quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O rei Dom Afonso Henriques, fundador de Portugal

D. Afonso Henriques, nascido por volta de 1109, era filho do Conde D. Henrique de Borgonha e de sua esposa, D. Teresa. Pelo pai, era neto do Duque Henrique de Borgonha e trineto de Roberto II, Rei de França.

Sua mãe era filha ilegítima de Afonso VI, Rei de Leão e de Castela. Este confiara ao genro o Condado Portucalense, que se estendia do sul do Minho às proximidades do Tejo.

Sucedendo a seus pais no governo do Condado Portucalense (em 1130), o jovem D. Afonso Henriques empenhou-se em fazê-lo independente, por meio de repetidas lutas contra Afonso VII, que sucedera a Afonso VI no trono de Leão.

Desde então começou a intitular-se Rei de Portugal. Afonso VII reconheceu-lhe esse título em 1143, na conferência de Zamora, à qual assistiu o Cardeal Guido de Vico, Legado do Papa Inocêncio II.

Para esse resultado concorreu o juramento de vassalagem que D. Afonso Henriques havia prestado ao Papa na pessoa do Legado, talvez ainda antes da conferência.

Na carta de enfeudamento que escreveu a Inocêncio II nesse mesmo ano, prometeu o tributo anual de quatro onças de ouro, com a condição de gozar da proteção pontifícia para si e seus sucessores, e não reconhecer nenhum outro senhorio espiritual ou temporal além do Papa e seus legados.



Devido a reclamações de Afonso VII contra esse enfeudamento, só em 1179 Alexandre III reconheceu D. Afonso Henriques como Rei, tomando a ele e a seus sucessores sob a proteção da Cúria Romana.

A paz com os leoneses permitiu ao novo Rei prosseguir a cruzada contra os mouros. Em 1147 liberta Santarém e Lisboa, esta com o auxílio de um grande exército de cruzados que seguia para a Terra Santa.

Depois toma os castelos de Sintra, Almada e Palmeda, a praça de Alcácer do Sal (1158), Évora e Beja (1159). Perde estas duas últimas cidades, e as retoma em 1162.

Em 1165 e 1166, Giraldo "Sem Pavor" conquista Trujillo, Cáceres, Serpa e Juromeña para o Rei de Portugal. Em 1184, tendo o Rei 90 anos de idade, sua chegada a Santarém bastou para pôr em fuga os infiéis que ameaçavam a cidade.

D. Afonso faleceu em 1185, tendo reinado 57 anos. Foi casado com D. Mafalda de Sabóia.

Além de guerreiro consumado, foi "político enérgico e tenaz, que bem conhecia os meios de se afirmar e vencer", como escreve um historiador.

Assim descreve Camões o milagre de Ourique (canto III, estância 45):

A matutina luz serena e fria
As estrelas do pólo já apartava,
Quando na cruz o Filho de Maria
Amostrando-Se a Afonso o animava.
Ele, adorando Quem lhe aparecia,
Na fé todo inflamado assim gritava:
— Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,
E não a mim, que creio o que podeis!

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7 comentários:

  1. A explicação sobre a forma como D. Afonso Henriques surge à frente dos destinos do Condado Portucalense carece de informações mais precisas.
    Na realidade ele não sucedeu a seus pais de forma pacífica.Quando o conde D.Henrique faleceu o 1ºrei de Portugal contava apenas 3 anos de idade, pelo que a regência do condado ficou ao cuidado de sua mãe D. Teresa.A ligação amorosa desta ao fidalgo galego Fernão Peres de Trava implicava desconfianças políticas nos barões portucalenses que viam na figura de D. Afonso Henriques a possibilidade de corporizar com sucesso o sonho da independência do condado.
    Um dos primeiros passos para a consumação desse objetivo consolidou-se na batalha de S.Mamede que resultou no afastamento de D.Teresa e do amante do protagonismo da condução dos destinos do condado Portucalense.

