quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um Papa leão contra as heresias

São Leão Magno, vitral da Universidade Católica de America, Washington DC
São Leão Magno, vitral da Universidade
Católica de America, Washington DC

São Leão nasceu em Roma, de pais toscanos, no final do século IV ou começo do V. Já na juventude distinguiu-se nas letras profanas e na ciência sagrada.

Um antigo concílio geral diz dele:

“Deus, que o havia destinado a obter brilhantes vitórias contra o erro e a submeter a sabedoria do século à verdadeira fé, tinha posto em suas mãos as armas da ciência e da verdade”.(2)

Tornando-se arcediago da Igreja romana, serviu sob os Papas São Celestino I e Sixto III.

Hábil diplomata, era ele bem conhecido, pois foi por sua sugestão que Cassiano escreveu em 430 ou 431 sua obra De Incarnatione Domini contra Nestorium (“Sobre a Encarnação do Senhor, contra Nestório”).

E também nesse mesmo ano São Cirilo de Alexandria a ele se dirigiu para interessá-lo em seu favor contra o mesmo herege Nestório.

São Leão foi designado para várias missões delicadas na época.

Em uma delas, em 440, foi enviado pelo Imperador Valentiniano III à Gália, para tentar reconciliar dois dos mais famosos personagens do Império: o comandante militar da Província, Aécio, e o principal magistrado, Albino.

Os dois chefes militares não pensavam senão em suas desavenças em vez de voltar-se contra os bárbaros que estavam às portas do vasto Império.

São Leão encontrava-se nessa missão quando, falecendo o Papa Sixto, foi eleito para sucedê-lo.

Leão foi sagrado no dia 29 de setembro de 440. Um mês depois, pedia ao povo romano, reunido na basílica de São João de Latrão:

“Eu vos conjuro, pelas misericórdias do Senhor, que ajudeis com vossas orações àquele que haveis chamado com vossos desejos, a fim de que o espírito da graça permaneça sobre mim e não tenhais que arrepender-vos de vossa eleição”.(3)

Incansável defensor da ortodoxia
São Leão Magno. Afresco em Subiaco, Itália
São Leão Magno. Afresco em Subiaco, Itália
São Leão considerou como um de seus principais deveres, na qualidade de supremo Pastor, manter a disciplina eclesiástica, nesse tempo em que a contínua invasão de hordas bárbaras provocava desordens em todas as condições da vida; inclusive nas regras de moralidade, que estavam sendo seriamente violadas.

Foi ele extremamente enérgico para a manutenção da disciplina, e muitos de seus sermões e decretos vão nesse sentido.

Esforçava-se principalmente em sustentar a ortodoxia naqueles tempos difíceis para a Igreja e de decadência geral.

“De sua primeira carta, escrita a Eutiques em 1º de junho de 448, à sua última carta ao novo Patriarca de Alexandria, Timóteo Salophaciolus, em 18 de agosto de 460, não podemos senão admirar a clara, positiva e sistemática maneira pela qual Leão, fortificado pela primazia da Santa Sé, teve parte nessa difícil confusão”.(4)

Pouco depois de sua elevação ao sólio pontifício, começou a combater energicamente as heresias que surgiam no Oriente.

Assim, por exemplo, soube que em Aquiléia sacerdotes, diáconos e clérigos, que tinham sido aderentes da heresia de Pelágio, haviam sido readmitidos à comunhão da Igreja sem ter feito abjuração explícita de sua heresia.

O Papa, além de condenar severamente o fato, ordenou que um sínodo provincial se reunisse naquela cidade, no qual tais pessoas fossem intimadas a abjurar publicamente a heresia e a subscrever uma confissão de fé inequívoca.

Outro grave problema que teve de enfrentar foi contra nova onda da heresia maniquéia.

Hordas e hordas de maniqueus, que fugiram da África por causa da invasão dos vândalos, haviam se estabelecido em Roma, onde fundaram uma comunidade maniquéia secreta.

O Papa ordenou aos fiéis que denunciassem esses hereges aos sacerdotes. Em 443, junto aos senadores e presbíteros, conduziu uma investigação pessoal contra a seita, sendo então seus líderes julgados e condenados.

Por influência do Papa, o Imperador Valentiniano III promulgou um edito pelo qual estabeleceu punições contra os maniqueus.

São Leão Magno. Basílica de Santa Ana, Altötting, Alemanha.
São Leão Magno. Basílica de Santa Ana, Altötting, Alemanha.
São Próspero de Aquitânia afirma em suas Crônicas que, em conseqüência das enérgicas medidas do pontífice contra a heresia, os maniqueus foram também expulsos das províncias; e que mesmo os bispos orientais emulavam com Leão I na perseguição a essa seita herética.

São Leão defrontou-se também com a questão da heresia monofisista no Oriente, defendida por Eutiques, monge de Constantinopla.

Ensinava o monge que em Jesus Cristo havia somente uma natureza; e não duas –– a humana e a divina –– como é o ensinamento correto.

Eutiques já havia sido excomungado por São Flaviano,(5) Patriarca de Constantinopla, e apelou ao Papa. Leão I, depois de investigar a questão, escreveu uma carta dogmática a São Flaviano, com uma exposição serena e profunda da cristologia católica.

No caos das discussões, este foi o guia seguro para os espíritos sinceros, estabelecendo e confirmando a doutrina da Encarnação e da união das naturezas divina e humana de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele urgiu que um concílio se reunisse para julgar o concílio ilegalmente realizado em Éfeso –– que condenara e depusera São Flaviano, inocentando Eutiques – e ao qual denominou de “Concílio de Ladrões”.

Foi assim reunido o Concílio de Calcedônia, sob os auspícios dos imperadores Marciano e Santa Pulquéria, que condenou Eutiques e Dióscoro, patriarca de Alexandria.

continua no próximo post: O leão que afastou o “flagelo de Deus” das portas de Roma


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