quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dom Sebastião, um rei virgem capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Dom Sebastião (1554-1578), rei de Portugal, foi com certeza uma figura da trans-esfera. Desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África, e julgou-se que haveria de voltar a qualquer momento, para continuar sua missão histórica.

“Para mim, o homem símbolo de Portugal é um nome que nunca pronuncio sem emoção, porque tenho a impressão de que sobre ele pousaram todas as graças para as quais Portugal era chamado: Dom Sebastião.

“Dom Sebastião tem aspectos por onde ele parece mais um anjo do que um homem.

“Qual é a figura que se encontra na História que, morta, deixa atrás de si uma lenda como a sebastianista?

“Os portugueses entenderam, nebulosamente, que aquilo não podia terminar assim, e ficou uma esperança de pé, de algo que viria, e que — por falta de expressão talvez — eles cometeram o erro de dizer que era Dom Sebastião que voltaria.

Mas era a confiança de que a obra começada com Dom Sebastião não terminaria e um dia recomeçaria.

“Portugal teve a nobreza de reconhecer em Dom Sebastião, o rei de seus sonhos.

“Como todas as outras nações da Europa, Portugal já começava a ser carunchado pelo Renascimento.

“Mas algo de fundamentalmente anti-renascentista florescia lá. E quando esse rei voltasse da África, com sua fronte aureolada pela glória de não sei quantas vitórias, depois de ter estendido o poder de Portugal pelo norte da África, no zênite da Europa brilharia um príncipe medieval.

“A honra da Cavalaria agonizante refulgiria de novo; a tese de que o poder temporal existe para o serviço do poder espiritual, resplandeceria de novo, e diante de um tipo humano magnífico empalideceriam os tipos humanos conspurcados que a Renascença aplaudia.

“Em Alcácer-Quibir havia um rei virgem, um modelo do varão católico, um modelo capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante. Esse homem morre no desconhecido.

“Os portugueses sonharam com Dom Sebastião, mas para Portugal veio algo de incomparabilíssimamente mais alto: veio Nossa Senhora. Não veio o rei virgem, mas veio a Virgem das virgens.

“E assim como Portugal deveria ter dado, no tempo da Renascença, na pessoa de Dom Sebastião, uma mensagem ao mundo, Nossa Senhora, tomando o território português como trono, deu ao mundo aquela mensagem [aos pastorinhos de Fátima], que não era de saudades, mas uma mensagem de advertência, uma mensagem de increpação, uma mensagem de esperança.

“Uma mensagem seguida de mistério, como está acompanhado de mistério aquilo que poderíamos chamar o mito de Dom Sebastião.

“Mistério: uma Rainha que desce dos céus, uma esperança que é excedida além do limite de toda esperança, isso tudo constituiu o pontilhado que vai entre a morte de Dom Sebastião e o aparecimento de Nossa Senhora em Fátima”.


Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008.




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10 comentários:

  1. Você devia estudar!
    Não é possível que alguém com o mínimo de conhecimentos sobre História não saiba qual é a cronologia da Idade Média!!!

    Fique sabendo que o século XVI ocorre 200 anos depois de a Idade Média ter terminado!!!

    Não seja ignorante!
    ESTUDE!!!

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  2. Prezado Anônimo,

    É evidente que Dom Sebastião não viveu na Idade Média. Até fizemos questão de pôr as datas de sua vida (1554-1578) logo no início do post, para frisar esse dado que fura os olhos de evidente que é.

    Tal vez você seja ainda muito jovem e, compreensivelmente, você ainda não tenha tomado todo o contato com a cultura universal. Cultura universal essa que o autor da matéria por nós reproduzida, Plinio Corrêa de Oliveira, foi um dos maiores expoentes brasileiros.

    Mas eu te quero ajudar.

    É assente entre os historiadores que as datas que marcam o início ou o fim das eras históricas têm muito de convencional.

    E é também lugar comum que uma época que acabou de acordo segundo a convenção, na prática se postergou numa certa área de civilização.

    Então é freqüente se ler que o “ancien régime” continuou existindo em tal ou qual país após a data oficial de seu fim (1789).

    É por essa razão que os antropólogos vão à Papuásia Nova Guiné para estudar povos “pré-históricos” em pleno século XXI!

    Por isso a ninguém com um pouco mais de experiência espanta a afirmação de que em Portugal, a Idade Média prolongou-se um pouco mais do que no resto da Europa.

