quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O conde de Ostrevent: cruzado chamado ao Paraíso

Anselmo II conde de Ostrevent, dito de Ribemont, e também Barbatus, possuia feudos que se estendiam pela Picardia (França) e Flandres (Bélgica). foi o porta-estandarte de Godofredo de Bouillon, e embaixador dos cruzados diante do Imperador de Bizâncio Alexis Comneno que fazia um jogo duplo com os turcos.

Quando os muçulmanos sitiaram os cruzados na cidade de Antioquia, Anselmo fez uma saída memorável de rara audácia que rompeu o cerco e permitiu aos francos montar a ofensiva que deu na derrota dos inimigos de Deus.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Beata Francisca de Amboise, duquesa soberana da Bretanha, símbolo da santidade do feudalismo

A Bem-aventurada Francisca de Amboise, viúva, foi filha dos príncipes de Talmont e viscondes de Thouars. Ao lado de seu esposo, foi coroada duquesa de Bretanha. Depois de viúva, professou na ordem do Carmo. (29 de maio de 1427 ‒ 4 de novembro de 1485).

Fundadora do primeiro convento de carmelitas da França. Morreu em Nantes no convento carmelita que também ela tinha fundado. Foi beatificada pelo Papa Pio IX em 1863.

À medida que correm os tempos, o número de sacerdotes e clérigos santos vai diminuindo. Mas diminui muito mais o número de príncipes e princesas santos.

Na Idade Média havia uma multidão de imperatrizes, reis, príncipes e princesas santos. Nos tempos modernos, nenhum foi canonizado. Nos tempos contemporâneos, um ou outro; muito raro.

Entretanto, os grandes senhores feudais, príncipes e nobres que chegaram à honra dos altares são símbolos da realeza ou do feudalismo introduzidos nos altares. A Igreja reconhece a santidade da condição que eles ocupavam.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

São Remígio (II): batizou a França “filha primogênita da Igreja”

Mas chegara a hora da Providência para Clóvis como rei pagão. Corria o ano 496. Clóvis encontrava-se outra vez à frente de seu exército enfrentando outros bárbaros, os alamanos, nas proximidades de Tolbiac.

Os francos, tão acostumados à vitória, foram sendo acossados pelos alamanos com tal vigor, que começaram a recuar. A batalha parecia perdida.

Prevendo o desastre, um conselheiro do rei, que era cristão, sugeriu-lhe a que invocasse o verdadeiro Deus naquele transe. Clóvis prometeu então “ao Deus de Clotilde” que se converteria à Religião católica, caso obtivesse a vitória.

No mesmo momento os francos voltaram-se contra os alamanos com tal ímpeto, que romperam todas suas linhas e chegaram até seu rei, que mataram. A batalha estava ganha.

Clóvis, que era leal, não tardou em cumprir sua promessa. Logo que retornou, mandou chamar São Vedasto, bispo de Toul, para instruí-lo na fé. Santa Clotilde apressou-se também em chamar São Remígio para completar a obra e administrar-lhe o batismo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

São Remígio (I): converteu os bárbaros francos

Durante as invasões dos bárbaros na Europa, no século V, a Gália romana apresentava todos os sintomas de decadência, próprios ao fim de uma era histórica.

Elmo de rei anglo-saxão

O Império Romano agonizava, e a Igreja, por meio de grandes santos, lutava para converter os bárbaros invasores, atraindo-os para seu seio. São Remígio foi um de seus principais apóstolos.

Nascido por volta do ano 436, filho de Santa Celina e de Emílio, conde de Laon, senhor de extraordinário mérito, era irmão de São Princípio, que foi bispo de Soissons.

Os primeiros biógrafos e contemporâneos de São Remígio afirmam que seu nascimento foi predito por São Montano, solitário de vida ascética entregue à contemplação.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A poesia épica medieval captou o maravilhoso que latejava na realidade





Aquele que pretendeu que os franceses não tinham «a cabeça épica» ignorava a Idade Média. Nenhuma literatura é mais épica do que a nossa.

Não só se inicia com a Chanson de Roland [Canção de Rolando], mas compreende mais de cem outras obras que são tão boas como ela e que continuam um tesouro a explorar.

Todas, ou quase todas, testemunham essa simplicidade na grandeza, esse sentido das imagens, que fazem do autor da Chanson um dos maiores poetas de todos os tempos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

São Casimiro: príncipe real virgem, cerimonioso, guerreiro e sagaz


São Casimiro, príncipe polonês nascido em 1458, foi o terceiro filho de Casimiro III, rei da Polônia, e Isabel da Áustria, filha do imperador Alberto III.

