quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

São Bonifácio: monge intrépido que converteu Alemanha

São Bonifácio, Mogúncia
“São Bonifácio viveu de 675 a 754, portanto na alta Idade Média. Nasceu na Inglaterra, seu nome de batismo foi Winfried, mudado mais tarde pelo Papa para Bonifácio. Aos sete anos entrou no mosteiro de Betlex, sentindo depois claramente que sua vocação era converter os povos pagãos. Dedicou-se especialmente a evangelizar os anglo-saxões da Germânia, disto sendo encarregado por Gregório II. Auxiliou Carlos Martelo na reforma da Igreja da França e convocou concílios para reprimir a simonia. Foi martirizado em Docom (Frísia). Seu corpo repousa em Fulda (Hesse), onde é objeto de veneração de toda a Alemanha católica, da qual ele é patrono”. (Rohrbacher)


São Bonifácio foi monge numa época em que o que a Igreja tinha de mais dinâmico era o monaquismo. Quer dizer, grandes conventos onde os frades viviam recolhidos.



O próprio do convento beneditino era de situar-se em solidões e eles atraiam os homens às solidões, e as cidades se formavam em torno deles.

São Bonifácio derruba árvore adorada pelos saxões ainda pagãos
Mas, em São Bonifácio havia o aspecto missionário. Uma das grandes obras da Idade Média foi evangelizar os povos bárbaros.

Esta obra foi grandiosa, porque povos enormes e de grande valor foram incorporados à civilização e sobretudo à Cristandade. Esta obra foi, capitalmente, dos monges, mas de São Bonifácio maximamente.

Uma parte da Europa era católica: França, Itália, Inglaterra, um pouco a Espanha. Mas essa cristandade nascente estava podre de todas as podridões herdadas do Império Romano e a Idade Média sanou essa podridão.

São Bonifácio atuou de um modo capital, pelo combate na mais importante nação católica, que era a França: ali ele combateu a heresia e a simonia. A simonia é a venda dos cargos eclesiásticos: vender dioceses, um bispo que vende nomeações de padres, etc.

São Bonifácio foi uma coluna e um luzeiro do seu tempo, um dos maiores homens de todos os tempos.

Ali se entende bem o alcance do juramento que ele fez a Gregório II quando foi sagrado bispo. Ele assinou esse juramento e colocou-o sobre o corpo de São Pedro.



“Em nome do Senhor, Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo. Ano VI do reinado do Imperador Leão e IV de seu filho Constantino, indicação VIª. Eu, Bonifácio, bispo pela graça de Deus, prometo a Vós, bem-aventurado Pedro, príncipe dos Apóstolos e a vosso Vigário, bem-aventurado Papa, bem como a seus sucessores, pela indivisível Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e por vosso Sagrado Corpo aqui presente, que conservarei sempre a pureza da fé católica na unidade da mesma crença, na qual, fora de dúvida, está a salvação de todos os cristãos; que não atentarei jamais contra a unidade da Igreja Universal, mas terei sempre uma fidelidade integral, um empenho sincero por Vós e pelos interesses de vossa Igreja, a quem o Senhor deu poder de ligar e desligar, bem como ao vosso Vigário e seus sucessores, que não terei jamais comunhão alguma com os bispos que vir se afastarem dos caminhos antigos traçados pelos Santos Padres; que se puder, impedirei sua ação, caso contrário, denunciá-los-ei ao Papa e meu Senhor”.

“Se, o que não apraza Deus, agir de alguma forma contra essa promessa, seja eu considerado culpado no julgamento de Deus, recebendo o castigo de Ananias e Safira, que vos quiseram mentir. Eu, Bonifácio, humilde bispo, assinei de próprio punho o formulário desta promessa, e colocando-a sobre o Sagrado Corpo do bem-aventurado Pedro, como é prescrito, prestei este juramento na presença de Deus, que é testemunho e juiz e prometo guardá-lo bem”.

Esse juramento é lindíssimo porque é um ato de fé na Igreja Católica e na Santa Sé romana. Pois ele se liga especialmente à cátedra de Pedro por este juramento, como é seu dever de bispo.

Ele promete que vai ser sempre fiel ao Papado e que jamais terá nada de comum com os bispos maus, que se desligam da obediência de Roma.

E não é só não ter nada de comum com os maus: ele promete de intervir e impedir a ação destes bispos. E que se ele não conseguir impedir, ele denuncia ao Papa. Quer dizer, ele promete uma guerra total contra os bispos maus.

Agora ele pede para si mesmo um castigo, caso ele não proceda bem. Qual é o castigo? O de Ananias e Safira.

Os Atos dos Apóstolos contam que Ananias e Safira era um casal que tinha bens; se apresentaram a São Pedro entregando uma certa porção de bens dizendo: “aqui está tudo o que nós possuímos, isso nós damos à Igreja”.

São Pedro diz: “Vós mentis ao Espírito Santo, porque eu sei que vós dais uma parte dizendo que é tudo, mas guardais ocultamente outra para vós”. E os dois caíram mortos.

Portanto, nesse juramento São Bonifácio está dizendo: “Eu prometo tudo a Deus”; se ele reservar alguma coisa para si, ele comete o pecado de Ananias e Safira e pede cair morto no momento desse pecado. Naturalmente subentende-se que ele pede a penitência final, quer dizer, a salvação. Mas ele pede sobre si mesmo o castigo se não for fiel.

Gregório II, então, que era o Papa, escreveu uma carta recomendando-o ao clero e à nobreza da França. A carta tem esse trecho:

Martírio de São Bonifácio
“Se alguém, o que não apraza a Deus, vier opor-se aos seus trabalhos e estorvá-lo no ministério, a ele e a seus sucessores no apostolado, que seja anatematizado pela sentença divina e fique sujeito à condenação eterna”.

Alguém dirá: “Mas, isso não importa numa certa cólera e portanto numa certa imperfeição?”

Não é a cólera contra o pecador, é a cólera contra o pecado, que atinge o pecador, porque ele pecou. É um tempo de lógica e coerência, de severidade e de justiça.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 4.6.69. Sem revisão do autor).

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