quarta-feira, 11 de novembro de 2009

São Remígio (II): batizou a França “filha primogênita da Igreja”

Mas chegara a hora da Providência para Clóvis como rei pagão. Corria o ano 496. Clóvis encontrava-se outra vez à frente de seu exército enfrentando outros bárbaros, os alamanos, nas proximidades de Tolbiac.

Os francos, tão acostumados à vitória, foram sendo acossados pelos alamanos com tal vigor, que começaram a recuar. A batalha parecia perdida.

Prevendo o desastre, um conselheiro do rei, que era cristão, sugeriu-lhe a que invocasse o verdadeiro Deus naquele transe. Clóvis prometeu então “ao Deus de Clotilde” que se converteria à Religião católica, caso obtivesse a vitória.

No mesmo momento os francos voltaram-se contra os alamanos com tal ímpeto, que romperam todas suas linhas e chegaram até seu rei, que mataram. A batalha estava ganha.

Clóvis, que era leal, não tardou em cumprir sua promessa. Logo que retornou, mandou chamar São Vedasto, bispo de Toul, para instruí-lo na fé. Santa Clotilde apressou-se também em chamar São Remígio para completar a obra e administrar-lhe o batismo.



“Ele acabou de abrir-lhe os olhos e de lhe descobrir a excelência e santidade de nossos mistérios. O ardor da fé e da religião iluminou-se tão fortemente nesse coração marcial, que ele se fez apóstolo de seus vassalos antes de ser cristão; reuniu os grandes de sua corte, mostrou-lhes a loucura e a extravagância do culto aos ídolos, e conclamou-os a não mais adorar senão um só Deus, criador do Céu e da Terra, na trindade de suas pessoas. Fez o mesmo com seu exército, e sua pregação foi tão poderosa que a maior parte dos francos quis imitar seu exemplo”.(4)

Segundo as crônicas, quando São Remígio narrava para aqueles bárbaros os sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão, Clóvis batia com a lança no chão, exclamando cheio de indignação:

“Ah! Por que não estava eu lá com os meus francos!”.

“Pai, já é este o reino de Deus?”

São Remígio quis que a cerimônia do batismo real fosse cercada de toda pompa. Segundo a tradição, realizou-se na noite de Natal.

O caminho do palácio até a igreja de Nossa Senhora estava engalanado com tapeçarias e arcos de flores, e o pórtico da igreja iluminado por muitas velas.

Nuvens de incenso perfumavam o ar. Quando Clóvis, acompanhado dos seus, entrou no templo, perguntou emocionado ao santo: “Pai, já é este o reino de Deus, que vós me prometestes?”. Respondeu Remígio: “Não, mas é a entrada do caminho que a ele conduz”.

Na pia batismal, São Remígio disse aquelas palavras que se tornaram célebres: “Curva a cabeça, altivo sicambro; queima o que adoraste e adora o que queimaste”.

Relíquias de São Remígio na basílica em Reims

O Cardeal Barônio nota que, além do batismo, São Remígio conferiu também a Clóvis a unção real, o que depois se tornou uma tradição entre os reis da França.

A igreja estava tão repleta, que o clérigo que devia levar o óleo do crisma ficou retido pela multidão. São Remígio elevou então os olhos a Deus, e nesse momento viu-se uma alvíssima pomba trazendo no bico uma ampola com o óleo, que depositou nas mãos do prelado.

Essa é a origem da “Santa Ampola” que serviu, até a Revolução Francesa, para sagrar os bispos gauleses.

Duas irmãs de Clóvis foram também batizadas com ele, além de um número incalculável de senhores e uma infinidade de soldados, mulheres e crianças que quiseram seguir o exemplo de seu rei.

São Remígio sobreviveu a Clóvis, falecendo nonagenário. Deus o fez participar de sua Cruz, enviando-lhe muitas moléstias, e mesmo a cegueira.

Osculando a mão divina que assim o atingia, o santo arcebispo faleceu no dia 13 de janeiro de 533, aos 96 anos de idade.(5)
Notas:
1. Apud Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo IV, p. 8.
2. Id., ib. p. 9.
3. Sobre esta Santa, ver Catolicismo, junho de 1999.
4. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, p. 590.
5. Outras obras consultadas:
- Joseph Dedieu, St. Remigius, The Catholic Encyclopedia, online edition, www.newadvent.org.
- Pedro de Ribadeneira, Flos Sanctorum, in Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L. Gonzalez & Cia, Editores, 1897, tomo IV, pp. 10 e ss.
- Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, pp. 313 e ss.
(Fonte: Plinio Maria Solimeo , in “Catolicismo”, outubro de 2009)

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