O jovem príncipe, criança ainda, dedicou-se a prática de mortificação e piedade, usava um cilício sobre seus trajes, o corpo e seu espírito era tão muito unido a Deus que sua paz interior se manifestava numa grande serenidade do rosto, amava profundamente a Igreja e uma coisa lhe tornava cara a partir do momento em que a glória de Deus fosse dela objeto. Devoto da Paixão de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, compôs em honra da Mãe de Deus um hino que recitava e cantava freqüentemente, pedindo que ao morrer colocassem uma copia dele junto ao seu túmulo.

Ao completar Casimiro 13 anos, os húngaros descontentes com seu rei Matias, quiserem levar o santo ao trono de seu país. Seguiu o jovem à frente de um exercito para a Hungria para sustentar os direitos dessa eleição. Mas na fronteira deste país soube que o rei húngaro reconquistara a estima de seus filhos, e que além disso o papa Sixto IV se declarava pelo rei destronado e reprovava a expedição.

São Casimiro voltou atrás e para não aumentar o desgostoso de seu pai que planejara aquele empreendimento, retirou-se para o castelo de Dobsq, onde se entregou a austeras penitências durante três meses. Ao fim desse tempo voltou ao palácio real onde já encontrou tudo em paz.

São Casimiro faleceu ao 24 anos de idade em 1483, tendo até o fim de sua vi¬da se recusado a casar. Predisse a sua morte e para ele preparou-se particularmente. Cento e vinte anos após a sua morte, seu corpo e as ricas vestes com que fora enterrado foram encontrados intactos, construindo-se riquíssima capela de mármore para conservação dessa relíquia. É padroeiro da Polônia e modelo de pureza para a juventude.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Antes de ir para o Céu, a Primeira Comunhão do cruzado Vivien

No campo de Aliscans, o exército cristão, comandado por Guilherme d’Orange – Guilherme do Nariz Curvo – tinha sido derrotado pelos sarracenos. Podiam-se contar apenas quatorze sobreviventes.


Próximo a uma fonte, em um prado, jazia um jovem, quase menino. Apesar disto era um guerreiro que nunca havia recuado.

Tratava-se de Vivien, sobrinho de Guilherme, a quem ele amava como a um filho.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Santo Anselmo de Cantuária: herói na defesa da ortodoxia católica e da legitimidade face aos reis

Santo Anselmo de Cantuaria, CambridgeAnselmo nasceu em Aosta, Itália, filho do nobre Gondulfo e da piedosa Ermenberga. Entregou-se cedo à virtude, tendo muito sucesso nos estudos. Aos 15 anos já se preocupava com altas questões metafísicas e teológicas, e quis entrar num mosteiro. Mas os monges negaram-lhe a entrada, por medo de desagradar seu pai.

Não podendo ingressar na vida religiosa, Anselmo entregou-se gradualmente aos prazeres mundanos. Com o falecimento de sua genitora seu pai tornou-se mal-humorado e violento. Anselmo fugiu de casa. Vagou pela Itália e pela França, conheceu a fome e a fadiga, e chegou ao mosteiro de Bec, na França, onde havia a escola mais afamada do século XI, dirigida por seu famoso conterrâneo, Lanfranco.

Discípulo suplanta o mestre

Anselmo entregou-se então vorazmente ao estudo, esquecendo-se às vezes até das refeições e recreação. “Seus progressos eram tão admiráveis quanto sua amabilidade, e logo foi tido como um prodígio de saber e seus condiscípulos creram que fazia milagres, por sua piedade e virtude”.1

Apesar de todos seus sucessos, Anselmo tinha uma grande perplexidade: “Estou resolvido a fazer-me monge; mas, onde? Pois bem, far-me-ei monge onde possa pisotear minhas ambições, onde seja estimado menos que os demais, onde seja pisoteado por todos”.2

Em Bec foi ordenado sacerdote em 1060. Em 1066 foi eleito Abade. Seu primeiro biógrafo, Eadmer, conta comovente cena ocorrida nessa ocasião, típica da Idade Média: o eleito abade prosterna-se diante de seus irmãos, pedindo-lhes com lágrimas que não o onerassem com aquele fardo, enquanto os irmãos, também prosternados, insistem com ele para que aceite o ofício.3

quarta-feira, 27 de maio de 2009

São Gregório Magno, baluarte da Idade Média nascente

São Gregório Magno

“Gregório é certamente uma das mais notáveis figuras da história eclesiástica. Exerceu em vários aspectos uma significativa influência na doutrina, organização e disciplina da Igreja Católica.

