quinta-feira, 13 de julho de 2017

Santo Estevão, a monarquia apostólica da Hungria
e o Reinado de Nossa Senhora

Santo Estevão I Confessor (967-1038), rei e apóstolo da Hungria. Estátua em Budapest
Santo Estevão I Confessor (967-1038), rei e apóstolo da Hungria. Estátua em Budapest
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Santo Estevão Confessor (967-1038), rei e apóstolo da Hungria, (inglês, Enciclopedia Católica, espanhol).

A oração da post-comunio na missa diz que o zelo do rei em “propagar e fortalecer a fé do país lhe valeu a realeza celeste”.

Ele instituiu Nossa Senhora como padroeira da Hungria.

Faleceu em 1038, no dia da Grande Senhora, denominação, em virtude de um edito do santo rei, que os Húngaros dão a Nossa Senhora.

Foi pai de Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza habitualmente representado portando couraça e um lírio na mão.

Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza, filho de Santo Estevão.
Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza, filho de Santo Estevão.
Os dois santos ‒ pai e filho ‒ foram canonizados pelo Papa São Gregório VII em 1083.

Santo Estevão foi o fundador da civilização cristã na Hungria e apóstolo do seu povo.

Como guerreiro enfrentou os adversários da fé de espada na mão.

Como instituidor da monarquia apostólica da Hungria é aludido na oração:

“Seu zelo em propagar e fortalecer a fé do país lhe valeu a realeza celeste”.

Inúmeros santos tiveram zelo, uns como oradores, outros como missionários, apóstolos da caridade, etc.
 
Santo Estevão teve zelo de um modo especial também. Qual?

Ele foi um rei e senhor natural do povo. Foi escolhido por Deus para levar esse povo para Nosso Senhor Jesus Cristo.

Essa é uma obra própria da autoridade temporal, que deve apoiar o esforço da Igreja para levar as almas para Deus.

Ele realizou essa tarefa própria do governo temporal de um modo exímio, porque para Deus ele levou a sua nação inteira.

Ele pertence à classe de reis que convertem e fundam civilizações e que representam um capítulo especial nas vidas dos santos.

Pelo fato de ter usado a realeza para converter seu povo, ele recebeu do Papa Silvestre II o título de Rei Apostólico, que depois todos os reis da Hungria usaram, até o último.

O título da realeza apostólica importa acentuar.

A monarquia húngara já preexistia à sua conversão. Mas, ele operando a conversão do povo húngaro, por assim dizer, fundou de novo o povo magiar.

Pode-se dizer também, que ele refundou a própria monarquia porque ela nasceu para uma nova vida no próprio ato de conversão.

O rei foi constituído em rei apostólico, por causa desse ato de apostolado.

E enquanto rei apostólico ganhou a missão de continuar naquelas paragens a obra da expansão da Igreja, da defesa contra os turcos, em todas as circunstâncias e todas as necessidades que a Igreja naquela parte central da Europa.

O caráter de rei apostólico conferiu à dinastia uma vocação especial.

E com esta vocação especial uma graça especial.

E com esta graça especial uma aliança de Deus com a família real.

Essa aliança sustentou a missão da família enquanto as infidelidades não fossem tais que Deus fizesse com esta família o que fez com Saul. Quer dizer, toca para fora, e pega um outro.

Ficou então na monarquia húngara algo de sagrado, como que um carisma, como que uma graça sobrenatural que a cerca, e que enche de respeito os povos.

A força desse carisma se nota muito na fidelidade dos húngaros à realeza e no prestígio da coroa usada por Santo Estevão.

Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza, filho de Santo Estevão.
Coroa de Santo Estevão, símbolo do poder supremo na Hungria.
Venerada no Parlamento de Budapest.
Os húngaros cultuam essa coroa como uma verdadeira relíquia.

Quando vieram os comunistas, essa coroa ficou escondida.

