quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Santa Genoveva: heroína que salvou Paris dos bárbaros

Santa Genoveva
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em 451, Átila à testa de sua horda de hunos ameaçou Paris.

“A grama não volta a crescer onde pisa meu cavalo”, vangloriava-se o chefe bárbaro. Pois, ele tudo arrasava.

Santa Genoveva (419/422 ‒ 502/512) tinha só 28 anos mas, pela sua virtude e força de caráter, convenceu os habitantes de Paris de não abandonarem a cidade nem a entregarem aos pagãos.

Ela exortou os parisienses a resistir à invasão:

Restauração do túmulo. Saint-Étienne-du-Mont, Paris.
“Que os homens fujam se desejarem, se não são capazes de lutar mais.

“Nós, as mulheres, rogaremos tanto a Deus, que Ele ouvirá nossas súplicas”.

Os homens resistiram. E Átila afastou-se misteriosamente.

Santa Genoveva fez construir uma igreja sobre o túmulo de São Dionísio, primeiro bispo de Paris e mártir.

Altar de Santa Genoveva. Igreja de Saint-Étienne-du-Mont, Paris
No local, depois surgiu a abadia de Saint-Denis onde foram enterrados os reis da França.

A Santa convenceu o rei Clóvis, primeiro monarca católico da França de erigir a igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

Quando Santa Genoveva morreu, com 89 anos, foi enterrada junto ao rei Clóvis, e da mulher dele, a rainha Santa Clotilde.

A barbárie igualitária da Revolução Francesa (1789) profanou o túmulo de Santa Genoveva.

Seu ataúde foi fundido pelos revolucionários, suas relíquias foram queimadas, as cinzas foram dispersas no rio Sena, e seu santuário acabou sendo demolido.

Os fautores ideológicos da profanação foram enterrados no prédio concebido para ser a futura igreja de Santa Genoveva.

Ele fica em face do ex-santuário da Santa e é o Panteão de Paris!

Santa Genoveva, salvai a França e rogai por nós!




Vídeo: Santa Genoveva: a heroína que salvou Paris dos bárbaros

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Batismo de Clóvis: um marco na História

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A promessa feita por Clóvis a Nosso Senhor Jesus Cristo nos campos de Toul — “Se me concederes a vitória, crerei em ti e me farei batizar” — precisava ser cumprida.

Clóvis estava disso consciente, e logo após dispersar sua tropa chamou um monge que vivia naquela região, a quem chamavam Vaast, e o encarregou de lhe ensinar a doutrina, que tinha já por verdadeira.

O santo homem atendeu ao pedido do soberano, confirmando seus ensinamentos com um retumbante milagre: a cura de um cego durante o percurso do séquito real de Clóvis até a cidade de Reims.

Chegando Clóvis a Reims, sua esposa Santa Clotilde providenciou que o grande São Remígio concluísse a catequese. Ouvindo a narração das atrocidades cometidas contra nosso Redentor em sua Paixão, Clóvis exclamou, num transporte de santa ira: “Ah, se eu estivesse lá com meus francos!”.

Tal alma não necessitava de maiores provas, e o bispo limitou-se a ensinar-lhe as verdades fundamentais da Fé.

Restavam ainda obstáculos não pequenos a vencer. O povo franco venerava em Clóvis não somente o filho de seus reis, mas também o descendente de suas divindades.

Quebrando tais vínculos “sagrados”, não deveria o monarca temer uma diminuição de sua autoridade? Quanto a isso, ele estava seguro de que sua fé não diminuiria sua ascendência sobre o povo.

Outro ponto deteve ainda sua reflexão. Ele tinha junto de si uma guarda pessoal, os antrustions, ligados à sua pessoa por juramento e obrigados ao devotamento mais absoluto. Entre eles e o rei tudo era comum, e como consequência seu Deus deveria ser também o deles.

Aceitariam abjurar os falsos deuses que adoravam?

O Espírito Santo conduzia os acontecimentos, e os antrustions, instados a se pronunciar, proclamaram em alta voz que aceitavam abandonar seus deuses mortais e reconhecer por Senhor ao Deus eterno pregado por São Remígio.

Fugindo à regra ordinária, que estabelecia fosse o batismo ministrado na Páscoa, fixou-se a Festa de Natal do ano 496 como o dia da cerimônia.

Não convinha prolongar por mais tempo o catecumenato do soberano e de seu séquito.

Foi escolhida para a solenidade a velha catedral de Reims, sede de São Remígio.

Pelos convites enviados a todos os bispos dos territórios vizinhos, a notícia difundiu-se por toda a Gália, enchendo de alegria os corações cristãos, e de temor os reinos que jaziam na heresia ariana.