“A ele devemos olhar, para a explicação da situação religiosa da Idade Média; com efeito, não se levando em conta seu trabalho, a evolução da forma da Cristandade medieval seria quase inexplicável.

“Tanto quanto o moderno sistema católico é um legítimo desenvolvimento do catolicismo medieval, não sem razão Gregório deve também ser chamado seu pai. Quase todos os princípios diretivos do subseqüente Catolicismo são encontrados, pelo menos em gérmen, em Gregório Magno”.(1)
Ele “merece o glorioso título de Magno por todas as razões que podem elevar um homem acima de seus semelhantes: porque foi magno em nobreza e por todas as qualidades que vêm do nascimento e dos ancestrais; magno nos privilégios da graça com que o Céu o cumulou; magno nas maravilhas que Deus operou por seu intermédio; e magno pelas dignidades de Cardeal, de Legado, de Papa, para as quais a divina Providência e seus méritos o elevaram”.(2)
Esmerada e virtuosa educação

Gregório nasceu em Roma no ano 540. Seu pai, Gordiano, era senador. Muito rico, após o nascimento do filho consagrou-se inteiramente a Deus no serviço dos pobres. Sua mãe, Sílvia, não era menos ilustre nem menos virtuosa, e passou os últimos anos de sua vida em contemplação num pequeno oratório para onde se retirou.

Além de sua mãe, duas de suas tias, Tarsila e Emília, foram também elevadas à honra dos altares. Assim, seu primeiro biógrafo, João, o Diácono, fala de sua educação como sendo a de um santo entre santas.(3)

Dotado de excepcional inteligência e brilhante memória, Gregório aprendeu com facilidade as letras divinas e humanas. É bem provável que tenha também estudado Direito. São Gregório de Tours, que nos deixou algumas impressões sobre ele, diz que em gramática, retórica e dialética ele era tão hábil que, segundo voz corrente, não tinha igual em toda Roma. Diz também que ele se entregou a Deus desde sua juventude.

São Gregório Magno, PapaEnquanto seu pai foi vivo, Gregório tomou parte na vida do Estado e chegou a ser prefeito de Roma. Com a morte daquele, resolveu retirar-se do mundo e consagrar-se a Deus. Isso deu-se provavelmente em 574.

Com sua grande fortuna, fundou seis mosteiros na Sicília, além de um em Roma, em seu palácio, com o nome de Santo André. Nele tomou o hábito religioso. Sua caridade para com os pobres era tão grande, que foi premiada com vários milagres.

Em 577 o papa Bento I o nomeou cardeal-diácono ou regional. Os que estavam revestidos dessa dignidade, sete ao todo, presidiam às sete regiões principais de Roma para atender às suas necessidades.

Mais tarde o Papa Pelágio II enviou-o a Constantinopla, como legado e embaixador junto ao imperador Tibério. Sua missão principal consistia em mover o imperador a pôr ordem na Itália.

Depois de seis anos de vida diplomática nessa cidade, Gregório foi chamado a Roma, provavelmente em 585, sendo então eleito abade de Santo André. O mosteiro ficou famoso com seu enérgico abade, podendo-se ler muita coisa edificante dele em seus Diálogos. Dedicava-se muito à formação de seus monges, e explicou-lhes vários livros das Sagradas Escrituras, como o Pentateuco, o Livro dos Reis, os Profetas, o Livro dos Provérbios e o Cântico dos Cânticos.

Intervenção divina elimina a peste

No ano de 590, terríveis inundações seguidas de peste assolaram a Cidade Eterna, privando a Igreja de seu chefe, o Papa Pelágio. O clero, o povo e o Senado de Roma escolheram unanimemente para o Pontificado o diácono Gregório. Ele não queria aceitar, mas por fim acedeu, desde que a indicação fosse ratificada pelo imperador.

Ao mesmo tempo escreveu a este, que era muito amigo seu, implorando que não ratificasse a escolha. Mas seu irmão, então prefeito de Roma, interceptou a carta e enviou ao imperador outra, enaltecendo as qualidades de Gregório e pedindo a confirmação no cargo.