Os comunistas queriam ter a coroa, porque para os húngaros a detenção da coroa equivale, até certo ponto, à própria detenção do poder.

Por que esse prestígio e esse respeito a essa coroa?

É algo de carismático que cerca a coroa e que cerca a dinastia, que se continua e que é exatamente o fruto dessa aliança.

É uma infusão de graças na instituição ligada à infusão de graças na família.

E que determina então a respeitabilidade sagrada de uma determinada ordem de coisas.

Relicário com a mão de Santo Estevão.
Relicário com a mão de Santo Estevão.
O que pedir a santo Estevão?

Pedir-lhe, em última análise, o Reino de Maria. Porque o que ele fez foi um Reino de Maria na Hungria.

Ele consagrou a Hungria à Grande Senhora.

É a restauração do Reino de Maria por toda parte que nós devemos querer. O Reino de Maria na ordem espiritual, e o Reino de Maria na ordem temporal.

Pedir mais do que isto: que a Providência nos dê uma multidão de Estevãos que, de fato, promovam o Reino de Maria.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.1964, sem revisão do autor).



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quarta-feira, 28 de junho de 2017

D. Pelayo e a gloriosa Reconquista espanhola (2)

Don Pelayo, Covadonga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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 Continuação do post anterior



Invasão moura na base da traição

Musa bem Nusayr, com ciúmes dos sucessos de seu capitão Tarif, resolveu também atravessar o Estreito à frente de poderoso exército, com o qual foi conquistando, uma após outra, Sevilha, Mérida, Saragoça e as atuais províncias de Málaga e Granada. Toledo já fora dominada por Tarif no ano de 713.

Juntando infâmia à traição, os partidários do último rei Vitiza foram entregando suas cidades ao invasor.

E assim foram caindo, como cartas de baralho, todas as regiões da Espanha visigótica, restando somente poucos núcleos independentes da autoridade muçulmana nos Montes Cantábricos, nas Vascongadas e junto aos Pireneus.

No ano 716, a maioria da população era composta de hispano-romanos cristãos, aos quais os mouros não obrigavam a se converter ao Islã, porque sua religião era também do Livro Revelado.

Mas tinham que pagar impostos ao invasor, sob pena de escravidão e confisco de bens.

D. Pelayo resiste e é aclamado rei

O governador muçulmano de Gijón, Munuza, enamorou-se da irmã de Pelayo. Por isso enviou-o para Córdoba com outros reféns, para poder dar livre curso a suas paixões desordenadas.

Mas Pelayo conseguiu fugir e voltar para a Astúrias, onde se opôs ao casamento da irmã com o mouro. Perseguido, teve que fugir para os montes de Cangas de Onis.

A gruta da resistência
Lá, em 718, reuniu um grupo numeroso de opositores ao regime islamita, incitou-os à resistência e foi por eles aclamado rei.

D. Pelayo era líder nato e grande aglutinador de homens. Sabia dirigi-los e deles tirar o máximo proveito.

Vendo que o forte da atenção inimiga estava posto na fracassada tentativa de invasão das Gálias, começou a atacar as guarnições mouras em pequenas guerras de escaramuça, alcançando vitórias sucessivas.

Isso levou Tarif, que tornara Córdoba sua capital, a envir contra os rebeldes um forte contingente comandado por Alcama.

Em sua empresa, era este traidor secundado por uma tropa cristã colaboracionista, comandada pelo bispo Opas, que acorrera com seus homens vindo de Toledo.

D. Pelayo não podia enfrentar tão forte inimigo, sobretudo com seu exército pouco numeroso e pouco adestrado.

Enviou parte dele para as montanhas, e refugiou-se com mil de seus melhores combatentes numa grande gruta natural no monte Auseva, com provisão para muitos dias e armas ofensivas e defensivas.

