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Santa Escolástica, Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
Santa Escolástica foi virgem, irmã gêmea e discípula de São Bento, fundadora das beneditinas e viveu entre os anos 480 e 542.
Eles nasceram no Reino Ostrogótico fundado por godos, ou germanos, que invadiram a Itália, a França, a península ibérica e a Sérvia até serem derrotados pelos exércitos cristãos do Império Romano de Oriente.
Santa Escolástica fez uma obra entrelaçada com a de São Bento fundando as beneditinas, como Santa Clara fundando as franciscanas fez com seu irmão São Francisco.
São Bento é o padroeiro da Europa.
Geograficamente falando a Europa é uma pequena península da Ásia. Entretanto fatos importantíssimos da História mundial aí se passaram.
Em tempos passados este continente deu uma correspondência grande à pregação da Igreja Católica.
Daí partiu a Civilização Cristã e com ela um embebimento da ordem temporal pelas energias sobrenaturais da graça dispensadas pela Igreja Católica.
Só a Igreja ensina a verdadeira moral e por meio dos sacramentos, dá força para que seja praticada pelos homens.
Ora, só por meio da verdadeira moral os homens conhecem e praticam a verdadeira ordem, porque a moral é a ordem no procedimento dos homens.
Concluindo: só existe verdadeira e perfeita ordem entre os homens onde existe a verdadeira Igreja.
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Santa Escolástica e santas abadessas beneditinas Vitral de Downside Abbey, Inglaterra |
Se eu estou com o braço em ordem, só posso esperar coisas boas: os movimentos necessários, a reação, os serviços, a defesa.
Mas se está destroncado inclusive um osso pequeno, o resto é dor, miséria, inflamação, perigo de gangrena, atrapalhação de toda ordem.
Assim também com a civilização: se ela está baseada na moral católica, inclusive nos seus pormenores, não há bem que não se possa esperar.
Mas quando ela se afasta dessa moral, ainda que em pormenores, não há mal nem tristeza nem miséria que não se possa esperar.
São Bento foi por excelência o missionário que trouxe à Civilização Católica os germanos e deu impulso à evangelização dos povos.
Ele instituiu casas religiosas que espalharam por toda a Europa essa moralidade quando a Europa estava se reerguendo do caos bárbaro.
Era um mundo novo que nascia depois das invasões pagãs, nas quais a ação da graça penetrou até suas raízes.
O resultado foi a maravilhosa Europa, que durante muito tempo constituiu a própria realização dos ideais da Contra-Revolução.
É para a destruição dessa Europa que a Revolução se levantou.
E é para essa Europa que nossos olhos se voltam cheios de afeto, nostálgicos e admirativos.
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Santa Escolástica fez uma obra entrelaçada com a de São Bento |
Ela atraiu religiosas que não faziam assistência social, não davam catecismo, não faziam “nada”.
Elas realizavam algo que era muito mais do que agir: rezavam e se sacrificavam.
E se o apostolado do ramo masculino foi tão fecundo, se deveu a um ramo feminino que rezava, se imolava, contemplava, porque pelo intenso grau de oração da Ordem beneditina é estatutariamente uma Ordem semi-contemplativa.
Então, o ideal da contemplação está profundamente presente nesta fecundidade do apostolado de conversão da Europa.
Aí aparece o papel insubstituível e incomparável de Santa Escolástica. Porque para agir, há alguns tantos; para lutar, já são menos numerosos; mas para sofrer, quão poucos são!
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Santa Escolástica foi personagem chave para a nascença da Europa. St Wolfgang, Salzkammergut (Upper Austria). |
Não há palavras para exprimir a veneração que merece o apostolado do sofrimento, daqueles que aceitam as cruzes e até as pedem para sofrer para que o trabalho dos outros seja fecundo.
É a comovedora e empolgante fecundidade do apostolado do sofrimento.
Ninguém merece mais veneração do que um que sofre para que outro ganhe as batalhas; que toma sobre si o infortúnio, a infelicidade e vai ser um herói que só Deus vê.
E isso tudo exclusivamente para que o apostolado dos outros seja fecundo.
O apostolado de Santa Escolástica merece ser mencionado com uma veneração sem nome.
(Fonte: excertos de palestra de Plinio Corrêa de Oliveira, 10 de fevereiro de 1965 sem revisão do autor)
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