terça-feira, 24 de agosto de 2021

Foulques Nerra “cujos remorsos estavam à altura de seus crimes”

Castelo de Missillac
Castelo de Missillac
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Há uma diferença fundamental entre o homem moderno e o homem medieval.

Não podemos nos iludir: os homens da Idade Média eram homens como nós, concebidos no pecado, que tinham que fazer muito esforço para se vencerem a si próprios e serem bons.

E houve medievais ruins, pecadores, criminosos ou heréticos, além de bons, virtuosos, campeões da lei e da fé.

Eles também encontravam um contexto social e econômico muito conturbado. Mas de um modo diverso: a civilização e a ordem romana haviam ruído estrepitosamente. Não havia ordem no início da era medieval. Tudo era caos e confusão.

E essa desordem geral era propícia a toda espécie de crimes e abusos que, de fato, aconteciam.

Castelo de Montsoreau, Pays de la Loire
Castelo de Montsoreau, Pays de la Loire
A diferença estava em que o medieval tinha também um coração amante e um enlevo de criança pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Enquanto o bandido moderno – e muitas vezes o não-bandido moderno – ostentam uma frieza assustadora, inumana até, diante do crime ostensivo ou dissimulado, o medieval chorava sincera e profundamente seus pecados.

Vejamos o caso de Foulques Nerra (965/970-1040), duque de Anjou. Ele foi um homem muito característico dos primeiros séculos medievais.

Ele foi um personagem de temperamento violento e de uma energia pouco comum. Nele ainda fervia o sangue dos bárbaros não há muito batizados.

Passou para a história como “um dos batalhadores mais agitados da Idade Média”, segundo o historiador Achille Luchaire.

Fazendo jus ao não remoto sangue bárbaro, Foulques foi cruel. Porém, depois de suas más ações, sua consciência falava. E aqui encontramos uma diferença com o bandido moderno.

Foulques tinha um coração amante e um enlevo de criança pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo que lhe fazia sentir o mal moral e a ofensa a Deus de suas más ações. Ele era um homem muito sensível ao bem e ao mal.

Por isso ele sentia remorsos e fazia sinceras penitências. Já foi escrito que “seus remorsos estavam à altura de seus crimes”.

Quarto num castelo do vale do Loire
Quarto num castelo do vale do Loire
Hoje os turistas fazem muito bem em visitar o famoso vale do Loire, na França, cheio de castelos maravilhosos.

Sabem eles que na origem dessa  proliferação magnífica de castelos e também de abadias, estava um grande pecador e um grande penitente: Foulques Nerra?

Entre castelos para suas guerras e abadias para purgar suas ofensas a Deus, ele construiu assim cerca de cem prédios históricos.

Talvez Foulques seja o personagem a quem o vale do Loire mais deve castelos e abadias.

Mais. Peregrinou três vezes à Terra Santa (em 1002, 1006 e 1038), em reparação pelas suas más ações.

Em sua última romaria a Jerusalém, dirigiu-se com o dorso nu até o Santo Sepulcro, enquanto dois de seus servidores, por ordem sua, flagelavam-no e bradavam: “Senhor, recebei o péssimo Foulques, conde d’Anjou, que Te traiu e renegou. Olha para sua alma arrependida, ó Senhor Jesus!”

Após inúmeras guerras, ereção de castelos e abadias, Foulques se extinguiu na paz de Deus na cidade de Metz, na França, voltando da romaria penitencial da Terra Santa que acabamos de mencionar.

A bênção da penitência bem feita ainda perfuma o famosíssimo vale do Loire.




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terça-feira, 10 de agosto de 2021

São João Fisher: lampejos heroicos da Igreja até quando é traída por todos

São João Fisher, vitral dos Santos Mártires, catedral Santa Maria, Sheffield
São João Fisher, vitral dos Santos Mártires, catedral Santa Maria, Sheffield
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São João Fisher foi bispo de Rochester e Cardeal, que o rei apóstata Henrique VIII Tudor mandou degolar em ódio à fé católica e ao primado do Romano Pontífice, no século XVI.