Vitória miraculosa de Covadonga

Chegado o exército islâmico junto à gruta, Alcama tentou uma última vez, através do bispo Opas, a rendição dos rebeldes, com a promessa de perdão para todos. Respondeu-lhe D. Pelayo que os cristãos confiavam em seu Deus e na ajuda de sua Mãe Santíssima, pois era por eles que lutavam. E preferiam morrer a continuar vivendo sob o jugo de ímpios profanadores de igrejas.

A gruta e a fonte
Retiraram-se os defensores para a gruta, sendo cercados pelo exército inimigo. Pondo sua confiança na Santa Mãe de Deus, Pelayo e os seus, como narra o Pe. Mariana,

“combateram com todo gênero de armas e com um granizo de pedras à entrada da cova; no que se descobriu o poder de Deus, favorável aos nossos e contrário aos mouros, pois as pedras, setas e dardos que os inimigos atiravam retornavam contra os que os arrojavam, com grande estrago que faziam em seus próprios senhores.

“Ficaram os inimigos atônitos com tão grande milagre. Os cristãos, animados e inflamados com a esperança da vitória, saem de seu esconderijo pelejando, poucos em número, sujos e de mau talhe; a peleja foi em tropel e sem ordem; carregaram com grande denodo sobre os inimigos, os quais, enfraquecidos e pasmos com o espanto que tinham cobrado, lhes voltaram as costas”4.

Na fuga morreram mais de 20 mil soldados inimigos. Alcama pereceu na batalha, D. Opas foi feito prisioneiro e justiçado, e Munuza linchado pelos habitantes de uma aldeia, quando empreendia sua fuga.

Início de uma insigne Reconquista na História

Custou caro a derrota aos islamitas. Narram os historiadores árabes que os emires de Córdoba desprezaram o inimigo, dizendo:

“Pelayo não tem consigo mais que 30 homens famintos, que se alimentam com o mel que as abelhas fabricam nas rachaduras dos penhascos; e 30 homens, que podem importar?”.

A batalha
Pelas conseqüências que essa derrota teve depois, na história dos árabes na Espanha, lamentam tristemente seus historiadores: “Grave descuido, que foi depois causa de grandes aflições para o Islã”5.

Àqueles rudes espanhóis, que os emires de Córdoba desprezavam, podia-se no entanto aplicar a descrição que Menéndez Pidal fez depois, do castelhano em geral:

“Suporta com forte conformidade toda carência, pode resistir às cobiças e à perturbadora solicitação dos prazeres; rege-o uma fundamental sobriedade de estímulos, que o inclina a certa austeridade ética, manifesta no estilo geral de vida; habitual simplicidade de costumes, nobre dignidade de porte, notada mesmo nas classes mais humildes; firmeza nas virtudes familiares”; e, quando preciso, um heroísmo poucas vezes imitado6.

Tumba de Don Pelayo
O que sucedeu a D. Pelayo após a esplendorosa vitória de Covadonga? Segundo alguns, não se têm mais notícias de ações militares suas.

Estabeleceu sua residência em Cangas de Onis, “que se converteu em núcleo inicial de um reino sem nome nem território, mas com o qual colaborava já o Ducado de Cantábria”7 .

Segundo o Pe. Mariana, ele fortificou—se nas Astúrias e fazia incursões nas terras sujeitas aos mouros. Atraindo para junto de si um número de pessoas cada vez maior, tomou pelas armas a cidade de León, que teria sido sua primeira capital.

O herói de Covadonga faleceu provavelmente em 737, sendo sucedido por seu filho Fáfila. Este, por sua vez, faleceu apenas dois anos depois, quando caçava um urso. Sucedeu-o um genro de D. Pelayo, filho do Duque da Cantábria.