    Inclusive mais do que na Espanha, onde o espírito e as instituições medievais tiveram também uma sobrevida apreciável.

    À luz desta noção comum é razoável defender que Dom Sebastião foi “capaz de ressuscitar a Idade Média agonizante”, como diz o autor citado.

    Valham estas observações, como uma ajuda amiga.

    Luis

    P.S.: o século XVI não teve lugar 200 anos depois da Idade Média... Somando e restando bem, começou 8 ou 43 anos após a era medieval, segundo o critério do historiador preferido ‒ descoberta da América em 1492, ou queda de Constantinopla em 1453.

    A divergência de datas é pelo descompasso nas transformações históricas em cada país acima acenada. Há até alguns que põem o fim da Idade Média na revolta de Lutero (1517), ou na revolução científica ou no caso de Galiléu Galilei já bem depois e, ali sim, em pleno século XVI.

    É mais um exemplo do problema apontado.

    Luis

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  3. A História é uma ciência e, como tal, assenta em factos históricos de cujos estudos resulta uma sistematização de princípios universalmente aceites. Se todos os estudiosos se lembrassem de apresentar os resultados das suas locubrações como verdades inatacáveis e indesmentíveis, entrava-se no domínio do «cada cabeça cada sentença» e ninguém seria capaz de chegar a um conhecimento minimamente objetivo acerca de nada.

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  4. D.Sebastião foi um rei obsoleto e maníaco,cujas ideias megalómanas de expansionismo descabido colocaram o país à mercê de todos os seus adversários,conduzindo-o à inevitável perda da independência.Revelou falta de visão para uma eficaz condução dos negócios de estado,ignorando os conselhos dos mais avisados,tal como ignorou a preocupação que devia ter dado à sucessão dinástica,pelo facto de estar à frente de um reino,rejeitando todas as propostas de casamento.Avançou sempre de forma unilateral,arrastando na sua queda a fina-flor da nobreza portuguesa,exaurindo os cofres do Estado com as despesas da guerra,tendo feito o povo mergulhar no mais completo desespero,abandono e desorientação.
    A força da nação agonizante far-se-ia ainda ouvir pela voz de Febo Moniz, nas Cortes de Almeirim,mas o poder instalado e ultrapassado não permitiu que aqueles que poderiam levar avante o projeto de um Portugal livre e independente tivessem sucesso,antes facilitaram,de forma anti-patriótica,o seu mais rápido afundamento e estertor letal.

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  5. Não gosto de fazer comentários com citações sem mais nem menos. No entanto, não teria muito a acrescentar à citação que pretendo fazer. Gostaria apenas de saber se o blogue tem mais informações sobre a profecia que vou citar.

    Esperanças de Portugal, profecias sebastianistas,
    Estudos do Padre António Vieira (séc. 17)

    « O Padre António Vieira, um dos maiores vultos de Portugal, esteve preso 22 mezes nos carceres da inquisição de Coimbra, onde lhe instauraram um enorme processo, (...) o crime principal foi haver escripto em data de 29 de abril de 1659 as Esperanças de Portugal, quinto imperio do mundo, etc., etc., onde afirma que as prophecias de Bandarra eram verdadeiras e divinamente inspiradas, e que muitos centos de annos antes da ultima e universal resurreição havia de apparecer certo principe de Portugal para ser imperador do mundo e lograr grandes victorias etc. »

    ARAGÃO, Teixeira de. Diabruras, Santidades e Prophecias. Lisboa, escrito no século XIX

    A página onde eu achei esse texto está em um site de profecias. Muitas delas são meio suspeitas. Mas essa parece ser inofensiva.

    Cf. http://www.prophezeiung.net/portugues.htm#Esperan%C3%A7as_de_Portugal,_profecias_sebas

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  6. Onde foi parar D.Sebastião? porque desapareceu na batalha? que coisa estranha!

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    1. http://macieluxcitania.blogspot.pt/2011/04/o-elmo-de-dsebastiao-regressa-ao-seio_06.html

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  7. Estou confusa! O que há entre Dom Sebastião (séc 16) com São Sebastião que viveu no ano 200(não sei o ano, precisamente)???

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    1. São Sebastião nasceu em Narbonne, França, no ano 256 d.C., foi martirizado em 286 d.C. por ordem do imperador romano Diocleciano. São Sebastião é santo cultuado pela Igreja Católica e padroeiro, entre outros, da cidade de Rio de Janeiro.