São João Fisher foi companheiro de martírio de São Tomás Moro, mas seu mérito é tanto mais louvável quanto ele estava inteiramente isolado.

Na Igreja da Inglaterra houve uma defecção geral e um dos aspectos mais pavorosos da protestantização do reino foi a indolência e a facilidade com que a massa dos católicos passou para o protestantismo.

Por um interesse político, de conveniência pessoal e de carreira, esses ou aqueles eclesiásticos mudaram infamemente de religião.

Sem dramas de consciência nem nada, o que prova que toda a estrutura religiosa da Inglaterra estava podre.

Essa podridão vinha desde o tempo do mártir São Tomás Becket.

O movimento que ele liderou foi derrotado e a igreja inglesa ficou nas mãos do rei da Inglaterra.

Santo Tomás Moro e São João Fisher, mártires do protestantismo
Santo Tomás Moro e São João Fisher, mártires do protestantismo
Passou a ser uma seita protestante, os atuais anglicanos, que após breve crise previa por comodismo se colocou nas mãos temporais.

Ela tinha feito um pacto com as molezas e vantagens do mundo, que a deixou prestes a aceitar a temporalização e a laicização.

Tomou uma atitude pré-revolucionária, inteiramente infestada do espírito revolucionário.

Quando veio Henrique VIII e fez o cisma contra o Papa, a igreja inglesa caiu preparada por uma longa putrefação prévia.

Excetuaram-se alguns mártires num número maior do que se costuma dizer.

Não foram apenas São Tomás Moro e São João Fisher, mas houve mártires como, por exemplo, os cartuxos decapitados por ordem do rei.

Mas, assim mesmo, o número de mártires não mudou a história.

Dessas noções, a gente depreende alguns ensinamentos.

O primeiro é: como as sucessivas traições vêm de longe preparando as grandes catástrofes.

Medeiam séculos entre São Tomás Becket e Henrique VIII e, entretanto, naquele tempo já começou a putrefação.

Martírio de São João Fischer
A hierarquia eclesiástica e a nobreza que era toda católica foi calando inteira. Quando chegou a tentação, eles se deixaram arrastar por completo.

Segundo: é uma coisa parecida com a situação contemporânea da Igreja.

Porque antes de aparecer o liturgicismo e o progressismo, houve um emboloramento do elemento católico pela inércia em face da Revolução Francesa.

A adesão sem “arrière pensée” às formas democráticas cheias do espírito de Rousseau; a adesão à separação entre a Igreja e o Estado; a aceitação preguiçosa e míope da atmosfera moderna que invadia a sociedade.

Então, a atonia, a indiferença doutrinária, a simpatia para com toda espécie de erro, foi criando uma combustibilidade que pegaria fogo logo que aparecesse a primeira chama do progressismo.

Então, a massa do movimento católico imerge, hoje também, num erro novo e tremendo.

Esse erro operou pelas concessões uma mudança da religião no movimento católico w preparou por meio de concessões.

A história se repete: os grandes processos de atonia e tibieza, de perda da dedicação e da militância católicos, de indiferentismo, preparam a massa católica para fazer as maiores defecções.

São João Fischer, vitral em Harvington
São João Fisher, vitral em Harvington
Terceiro: ao lado disto, há a santidade que permanece na Igreja.

Apesar de todas estas tristezas, ficam os mártires; homens de um caráter admirável, que preferem tudo a ceder diante do adversário.

Eles expõem a própria vida e tudo quanto têm para se manter fiéis à verdadeira tradição e à continuidade eclesiástica.

Quer dizer, até quando a putrefação invade os meios católicos, a santidade da Igreja produz frutos, em verdade excepcionais, mas tão maravilhosos como não se encontram fora da Igreja.

Então a Igreja, ao mesmo tempo em que é traída, renegada, deita uns lampejos que provam a divindade dEla.

É uma afirmação contínua da assistência do Divino Espírito Santo.