Notas:
1.Cfr. Luis Suárez Fernández, Historia de España — Edad Media, Madrid, 1978, pp. 9 e 10
2.Id., ib. pp. 9 e 10
3.Padre Mariana, Historia General de España, enriquecida e completada por Eduardo Chao. Imprenta y Libreria de Gaspar y Roig, Editores, Madrid, 1848, tomo I, p. 308.
4.Id., p. 322.
5.Menéndez Pidal, España y sua Historia, Ediciones Minotauro, Madrid, 1957, tomo I, pp. 247, 248.
6.Id., pp. 15, 16.
7.Luis Suárez Fernandez, op. cit., pp. 15, 16. 


(Autor: José Maria dos Santos, “Catolicismo”, outubro de 2002)




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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Don Pelayo e a gloriosa Reconquista espanhola (1)

Don Pelayo, estátua em Cangas de Onís, Astúrias
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Considerado um grande personagem, mais pelos efeitos de sua ação do que por sua pessoa, de Don Pelayo pouco sabemos.

Foi, isto pode-se admitir, o detonador do estopim que deflagrou a gloriosa Reconquista contra os mouros.

Iniciada nas agrestes montanhas das Astúrias no ano da graça de 722, ela encerrar-se-ia gloriosamente sete séculos após, em 1492, com a conquista do último reduto muçulmano na Espanha, o de Granada, pelos Reis Católicos Fernando e Isabel.

A avassaladora onda maometana

Menos de 70 anos após a morte de Maomé, seus seguidores já se tinham assenhoreado praticamente de todo o Oriente Médio e partiram para o norte da África, civilizado pelos romanos.

Espíritos nômades e irrequietos, varrendo tudo à sua frente desde o Índico até o Atlântico, voltaram então seus olhares cobiçosos para o continente europeu, imaginando novas conquistas “em nome de Alá”.

Do outro lado do Estreito de Gibraltar, a Espanha visigótica jazia num adiantado estado de decadência, mergulhada em vícios, portanto madura para uma invasão.

Nesse grande reino o exército estava relaxado, o povo amolecido e os dirigentes divididos, combatendo-se entre si.

A perseguição aos judeus, na Península Ibérica, levou-os a revidar, não só convidando, os islamitas a entrar na Espanha por meio de seus correligionários do norte da África, mas também prometendo-lhes ajuda1.

Situação caótica da Espanha visigótica

O penúltimo rei da nação visigótica, o insolente e libidinoso Vitiza, ainda príncipe, por questões amorosas matou com uma bastonada na cabeça o Duque de Fáfila; subindo ao trono, desterrou para Toledo o jovem filho da vítima, o espadeiro ou guarda real Pelayo, herói de nossa história.

A gruta de Covadonga: último reduto de resistência católica
Essas e outras medidas arbitrárias tornaram a dinastia muito impopular.

Com a morte de Vitiza, seus filhos ainda adolescentes não encontraram apoio para subir ao trono.

Aproveitando-se do caos reinante e da ajuda dos descontentes com o antigo regime, Rodrigo, Duque da Bética, apoderou-se do poder, proclamando-se rei.

Os partidários arrianos de Vitiza e de seus filhos juraram vingança contra os católicos depois de serem derrotados.

Enviaram mensageiros aos mouros do lado africano do Estreito de Gibraltar, apontando os pontos fracos da Espanha e por onde poderiam ter invadido o país.

O astuto Musa bem Nusayr, governador da África muçulmana, querendo certificar-se da exatidão das notícias, enviou seu melhor general, Tarif bem Ziyad, para fazer uma incursão em terras espanholas.

Com a ajuda de um traidor — o Conde de Olián, senhor de muitas terras, inclusive de Gibraltar — estremecido na época com o rei D. Rodrigo, Tarif logrou várias vitórias sucessivas (em 711).

“A falta de resistência, a adesão inclusive de numerosos inimigos do regime visigótico, decidiram Tarif a mudar as instruções recebidas, convertendo em guerra de conquista o que a princípio foi uma simples ‘razzia’”2 .