      Dom Sebastião I, rei de Portugal nasceu em Lisboa, a 20 de janeiro de 1554, e desapareceu na derrota militar de Alcácer-Quibir, na África, a 4 de agosto de 1578. Uma piedosa tradição cultiva a ideia arquetipizada de que esse rei virgem um dia há de voltar cavalgando às águas para restaurar Portugal.

      São duas pessoas inteiramente diversas. E enquanto a santidade do mártir São Sebastião está fora de qualquer dúvida, a lenda de Dom Sebastião tem muito de poético e ponto final.

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    2. Embora pessôas diversas em épocas diferentes , existe uma profunda ligação Simbólica e Espiritual de El-Rey Dom Sebastião a São Sebastião e vice-versa.E ninguém fala aqui de Santidade .Um era um Grande Rey que , embora muito Crente em Cristo , não era santo .
      « Ordem Militar de São Sebastião, dita da Frecha

      Nascido a 20 de Janeiro de 1554 (dia da celebração litúrgica anual de S. Sebastião), razão pela qual foi baptizado com este nome,
      El-Rei D. Sebastião teve uma constante e extraordinária preocupação em representar as setas ou frechas que martirizaram S. Sebastião em tudo
      aquilo que simbolicamente fosse representativo do Poder Régio e da sua própria pessoa como Rei .

      Tradição e História :Sabemos que, em 1571, El-Rei D. Sebastião, requerera ao Papa Pio V autorização para alterar os
      estatutos das três Ordens Militares, de Cristo, Santiago e Avis e acrescentar à cruz dos referidos
      hábitos uma seta ou frecha, em memória da arma com que fora martirizado o Santo cujo nome
      usava, mas esta distinção só seria conferida aos Cavaleiros que se assinalassem por feitos notáveis
      na Guerra.
      Além destas alterações nos Estatutos (efectuadas em 6 de Fevereiro de 1572), solicitara D.Sebastião uma das setas com que fora martirizado
      o Santo, para depositar na Igreja que lhe estava edificando em Lisboa. A morte de S. Pio V conduziu a que só o seu sucessor, o Papa Gregório XIII,
      pudesse satisfazer a vontade régia, já que, pelo falecimento de D. Joana de Áustria, enviou a seta embebida no sangue do Mártir,
      acompanhada de um Breve datado de 8 de Novembro de 1573. Esta veneranda relíquia veio para Portugal em 9 de Fevereiro de 1574,
      trazida pelo enviado papal Pompeo Lanoja, Cubiculário de Sua Santidade, sendo recebido pelo Rei quando pousava nos seus Paços de Almeirim.
      Nascido a 20 de Janeiro de 1554 (dia da celebração litúrgica anual de S. Sebastião), razão pela qual foi baptizado com este nome,
      El-Rei D. Sebastião teve uma constante e extraordinária preocupação em representar as setas ou frechas que martirizaram S. Sebastião
      em tudo aquilo que simbólicamente fosse representativo do Poder Régio e da sua própria pessoa como Rei.

      PARALELISMO e SIMBOLISMO : Na História da Ordem Militar de São Sebastião, dita da Frecha, verificam-se duas fases distintas. A primeira é a
      fase da sua fundação e efémera existência, realizada entre 1574-1576 até 1578. A segunda é a fase da sua restauração dinástica, efectuada
      em 1994. Nesta primeira fase, a Ordem da Frecha ou Ordem Militar da Setta de S. Sebastião, como referem o Doutor Alexandre Ferreira, na sua obra História das Ordens Militares que houve no Reyno de Portugal, e Manuel de Faria e Sousa, na sua Europa Portugueza, foi instituída por El-Rei Dom Sebastião, pelo muito que era devoto
      do Santo patrono do seu nome,
      ...
      [Obras : História das Ordens Militares que houve no Reyno de Portugal(Alexandre Ferreira)
      Europa Portugueza( Manuel de Faria e Sousa)]
      ...
      S SEBASTIÃO (Mártir) : “Concedei-nos, Senhor, o Espírito de Fortaleza, para que, a exemplo de vosso mártir São Sebastião,
      aprendamos a obedecer antes a Vós que aos homens. Por Nosso Senhôr”. ...»

      http://macieluxcitania.blogspot.pt/2013/01/o-livro-do-encoberto-iii-em-resposta.html

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