Este é um dos melhores exemplos do martírio de São João Fisher.



(Autor: excertos de palestra de Plinio Corrêa de Oliveira em 28-05-1969. Apud PlinioCorreadeOliveira.info).

terça-feira, 27 de julho de 2021

São Luís IX descrito por um contemporâneo

São Luis, Beaune, Notre Dame

Luis Dufaur
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“Em nome de Deus todo poderoso, eu, João, senhor de Joinville, senescal de Champagne, faço escrever a vida de nosso São Luís, e aquilo que eu vi e ouvi pelo espaço de seis anos que estive em sua companhia, na viagem de ultramar e depois que voltamos.

“E antes de que vos conte seus grandes feitos e sua cavalaria, contar-vos-ei o que vi e ouvi de suas santas palavras e bons ensinamentos, para que se achem aqui numa ordem conveniente, a fim de edificar os que os ouvirem.

“Esse santo homem amou Deus de todo o seu coração e agiu em conformidade com esse amor.

“Pareceu-lhe bem que, assim como Deus morreu pelo amor que tinha ao Seu povo, assim o rei colocou seu corpo em aventura de morte, o que bem poderia ter evitado se tivesse querido, como se verá a seguir.

“O amor que tinha a seu povo transpareceu no que ele disse a seu filho primogênito, durante a grande doença que teve em Fontainebleau:

“Bom filho, disse-lhe, peço-te que te faças amar pelo povo do teu reino, pois verdadeiramente eu preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o povo do reino bem e lealmente, a que tu o governasses mal”.

“Amou tanto a verdade que não quis recusar, mesmo aos sarracenos, o que tinha prometido, como o vereis mais adiante.

São Luis faz caridade com os pobres“Foi tão sóbrio no paladar que jamais em minha vida o ouvi mandar que lhe servissem quaisquer iguarias, como fazem muitos nobres, mas comia pacientemente o que seus cozinheiros lhe traziam.

“Foi moderado em suas palavras, pois jamais em minha vida o ouvi falar mal de ninguém, e nunca o ouvi nomear o diabo - cujo nome está tão espalhado pelo reino, o que acredito não agrada nada a Deus.

“Ele diluía seu vinho na proporção em que via que o vinho lhe poderia fazer mal.

“Perguntou-me um dia, na ilha de Chipre, por que eu não colocava água no meu vinho, e eu lhe disse que os médicos m’o ordenavam, dizendo-me que eu tinha uma cabeça grande e um estômago frio, e que não podia me embriagar.

“E o rei disse-me que eles me enganavam, porque se eu não diluía o vinho na minha mocidade e quisesse fazê-lo na velhice, a gota e os males do estômago tomariam conta de mim, e nunca teria saúde, e que se eu bebesse o vinho totalmente puro na minha velhice, eu me embriagaria todos os dias, e que isso era uma coisa muito vil para um valente homem, o embriagar-se.

Sao Luis partindo para as Cruzadas“Perguntou-me se queria ser honrado neste século e ter o paraíso depois de minha morte. Disse-lhe: Sim; e ele continuou: “Guardai-vos então de fazer, de dizer qualquer coisa que não possais declarar, se todo o mundo a souber, e não possais dizer: Eu fiz isso, ou disse aquilo”.

“Ele chamou-me uma vez e me disse:

“Não ouso falar-vos, por causa do espírito subtil de que estais dotado, de coisa que se refira a Deus; e por isso chamei os irmãos que estão aqui, pois quero fazer-vos uma pergunta”.

“A pergunta foi esta: “Senescal, disse, quem é Deus?” e eu respondi:

“É tão boa coisa como melhor não pode ser”.

“Verdadeiramente, continuou o rei, está bem respondido, porque essa resposta que destes está escrita neste livro que tenho em mãos.

“Agora, pergunto-vos, disse, o que preferiríeis: ser leproso ou ter cometido um pecado mortal?”.

“E eu, que nunca lhe menti, respondi que preferiria ter cometido trinta pecados que ser leproso.