Nossa Senhora de Covadonga
Para fazer face a esse perigo, o rei Rodrigo juntou um exército de cerca de 100 mil homens mal treinados, mal armados e pouco disciplinados para enfrentar um exército menor, mas regular, bem equipado e disciplinado.

No auge da batalha, os filhos de Vitiza e seus sequazes, unindo-se aos mouros, voltaram-se contra seus compatriotas, atacando-os pelas costas. Estes foram desbaratados, tendo muitos perecido, alguns fugido, e boa parte tornando-se prisioneira.

“Dia aziago, jornada triste e lastimosa”, lamenta o escritor Pe. Mariana. “Ali pereceu um número ínclito de godos; ali o esforço militar, ali a fama do tempo passado, ali a esperança do porvir se acabaram; e o império (visigótico), que havia durado mais de trezentos anos, foi abatido por essa gente feroz e cruel”3.

O rei Rodrigo desapareceu. Pelayo, que participou da batalha, pôde escapar, refugiando-se na região norte do país com sua irmã.

(Autor: José Maria dos Santos, “Catolicismo”, outubro de 2002

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dom Sebastião, um rei virgem capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante


Luis Dufaur
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Dom Sebastião (1554-1578), rei de Portugal, foi com certeza uma figura da trans-esfera. Desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África, e julgou-se que haveria de voltar a qualquer momento, para continuar sua missão histórica.



“Para mim, o homem símbolo de Portugal é um nome que nunca pronuncio sem emoção, porque tenho a impressão de que sobre ele pousaram todas as graças para as quais Portugal era chamado: Dom Sebastião.

“Dom Sebastião tem aspectos por onde ele parece mais um anjo do que um homem.

“Qual é a figura que se encontra na História que, morta, deixa atrás de si uma lenda como a sebastianista?

“Os portugueses entenderam, nebulosamente, que aquilo não podia terminar assim, e ficou uma esperança de pé, de algo que viria, e que — por falta de expressão talvez — eles cometeram o erro de dizer que era Dom Sebastião que voltaria.

Mas era a confiança de que a obra começada com Dom Sebastião não terminaria e um dia recomeçaria.

“Portugal teve a nobreza de reconhecer em Dom Sebastião, o rei de seus sonhos.

“Como todas as outras nações da Europa, Portugal já começava a ser carunchado pelo Renascimento.

“Mas algo de fundamentalmente anti-renascentista florescia lá. E quando esse rei voltasse da África, com sua fronte aureolada pela glória de não sei quantas vitórias, depois de ter estendido o poder de Portugal pelo norte da África, no zênite da Europa brilharia um príncipe medieval.

“A honra da Cavalaria agonizante refulgiria de novo; a tese de que o poder temporal existe para o serviço do poder espiritual, resplandeceria de novo, e diante de um tipo humano magnífico empalideceriam os tipos humanos conspurcados que a Renascença aplaudia.

“Em Alcácer-Quibir havia um rei virgem, um modelo do varão católico, um modelo capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante. Esse homem morre no desconhecido.

“Os portugueses sonharam com Dom Sebastião, mas para Portugal veio algo de incomparabilíssimamente mais alto: veio Nossa Senhora. Não veio o rei virgem, mas veio a Virgem das virgens.

“E assim como Portugal deveria ter dado, no tempo da Renascença, na pessoa de Dom Sebastião, uma mensagem ao mundo, Nossa Senhora, tomando o território português como trono, deu ao mundo aquela mensagem [aos pastorinhos de Fátima], que não era de saudades, mas uma mensagem de advertência, uma mensagem de increpação, uma mensagem de esperança.

“Uma mensagem seguida de mistério, como está acompanhado de mistério aquilo que poderíamos chamar o mito de Dom Sebastião.

“Mistério: uma Rainha que desce dos céus, uma esperança que é excedida além do limite de toda esperança, isso tudo constituiu o pontilhado que vai entre a morte de Dom Sebastião e o aparecimento de Nossa Senhora em Fátima”.


Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008.




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