Enquanto não vinha a resposta, Gregório assumiu interinamente o posto, devido ao estado de calamidade em que Roma se encontrava. Para fazer cessar o flagelo da peste, convocou procissões rogatórias gerais, durante três dias, com a presença de todos, inclusive a dos abades dos mosteiros da Cidade Eterna com seus religiosos, e das abadessas com suas religiosas.

Gregório portou nessa procissão um antigo quadro da Virgem, cuja autoria é atribuída a São Lucas. Segundo a tradição, por onde passava o quadro, o ar corrompido cedia lugar ao são.

Quando ele chegou nas proximidades do mausoléu de Adriano, de acordo com a mesma tradição, ouviram-se coros angélicos que cantavam: “Rainha dos Céus, alegrai-vos, aleluia; porque Aquele que merecestes portar, aleluia; ressuscitou como disse, aleluia”.

O povo ajoelhou-se, cheio de devoção e alegria, e Gregório cantou: “Rogai por nós a Deus, aleluia”. No mesmo instante ele viu um anjo que embainhava a espada, para significar que o flagelo cessara. A partir de então o mausoléu de Adriano passou a ser conhecido como Santo Ângelo.

Quando chegou a resposta do imperador confirmando Gregório no cargo, este quis fugir, mas à força foi ordenado sacerdote e coroado Sumo Pontífice.

Sao Gregório Magno, Petites Heures de Jean de BerryCapitão, rei, pontífice, pai do povo

Triste situação se apresentava ao novo Papa. A Igreja estava em deplorável estado, necessitando de mão firme que a reformasse. Na África, imperava a heresia donatista; na Espanha, a ariana; na Inglaterra, a idolatria; e na Gália, a simonia, os crimes de Fredegunda e os erros de Brunilda, rainha da Austrásia, na Gália.

Na Itália, os lombardos, que eram arianos e rivais do poder imperial, faziam devastações. No Oriente, havia a arrogância dos patriarcas de Constantinopla e a má vontade dos imperadores bizantinos que, não podendo defender nem governar a Itália, ficavam enciumados por ver que os Papas cumpriam esse papel. Enfim, em todas as fronteiras do Império Romano, ondas de bárbaros ameaçavam acabar com o que restava de pé nesse mundo em transição.

O novo Papa “lutava contra a peste, contra os tremores de terra, contra os bárbaros heréticos e contra os bárbaros idólatras, contra o paganismo morto e infecto mas insepulto, contra seu próprio corpo, consumido pelas enfermidades; e se pôde dizer que a alma de Gregório era a única inteiramente sã que existia em toda a humanidade”.(4)

Assim, com uma habilidade e energia raras ele se multiplicava, tornando-se capitão, rei, pontífice, pai dos romanos. Arregimentou tropas e pagou seu soldo, forneceu aos bárbaros as contribuições que exigiam para não invadir Roma; alimentou e consolou o povo. Obteve do rei dos lombardos uma trégua para Roma e seu território.

Com a ajuda de Teodolinda, rainha dos lombardos, que era cristã e amiga fiel do Papa, conseguiu a conversão de toda a nação lombarda do arianismo para a fé católica. Livrou depois o território pontifício de todos os tiranetes que tinham surgido em meio à anarquia, dando início ao poder temporal dos Papas.

Em 592 o imperador bizantino, por um edito, proibiu seus soldados de abraçar a vida monástica. Imediatamente São Gregório escreveu-lhe mostrando que, com isso, ele feria as leis de Deus e o direito de consciência dos soldados. E lembrou ao imperador Maurício as contas terríveis que ele teria que prestar a Deus por essa decisão, no dia de seu juízo particular.

O grande Papa comunicou a seu embaixador em Constantinopla: “Sei tolerar por muito tempo, mas, uma vez que resolva resistir, lanço-me com alegria em todos os perigos. Antes morrer que ver a Igreja do Apóstolo São Pedro degenerar em minhas mãos”.

Por sua humildade, Gregório foi o primeiro Papa que se chamou “servo dos servos de Deus”. Em sua boca, essa declaração não era mera figura de retórica.

Consolida a liturgia, codifica o canto sagrado

Gregório foi profícuo em seus escritos, tendo todos eles alcançado grande repercussão. Daí o título que merecidamente recebeu de Doutor da Igreja. Em seu Livro da Regra Pastoral, por exemplo, uma de suas obras que mais influíram na Idade Média, fornece ao clero uma norma de vida.

Já em suas Homilias, dirige-se ao povo com uma simplicidade comovedora. Sua palavra é tão eminentemente comunicativa, tão viva, tão apropriada, que a multidão a escuta religiosamente, às vezes com lágrimas, outras com aplausos.

