quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Afonso de Albuquerque, arrancou Ormuz
da "ímpia e sórdida gentilidade" maometana

Afonso de Albuquerque, Heróis medievais

Edificou o grande capitão Afonso de Albuquerque uma fortaleza em Ormuz.

Coje Atar, que governava em lugar de el-rei Ceifadim, tinha consentido na edificação, mais por medo do que por vontade.

Fez-se juntamente tributário a el-rei de Portugal em dezassete mil xerafins cada ano, e usou desta astúcia para divertir a obra e isentar-se do tributo.

Fingiu serem vindos os embaixadores de el-rei de Pérsia, a cobrar o tributo que costumava pagar-lhe, e enviou mensagem ao Albuquerque para que respondesse ele, visto que Ormuz se achava debaixo da vassalagem de el-rei de Portugal.

Suspeitou o Albuquerque o dolo, e disse que lhe remetesse os ditos embaixadores, ou quaisquer outras pessoas em seu nome, para levarem a resposta.

Mandou Coje as que pareceu, por sustentar o estratagema.

Albuquerque lhes encheu as mãos de balas, dardos, ferros de lanças e farpões de setas, e lhes disse: "Bem podeis assegurar lá como nesta moeda pagaremos o tributo, se quiserem vir cobrá-lo".

Não foi este o único rei tributário à soberania do império lusitano.

Outros 28 cetros reconheceram esta vassalagem, e dela podiam gloriar-se, como dizia Ovídio dos inimigos vencidos por Augusto: "Utque tuus gaudet miles, cum vicerit hostem. Sic cur se victum gaudeat hostis habet".

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O bom rei Roberto Bruce: consolidou o reino da Escócia – 2

Robert Bruce, "o bom rei Roberto", consolidou o reino da Escócia
Robert Bruce, "o bom rei Roberto", consolidou o reino da Escócia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: O bom rei Roberto Bruce: consolidou o reino da Escócia – 1



Em 1296, o famoso William Wallace iniciou um levante popular e Bruce uniu-se a ele. Os ingleses revidaram tomando vários castelos importantes como Edimburgo e Berwick, e Wallace acabou sendo executado.

Robert Bruce tinha um temperamento duro, estava convencido que sua família tinha sido privada da coroa escocesa e era o campeão natural da nação escocesa. Fez-se coroar em 27 de março de 1306 em Scone.

Mas logo foi derrotado por uma pequena tropa inglesa em Methven, nos arredores de Perth. Ele fugiu e com um pequeno número de homens resolutos enfrentou as forças inglesas que o perseguiam, obtendo vitórias e sofrendo derrotas.
Bruce não se intimidou com os fracassos porque encarnou o espírito escocês que diz: “combater é uma grande coisa, realizar uma grande vida é ter participado de uma grande guerra. O homem alcança a plenitude quando ele é um herói e expõe a sua vida por uma causa justa. Ainda que seja ferido, que fique inválido, ainda que morra, em lutar e em ter sido corajoso eu me realizei”.

A guerra de independência durou de 1306 a 1314 e Bruce de chefe da guerrilha passou a líder nacional.

A situação de início não lhe foi favorável, pois o reino era assaltado pelas tropas inglesas e o norte da Escócia lhe era hostil.

Robert Bruce, medalha comemorativa
Robert Bruce, medalha comemorativa
Mas em 1307 Bruce desembarcou perto de seu castelo de Turnberry, encontrando a área coberta de tropas inglesas. Porém, na colina de Loudon em Lanarkshire, ele os venceu tomando cavalos, e armas.

O rei inglês estava doente e tinha ordenado vencer Bruce, mas o exército não chegou à Escócia, porque o monarca morreu nos arredores do rio Solway amaldiçoando os escoceses.

Bruce foi recuperando castelo a castelo e em 1324 tinha todos os castelos da Escócia em suas mãos, exceto o de Stirling, último bastião inglês ao Norte.

Ele reuniu seu primeiro Parlamento e depois de suas grandes vitórias em 1310-1314 teve o controle do norte, dos castelos de Edimburgo e Roxburgh.

Bruce teve o apoio da Igreja e afinal derrotou em 1314 em Bannockburn o exército de Eduardo II que tentava perfurar o bloqueio ao castelo-fortaleza de Stirling.

A vitória foi espetacular. O exército inglês contava com 10 mil cavaleiros e 50 mil infantes, três vezes mais que Bruce.

A “Declaração de Arbroath” em 1320, reafirmou a independência da Escócia e o controvertido papa João XXII de Avignon reconheceu-o como rei da Escócia em 1322.

Robert invadiu ainda duas vezes a Inglaterra e fez guerras contra o rei Eduardo II e seu filho Eduardo III. Em 1328, os dois países assinaram o Tratado de York ou de Northampton, que reconhecia a independência da Escócia e o direito que tinha Bruce de nomear herdeiro ao trono.

Túmulo do rei Robert Bruce na abadia de Dunfermline
O herói morreu pouco depois. Ele fez mais pelo seu reino do que numerosos outros reis anteriores, pois uniu a Escócia constantemente dividida em guerras internas entre seus poderosos clãs familiares.

A partir dele, até chegar a desgraça do protestantismo, cessaram os conflitos de lealdade com o vizinho do Sul.

Foi graças a Bruce que a Escócia não desapareceu da história. Se Bruce não tivesse se empenhado na independência, muito provavelmente a Escócia não existiria hoje como país.

Correspondeu às seitas presbiteriana e anglicana entre outras, a péssima tarefa de rachar o país, prostra-lo moral e animicamente e entregar a coroa a uma rainha herética do sul.

Sinal do fundo do espírito do herói escocês: Bruce sempre quis partir em Cruzada contra os muçulmanos.

Quando morreu seu coração foi posto num cofre de prata e levado por Sir James Douglas, que se uniu às tropas do rei de Castela e morreu em luta contra os mouros.

Antes de morrer, jogou o cofrezinho com o coração de Robert Bruce no meio do alvoroço da batalha e gritou: “Vá adiante, coração valente, como sempre fez e eu o seguirei ou morrerei!” O cofre foi recuperado e voltou à Escócia. De alguma maneira seu catolicíssimo sonho se realizou!

Robert Bruce, estátua en Bannockburn
Robert Bruce, estátua en Bannockburn
Bruce é lembrado como o Bom Rei Roberto e seu legado foi confirmar a Escócia não apenas como um reino mas uma nação.

Deixou o reino mais forte do que nunca, com Parlamentos regularmente convocados, impostos recolhidos, havia paz entre os magnatas e o serviço devido ao rei pelos barões regularizado e em ordem.

Mais ainda do que sua gloriosa participação na história escocesa, Bruce deixou – entre mil misérias pessoais – um ensinamento para seu povo:

“Se Deus existe, a gente enfrenta tudo por amor de Deus, por amor da causa católica, do país, e quando o país está empenhado na guerra a gente deve defende-lo com virtude católica. Então sim, a gente pode dizer: que beleza e que magnífica realização!”




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