São Luis entrega as Ordenações a um funcionário“E quando os irmãos tinham partido, chamou-me a sós, faz-me sentar a seus pés e disse-me: “Como me dissestes aquilo?”. E eu disse que ainda o dizia, e ele continuou:

“Falais sem reflexão, como um avoado; porque não há lepra tão vil como a do estar em pecado mortal, porque a alma que nele está, é semelhante ao demônio do inferno.

“É por isso que nenhuma lepra pode ser tão má.

“E é verdade que quando o homem morre, fica curado da lepra do corpo; mas quando o homem que cometeu o pecado mortal morre, não sabe e não é certo que tenha tido um tal arrependimento que Deus o tenha perdoado.

“Deve ter muito grande temor de que essa lepra lhe dure tanto tempo quanto Deus estiver no paraíso.

“Assim, rogo-vos, acrescentou ele, tanto quanto eu possa, que tomeis mais a peito, pelo amor de Deus e de mim, o preferir que todo mal de lepra e toda outra doença chegue a vosso corpo, antes que o pecado mortal chegue a vossa alma”.

“O rei amou tanto toda espécie de pessoas que crêem em Deus e O amam, que deu a dignidade de condestável de França a monseigneur Gilles Lebrun, que não era do reino de França, porque ele tinha grande reputação de crer em Deus e de amá-lo. E eu creio verdadeiramente que assim foi.

“A lealdade do rei mostrou-se bem no caso de monseigneur de Trie, que remeteu ao santo rei cartas, as quais diziam que o rei tinha dado aos herdeiros da condessa de Boulogne, recentemente falecida, o condado de Dammartin.

São Luis, Sainte-Chapelle, Paris“O selo das cartas estava rompido; não restava senão a metade das pernas da figura do rei, no selo, e o escabelo sobre o qual o rei apoiava os pés, e mostrou-o a nós todos que éramos de seu conselho, e pediu-nos que o ajudássemos com nosso parecer.

“Dissemos todos unanimemente que ele não estava em nada compelido a pôr as cartas em execução; e então disse a Jean Sarrasin, seu chambellin, que lhe entregasse a carta que lhe tinha encomendado.

“Quando recebeu a carta: “Senhores, disse-nos, eis o selo de que eu me servia antes de que fosse a ultramar, e vê-se claramente por este selo que o sinete do selo quebrado é semelhante ao selo inteiro.

“É por isso que não ousaria, em sã consciência, reter o dito condado”.

“E então chamou monseigneur Renaud de Trie e disse-lhe: “Eu vos entrego o condado”.




(Autor: Charles de Ricault d’Héricault, « Histoire Anecdotique de la France », Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, Tomo II, pp. 286 a 289).



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terça-feira, 13 de julho de 2021

Santo Agostinho de Cantuária, os beneditinos e os homens que vencem

Santo Agostinho de Cantuária segura na mão a primeira igreja que fundou
Santo Agostinho de Cantuária segura na mão a primeira igreja que fundou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação de post anterior: Santo Agostinho de Cantuária e a verdadeira vitória



Quando Henrique VIII passou para o protestantismo, o número de mártires que a Inglaterra teve não foi pequeno.

Mas o número de apostasias foi colossal.

A nação inteira apostatou não por convicção, mas por oportunismo, por não querer ter amolação com o rei.

Passou da Igreja verdadeira para uma falsa. Conventos inteiros, ordens religiosas, dioceses com o bispo à frente, passaram para a religião falsa por comodismo.

Alguns heróis se levantaram: não foram seguidos!

Deus recompensou no Céu a alma deles pelo que fizeram.

Mas a terra castigou com repúdio deles os moles.

Mais tarde, veio outra graça para a Inglaterra e Deus não permitiu que essa lhe fosse útil: é o episódio da Invencível Armada.

Felipe II da Espanha constituiu a Invencível Armada a qual ia levando nos porões uma grande quantidade de exemplares da Bula de São Pio V excomungando a rainha.