São Gregório Magno, túmulo em São Pedro, VaticanoDe valor mais transcendental foram sua consolidação litúrgica e a codificação do canto eclesiástico (até hoje o canto-chão leva o seu nome, gregoriano). A ele se deve, por exemplo, o costume de cantar o Kyrie eleison na Missa, a introdução do Pai Nosso antes da fração da hóstia, e dos aleluias nos ofícios divinos, mesmo fora do tempo pascal. Teve muito empenho em realizar as cerimônias de culto com muita pompa exterior, para instrução e edificação do povo.(5) Do ponto de vista da liturgia, foi um digno predecessor do Papa São Pio V.

São Gregório Magno teve grande empenho na conversão dos ingleses, de modo a merecer o título de Apóstolo da Inglaterra.

O Pontífice, mesmo antes de ser eleito Papa, havia passado por diversas crises de saúde – gota e intestinos – que duraram meses inteiros.

Já no fim de sua vida, escreveu: “Há quase dois anos estou na cama, com grandes dores de gota, de modo que apenas nos dias de festa posso me levantar para celebrar. E logo, com a força da dor, me volto a deitar. [...] Assim, morrendo cada dia, nunca acabo de morrer, e não é maravilha que eu, sendo tão grande pecador, Deus me mantenha tanto tempo neste cárcere”. O grande Papa faleceu no dia 12 de março de 604, aos 60 anos de idade.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Clóvis, Rei dos francos, instrumento da Providência Divina

Clovis I, representado no "Reccueil des rois de France". Du Tillet,1550
Clóvis I, representado no "Recueil des rois de France". Du Tillet,1550
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Dentre as hordas de bárbaros que investiram contra as possessões romanas do Ocidente na Europa central, destacaram-se os francos, povo guerreiro e valente.

Ora unindo-se às tropas imperiais, ora combatendo-as, tornaram-se tão poderosos, que a filha de um de seus reis, Eudóxia, veio a casar-se com o Imperador Arcádio.

Com a queda do Império Romano em 476, os francos dominaram o norte da Gália; os godos, o sul; os borguinhões, as duas margens do Ródano, restando ainda, entre os rios Sena e Loire, remanescentes do Império sob o governo de Siágrio.

Um dos grandes chefes francos foi Childerico I (458-481), que se casou com Basina da Turíngia.

Tiveram um filho são e robusto a quem deram o nome de Clóvis. Estava ele destinado a mudar o curso da história da Gália (França) e, por conseguinte, da Europa.

Clóvis subiu ao trono franco ainda adolescente, e com uma maturidade precoce fez suas primeiras conquistas. "Sagacidade na deliberação e ousadia na execução distinguiram sobretudo este soberano"1.

sábado, 25 de abril de 2009

São Nuno Álvares Pereira: canonizado herói de Portugal

Dom Nuno Álvares Pereira reuniu em si o conjunto de virtudes e predicados que fazem dele o arquétipo de qualquer cristão.

Frei Nuno de Santa Maria — seu nome religioso — é um personagem indivisível, e como tal deve ser visto.

Sobre este homem pousou, desde cedo, a mão da Providência. A sua vida foi uma sucessão contínua de prodígios e de lutas; e as suas ações, quer como condestável dos exércitos, quer como grande esmoler, foram aureoladas pela glória e humildade.

Corria o ano de 1360. Na festa de São João Batista, a 24 de junho, nasceu ele em Cernache do Bonjardim (140 quilômetros a norte de Lisboa), recebendo no Batismo o nome de Nuno. Descendia por ambos os lados da mais alta nobreza de Portugal.

Com tenra idade, como era hábito naquele tempo, foi viver entre cavaleiros e escudeiros. Os grandes feitos da cavalaria medieval povoavam os horizontes dos jovens da época. A Crônica do Condestável está repleta desses relatos.

Recebera em casa uma esmerada educação e sólida formação cristã. Ambas, aliadas à retidão de alma de Nuno, produziram efeitos duradouros que hoje nimbam a imagem do Condestável, cujo culto universal a Igreja Católica legitimará com a sua canonização.

Aos 13 anos acompanha o pai à Corte, que se achava em Santarém, uma vez que Henrique II de Castela invadira Portugal e marchava sobre Lisboa. Ele e o irmão Diogo recebem do Rei Dom Fernando de Portugal a ordem de colher informações sobre os invasores.