podeis assegurar lá como nesta moeda pagaremos o tributo, se quiserem vir cobrá-lo".

Não foi este o único rei tributário à soberania do império lusitano.

Outros 28 cetros reconheceram esta vassalagem, e dela podiam gloriar-se, como dizia Ovídio dos inimigos vencidos por Augusto: "Utque tuus gaudet miles, cum vicerit hostem. Sic cur se victum gaudeat hostis habet".

Ormuz: castelo português
Ormuz: castelo português
Bastava ser Ormuz de gente maometana para que, ainda precisa a próspera fortuna e grande valor do ínclito Albuquerque, fosse conquista e troféu das armas portuguesas.

Porque estas foram por Deus especialmente escolhidas para perseguição e estrago daquela ímpia e sórdida gentilidade.

E assim, enquanto os portugueses seguirem com justo direito esta vocação, podem esperar felicíssimo êxito de suas empresas.



(Autor: Padre Manuel Bernardes, "Nova Floresta" - Lello & Irmão, Porto, 1949)



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