Essa frota naval foi dispersada nos mares é tido como um castigo para a Espanha.

Não conheço comentário mais estúpido nem mais superficial, porque para quem dá valor antes da tudo à fé católica e à salvação da alma a verdadeira castigada foi a Inglaterra.

A Espanha perdeu o prestígio político, bens terrenos, uma armada que valia muito, perdeu filhos mortos naquela dispersão que, afinal de contas, ganharam o Céu com isso.

A Inglaterra, o que ela perdeu? A última oportunidade de se voltar a ser um país católico, porque com o desembarque dos espanhóis, estava tramada uma revolução dos católicos.

Armada Invencível se prepara para partir
Armada Invencível se prepara para partir

Mas a Inglaterra estava completamente podre do ponto de vista moral. Resultado: acabou se perdendo...

Assim as nações caem.

Isso explica também o significado da ação do punhado de pessoas denodadas, que lutam hoje contra a enorme heresia do progressismo, heresia que vai tomando tudo como o anglicanismo tomou a Inglaterra...

Nunca a pessoa é derrotada quando luta por Nossa Senhora, porque Ela recompensa sempre!

O derrotado é aquele a quem foi permitido fazer o crime de derrotar os bons.

Os derrotados são os que rejeitaram os bons ou os que não os acompanharam; esses são os derrotados.

Se tivermos o favor de Nossa Senhora de cumprir o dever até o fim, seremos os vitoriosos!

Outro aspecto muito bonito sobre a vida de Santo Agostinho de Cantuária são esses monges navegantes.

Santo Agostinho de Cantuária, escultura em madeira do século XIX
Santo Agostinho de Cantuária,
escultura em madeira do século XIX
Os monges beneditinos desbastaram os sertões europeus no tempo em que a Gália, a Germânia, a Europa Central, a Panônia, que hoje são Suécia, Noruega, Dinamarca, Polônia, eram bárbaras.

Os monges se instalavam lá: secavam pântanos, derrubavam e replantavam florestas, abriam estradas, faziam pontes...!

Se preocupando só em rezar, eles, entretanto eram tais que de sua oração tudo brotava e os frutos temporais eram superabundantes.

Porque eles procuravam o amor de Deus e sua justiça acima de todas as coisas, e todas as coisas lhe eram dadas em acréscimo.

Aqui há a linda figura de um monge – que não se julgava obrigado a pôr clergyman e menos ainda se vestir de malandro – num barquinho nos mares bravios do norte, nas brumas, nos rochedos, sozinho, de pé, rezando ou trabalhando contra a tempestade...

De tal maneira, que é até comparado a uma ave marítima pelas populações que vão ali à orla do mar ver aquela luta.

Eles preludiaram a toda epopeia marítima dos ingleses.

O que os piratas ingleses fizeram por roubalheira do protestantismo no mundo, foi o abuso de um dom temporal que começou com esses monges navegadores.

Outro fato estupendo: um grupo de monges que está descarregando de madeira e não conseguem enquanto as pessoas na praia estão dando risada.

São Cutiberto, o do estandarte invencível, reza e sua oração é invencível. As madeiras chegam e a fé do povo aumenta. Como isto é belo!...

Como isso é diferente do raquitismo das obras católicas nas décadas que precederam o Concílio.

Que coisa difícil era levar adiante um jornal católico, montar uma rádio católica!

E quando saíam o que eles difundiam?

Que coisa do outro mundo fundar um colégio católico! Quando fundava, era uma máquina de fazer tudo, menos católicos: uma máquina de birbantes!...

Os frutos espirituais eram pecos e os frutos temporais eram pocas. Por quê? Porque os homens já não eram homens de Deus como deveriam ser...

Moral do caso: pertençamos a Nossa Senhora inteiramente e todo o resto nos será dado de acréscimo.



(Autor: excertos de palestra de Plinio Corrêa de Oliveira em 28-05-1969. Apud PlinioCorreadeOliveira.info).




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