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  2. No 3º parágrafo junto à foto da estátua de D. Afonso Henriqes diz-se que o Rei teria 90 anos em 1184, o que é um erro já que se diz logo à entrada que D. Afonso teria nascido em 1109. Sabe-se por outro lado que ele morreu em 1189, sendo incerta a data do nascimento (para uns 1109 para outros 1111). Portanto a idade poderá variar entre 78 e 80 anos.
    A questão da ligação amorosa de D. Teresa com Fernão Peres de Trava é um velho anátema que se atira à Rainha D. Tareja, uma mulher de inteligência superior, qu via na aproximação aos fidalgos galegos a possibilidade de ligar a Galiza ao Condado Portucalense (duas regões com a mesma gente e a mesma Língua) e que ela pretendia unificar e tornar independentes sob o seu controlo. Os terratenentes do Condado Portucalense, temerosos da maior influência e poder económico dos fidalgos galegos opuseram-se e levantaram como líder da sua causa o Infante D. Afonso, que curiosamente poderá ter sido não o filho de D. Teresa mas sim o filho de D. Egas Moniz, que era o tutor do Infante. Há razões para crer que o Infante, enfermiço e dado a achaques, terá morrido e sido substituído pelo filho de D.Egas.

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    1. Prezado Anônimo,

      Suas informações detalhadas foram muito importantes para para mim por revelarem uma outra possibilidade de entender a personalidade de Dona Teresa e seus planos de unificação.
      Poderia me indicar algum artigo ou livro que abordem tal tema?
      Cordialmente,
      Professora Denise

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    2. Não há qualquer razão sólida para credibilizar a lenda de que Afonso Henriques seria filho de Egas Moniz. O assunto foi estudado por historiadores como o Professor José Mattoso que explicou como essa lenda é uma deturpação de uma outra forjada por clérigos que pretendiam ver reconhecido um suposto milagre em que Afonso Henriques se curava de um defeito de nascimento nas pernas por intervenção divina de Nossa Senhora. Os "positivistas" não perceberam que o defeito nas pernas era uma invenção e logo consideraram que teria havido uma troca de crianças feita por Egas Moniz. Não, a verdade é que Afonso Henriques nasceu sem qualquer defeito nos membros inferiores.

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  3. D. Afonso Henriques é oficialmente Rei no ano de 1134, isto é, a sua auto-proclamação e pelos portugueses, que de facto é o que interessa para nós, agora se foi só em zamora pelo papa e pelos espanhois em 1143 isso foi reconhecimento importante mas...secundário para nós portugueses. Para mim e muitos historiadores o monarca aparece como rei e com a palavra portv gal em 1134.
    Alguém com grandes conhecimentos quer opiniar??

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    1. Não sou exatamente alguém com muitas informações sobre essa história. Sou mais um estudioso interessado em conhecer meu passado e minhas origens e encontrei nesse blog conhecimentos interessantes e pertinentes. Para mim parece claro o papel desempenhado por Dom Afonso Henriques na defesa dos interesses da "burguesia nacional" e da nobreza portuguesa no processo que conduziu a consolidação do Estado Nacional Português, onde a batalha de S.Mamede aparece como fato fundamental e constitutivo desse novo poder político alcançado pelo monarca. De qualquer forma a possibilidade de opinar e comentar as postagens só pode favorecer a construção do conhecimento proposta pelo blog.

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    2. O que se sabe é que o primeiro documento existente hoje em que D. Afonso Henriques aparece com o título de rei (Rei dos Prtugueses, é o que está escrito) é datado de 1140. Isso parece conferir com crónicas posteriores em que se diz que D. Afonso Henriques foi aclamado rei pelos seus guerreiros na batalha de Ourique, a 25 de Julho de 1139, na qual terá vencido cinco chefes mouros (muçulmanos almorávidas). O certo é que não mais abandona o título real e, ainda hoje, a bandeira nacional portuguesa tem as cinco quinas em memória dessa vitória fundadora em que é difícil distinguir o que será mito e o que será verdade histórica.

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