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São João Fisher, vitral dos Santos Mártires, catedral Santa Maria, Sheffield |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
São João Fisher foi bispo de Rochester e Cardeal, que o rei apóstata Henrique VIII Tudor mandou degolar em ódio à fé católica e ao primado do Romano Pontífice, no século XVI.
São João Fisher foi companheiro de martírio de São Tomás Moro, mas seu mérito é tanto mais louvável quanto ele estava inteiramente isolado.
Na Igreja da Inglaterra houve uma defecção geral e um dos aspectos mais pavorosos da protestantização do reino foi a indolência e a facilidade com que a massa dos católicos passou para o protestantismo.
Por um interesse político, de conveniência pessoal e de carreira, esses ou aqueles eclesiásticos mudaram infamemente de religião.
Sem dramas de consciência nem nada, o que prova que toda a estrutura religiosa da Inglaterra estava podre.
Essa podridão vinha desde o tempo do mártir São Tomás Becket.
O movimento que ele liderou foi derrotado e a igreja inglesa ficou nas mãos do rei da Inglaterra.
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Santo Tomás Moro e São João Fisher, mártires do protestantismo |
Ela tinha feito um pacto com as molezas e vantagens do mundo, que a deixou prestes a aceitar a temporalização e a laicização.
Tomou uma atitude pré-revolucionária, inteiramente infestada do espírito revolucionário.
Quando veio Henrique VIII e fez o cisma contra o Papa, a igreja inglesa caiu preparada por uma longa putrefação prévia.
Excetuaram-se alguns mártires num número maior do que se costuma dizer.
Não foram apenas São Tomás Moro e São João Fisher, mas houve mártires como, por exemplo, os cartuxos decapitados por ordem do rei.
Mas, assim mesmo, o número de mártires não mudou a história.
Dessas noções, a gente depreende alguns ensinamentos.
O primeiro é: como as sucessivas traições vêm de longe preparando as grandes catástrofes.
Medeiam séculos entre São Tomás Becket e Henrique VIII e, entretanto, naquele tempo já começou a putrefação.
A hierarquia eclesiástica e a nobreza que era toda católica foi calando inteira. Quando chegou a tentação, eles se deixaram arrastar por completo.
Segundo: é uma coisa parecida com a situação contemporânea da Igreja.
Porque antes de aparecer o liturgicismo e o progressismo, houve um emboloramento do elemento católico pela inércia em face da Revolução Francesa.
A adesão sem “arrière pensée” às formas democráticas cheias do espírito de Rousseau; a adesão à separação entre a Igreja e o Estado; a aceitação preguiçosa e míope da atmosfera moderna que invadia a sociedade.
Então, a atonia, a indiferença doutrinária, a simpatia para com toda espécie de erro, foi criando uma combustibilidade que pegaria fogo logo que aparecesse a primeira chama do progressismo.
Então, a massa do movimento católico imerge, hoje também, num erro novo e tremendo.
Esse erro operou pelas concessões uma mudança da religião no movimento católico w preparou por meio de concessões.
A história se repete: os grandes processos de atonia e tibieza, de perda da dedicação e da militância católicos, de indiferentismo, preparam a massa católica para fazer as maiores defecções.
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São João Fisher, vitral em Harvington |
Apesar de todas estas tristezas, ficam os mártires; homens de um caráter admirável, que preferem tudo a ceder diante do adversário.
Eles expõem a própria vida e tudo quanto têm para se manter fiéis à verdadeira tradição e à continuidade eclesiástica.
Quer dizer, até quando a putrefação invade os meios católicos, a santidade da Igreja produz frutos, em verdade excepcionais, mas tão maravilhosos como não se encontram fora da Igreja.
Então a Igreja, ao mesmo tempo em que é traída, renegada, deita uns lampejos que provam a divindade dEla.
É uma afirmação contínua da assistência do Divino Espírito Santo.
Este é um dos melhores exemplos do martírio de São João Fisher.
(Autor: excertos de palestra de Plinio Corrêa de Oliveira em 28-05-1969. Apud PlinioCorreadeOliveira.info).
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