A esplendorosa cerimônia na catedral de Reims

O batismo de Clóvis é um episódio de suma importância para a história da civilização cristã, e revela de maneira impressionante o papel da Igreja na construção da Idade Média a partir de matéria-prima tão primitiva como os bárbaros da época. Foi descrito em seus pormenores por São Gregório de Tours, primeiro biógrafo de Clóvis:

“Chegando ao limiar do batistério, onde os bispos reunidos para a circunstância tinham se postado para se juntar ao cortejo, foi o rei que, tomando por primeiro a palavra, pediu a São Remígio que lhe conferisse o batismo. Respondeu-lhe o prelado: ‘Inclina humildemente tua fronte, Sicambro. Adora o que queimaste e queima o que adoraste’.[...]

“Em seguida, tendo entrado na piscina batismal, recebeu a tripla imersão sacramental em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

“Ao sair do batistério, administrou-se-lhe ainda o sacramento da confirmação, segundo o uso vigente nos batismos de adultos. Aos personagens principescos aplicou-se o mesmo procedimento”.(1)

Clóvis, primeiro rei cristão da Europa
Após essa cerimônia, dar-se-ia a sagração do rei.

Nessa ocasião, teve lugar um prodígio: surgiu uma pomba trazendo no bico uma ampola com óleo, com o qual Clóvis foi sagrado.

Glória para a Igreja, um marco histórico

Nascia assim a nação francesa para a vida da graça, tornando-se filha primogênita da verdadeira Igreja.

E esta, após longos períodos de prova, via-se novamente em condições de fazer ouvir sua voz.

Com efeito, após as invasões bárbaras e a ruína do Império Romano do Ocidente, dois inimigos seus dividiam entre si a influência e o poder: de um lado, os imperadores de Bizâncio (de religião cambiante), de outro os monarcas arianos.

A fé católica parecia estar destinada a ser perpetuamente uma religião de vencidos, uma doutrina de escravos. Dir-se-ia que estava condenada a desaparecer, para entregar o mundo a esses dois funestos agentes de destruição.

A notícia do batismo de Clóvis ressoou por toda a Europa. Por modestas que aparentemente tenham sido suas proporções, teve todas as características de uma contra-revolução histórica.

Foi como se a mão da Providência tivesse saído de entre as nuvens para mudar bruscamente a marcha da História, afastando-a da direção em que ia e preparando-lhe novos caminhos de glória.

Papel dos homens providenciais

É verdade bem conhecida que Deus atua na História, em geral, por meio de causas segundas.

Nos episódios da conversão do rei franco, cabe destacar a atuação de dois personagens, entre tantos outros que com seus esforços e orações prepararam o ambiente para que ela acontecesse.

O primeiro personagem, e o que mais se salienta, é São Remígio, bispo de Reims,

Desde a coroação de Clóvis como rei da pequena tribo dos francos sálios, vemo-lo despendendo seus esforços apostólicos para atrair ao rebanho de Cristo aquela ovelha nascida fora de seu redil.

São Remígio, basílica Saint-Rémi, Reims
O pai de Clóvis, Childerico, fora já atraído pelo santo homem; como diz G. Kurth, “a beleza da Religião católica, cujas pompas e benefícios os rodeavam [aos bárbaros]por todos os lados, de há muito já tinha ferido sua imaginação e enternecido seus corações”.(2)

Não chegara, entretanto, a tornar-se cristão, embaído que estava o povo franco pelos mitos pagãos.

Muitos anos depois, pôde o prelado colher os frutos de seu zelo, derramando sobre a fronte do rei dos francos, com suas próprias mãos, a água purificadora do batismo.

O outro personagem é também sucessor dos Apóstolos: o bispo Santo Avito, da cidade de Vienne.(3)

Vivendo em meio aos burgúndios, povo que aderira à heresia ariana, o santo teve papel importantíssimo nas tratativas do casamento de Santa Clotilde — princesa burgúndia — com Clóvis.

Graças a seus conselhos, Clotilde pôde vencer seus fundados receios e abraçar a missão que a Providência divina lhe designava.

Com a notícia da conversão e do batismo de Clóvis, Santo Avito viu seus esforços coroados. Numa visão profética, divisou ao longe toda a grandeza da civilização medieval que daí surgiria.

O árduo trabalho até então realizado, os santos apóstolos não o viam senão como o começo de uma longa gesta. Essa mesma gesta que a História consagrou sob o título de Gesta Dei per Francos.


(Fonte: Guilherme Félix de Sousa Martins, Catolicismo setembro de 2010.



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