quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Santo Odilon (II), um abade que modelou a Cristandade

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Das palavras de Santo Odilon defluía a alegria. Quando contava qualquer coisa, era de tal modo vivo que nos forçava a rir.

Mas ele, que prendia bem as rédeas, nos indicava logo um capítulo da Regra: “Detestar o riso estúrdio e cadenciado”.

Ou ainda: “O monge não deve ser leviano e pronto a rir, porque está escrito: É o tolo que estoura a rir”.

De um modo ou de outro, prendia nossa hilaridade, mas seu gozo espiritual nos havia sido comunicado e dilatava nossa alma. “Eu me esforçarei – dizia ele – por ser veraz antes que eloqüente. Nosso ministério não se pode permitir as pequenas glórias de um discurso pomposo. Nós nos esforçamos por ser, e não por parecer”.

A temperança vem por último, na lista das virtudes. Por definição, ela guarda a medida e a ordem de tudo aquilo que é preciso dizer e fazer. Santo Odilon a praticava de modo excelente. Em seus atos ou em suas ordens, ele guardava a medida, mantinha a ordem, mostrava uma admirável discrição.

Seguia o conselho de São Jerônimo: como um cocheiro, conduzia seus jejuns, segundo suas forças ou sua estafa. Assim, ele tomava um pouco de tudo que lhe traziam, para evitar o escrúpulo, mas se regrava, sem dar ocasião a ninguém de louvar suas privações.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Santo Odilon (I), modelo das virtudes cluniacenses

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A abadia de Cluny, na Borgonha, França, está comemorando seu 1.100 aniversário.

Ela foi a alma e a cabeça do monasticismo medieval tendo chegado a estar à testa de um conjunto de 30.000 abadias e casas monásticas na Europa toda.

Na construção desse imenso patrimônio moral e cultural destacaram-se certas almas de elite, verdadeiros heróis dos claustros que seguiam as pegadas do grande São Bento.

Esses claustros irradiavam a espiritualidade, a cultura e a civilização para toda a Cristandade.

Dentre esses heróis pouco conhecidos, destacou-se Santo Odilon, quinto abade de Cluny (962-1048). Ele provinha da nobreza de Auvergne. Mesmo antes de completar o ano de provação ele foi eleito coadjutor do Abade São Mayeul.

 E, pouco depois da morte desse santo, foi eleito em 994 abade da gloriosa Cluny. Nesse momento ainda não tinha recebido o sacramento da Ordem.

O pontificado de Santo Odilon estendeu-se por mais de meio século e modelou para sempre o perfil moral de Cluny.

O rápido e altamente qualificado desenvolvimento do mosteiro e de sua irradiação na Igreja é devido principalmente a sua caridade e cavalheirosidade, a seu apostolado e talento organizativo. (Fonte: Catholic Encyclopaedia)