quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Don Pelayo e a confiança nas vitórias inverossímeis

Don Pelayo vencedor em Covadonga, Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
Don Pelayo vencedor em Covadonga.
Luis de Madrazo (1855-1860) Museo del Prado, Madri.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Em 711 os árabes muçulmanos invadem a Península Ibérica.

Enfrentando-os perde a vida o rei visigodo Dom Rodrigo no campo de Guadalete.

Reagirá contra o domínio infiel o nobre Dom Pelayo, colocando-se à frente de um grupo de valorosos asturianos.

Preparando-se os árabes, já em Espanha, para invadir a Gália gótica, tiveram notícia da revolta das Astúrias e enviaram contra esses revoltosos um exército bem preparado sob o comando do general Alcamar.

Don Pelayo preparou a resistência no monte Alzeba, onde os desfiladeiros tornavam possível uma reação por parte dos cristãos, em número realmente inferior aos atacantes.

Organiza seus homens e enquanto esperava dirigiu-se à Gruta de Covadonga para onde levara uma imagem da Santíssima Virgem, colocando-se sob a Sua proteção especial.

A gruta de Covadonga hoje
A gruta de Covadonga hoje
Aproximam-se os Mouros e atacam. Já num primeiro momento algo de extraordinário acontece.

As flechas enviadas contra os cristãos voltaram-se contra os próprios arqueiros infiéis.

Avançaram os cristãos para lutar enquanto outros atiram do alto da montanha Alzeba sobre as tropas inimigas, encurraladas no desfiladeiro, pedras e pedaços de madeiras.

A desordem inicia-se nas tropas de Alcamar, que ao ver cair morto seu lugar tenente Suleiman, deu ordem de retirada.

Neste momento desaba tremenda tempestade; o estampido dos trovões, a chuva que cai em catadupas, as pedras e as árvores que de todos os lados caíam sobre os árabes, o solo, que com a chuva se tornava escorregadio e movediço fazendo resvalarem e caírem por aqueles declives, precipitando-os em montão nas águas do rio Deba, onde morriam afogados.

Tudo contribuía para crer que a Santíssima Virgem fazia com se desmoronassem até os montes sobre os soldados de Mafoma.

A batalha foi ganha e Pelayo proclamado rei das Astúrias.

Em agradecimento à intercessão milagrosa de Nossa Senhora, o Rei Afonso católico mandou erigir um Mosteiro e uma capela a Nossa Senhora de Covadonga, hoje substituídos por grande Basílica.

Os historiadores árabes também se referem à batalha com um verdadeiro assombro contra a vitória cristã, escondendo inclusive haver sido horrível a mortandade do lado muçulmano".

Os espanhóis estavam quase completamente perdidos.

Eles não desanimaram. Eles fizeram o possível para ganhar, embora a vitória fosse impossível.

Eu insisto: "fazer o possível para ganhar uma vitória impossível".

Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Eles foram num lugar onde os desfiladeiros propiciavam uma reação.

Nesse lugar, colocaram sua base de operações numa gruta que era boa. Eles lutaram com verdadeira ferocidade contra o agressor, foram heróis para conseguir algo impossível.

Como essa finalidade era humanamente inatingível, eles fizeram o principal: levaram uma imagem de Nossa Senhora para a gruta e pediram a Ela que os protegesse e ganhasse a vitória para eles.

Então houve milagres que se multiplicaram: as pedras que caiam e que rolavam sobre os mouros, as flechas jogadas sobre eles voltavam-se sobre os; uma tempestade tremenda aterrorizou os maometanos pelos trovões, movimento das terras e das águas ...

Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora de Covadonga, na gruta do mesmo nome
Nossa Senhora venceu de um modo admirável em Covadonga. Ela exigiu tudo de seus soldados para uma batalha impossível, e Ela ganhou para eles a batalha.

Qual é o ensinamento para nós?

Há um modo desanimado e infrutuoso de fazer apostolado que se disfarça de “apostolado sensato”.

“Ser idealista... bom... Sabe de uma coisa? Eu às vezes até admiro a virtude desses católicos autênticos, intransigentes. Mas... assim não se consegue nada. A vida é assim... É tão difícil conseguir um bom resultado... Bem, eu não digo isso... Se eu dizer, não fica bem... Então eu não brigo, mas fico achando que o apostolado não dá certo, é meio irreal”...

Se aqueles espanhóis tivessem pensado assim, hoje não haveria Espanha.

Quer dizer, Nossa Senhora quer que seu devoto empreenda os inverossímeis, que ele deseje coisas que o bom senso que dá Providência indica que Ela quer.

Então, confiando no que Ela quer, ele se atira no inverossímil, sabendo sobretudo que para Nossa Senhora nada é inverossímil.

Nossa Senhora é por excelência a Mãe dos inverossímeis, Ela consegue as graças que pareciam impossíveis conseguir.

Estátua de Don Pelayo em Gijon, Espanha
Estátua de Don Pelayo em Gijon, Espanha
Havia uma diferença entre os espanhóis de Don Pelayo e os espanhóis que perderam a Espanha.

Os mouros tomaram conta da Espanha rapidamente porque enfrentaram espanhóis desanimados e com pouca fé.

Eram espanhóis para os quais não valia a pena resistir. Estes perderam tudo.

Quais foram os espanhóis que ganharam tudo? Exatamente aqueles que tinham o senso sobrenatural, a confiança na Providência.

Se um Dom Pelayo tivesse que ler um livro que o incitasse a lutar até o fim e esperar contra toda a esperança, ele leria o Livro da Confiança, do Pe Saint-Laurent.

Então, conseqüência? Pedir a Nossa Senhora a graça de nunca duvidar de que alcançaremos o que Ela quer. Nossa Senhora nos dará a vitória!

Que Nossa Senhora faça com os restos de bons católicos uma espécie de Covadonga para a vitória da Santa Igreja.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, dezembro de 1965, sem revisão do autor.)



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domingo, 4 de dezembro de 2016

Santa Clotilde obteve a conversão da França

Santa Clotilde, jardim do Luxembourg, Paris
Santa Clotilde, estátua no jardim do Luxembourg, Paris.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Santa Clotilde: esposa apostólica


Aconselhado pelos bispos católicos, Clóvis, rei dos Francos, pediu a mão da princesa Clotilde, sobrinha do rei Borguinhão, o qual havia assassinado os próprios pais para apoderar-se do trono.

Segundo uma tradição, o rei havia dado seu consentimento, mas depois arrependeu-se e mandou uma escolta atrás de Clotilde.

Esta, entretanto, conseguiu chegar ilesa até a fronteira franca, onde Clóvis a aguardava.

Esse casamento foi providencial, pois tanto o rei burguinhão quanto o dos visigodos eram arianos e oprimiam seus súditos, que eram na maioria católicos.

Ora, Clotilde mantivera-se fiel filha da Igreja, e começou a trabalhar junto a seu marido para convertê-lo à verdadeira fé.